‘Discurso de Lula foi histórico e contundente em defesa da democracia, soberania e paz’, diz analista internacional
Por Lucas Krupacz — Brasil de Fato
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Em seu discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou uma postura firme ao defender a soberania e alertar sobre os riscos à democracia, bem como criticou as nações que mobilizam guerras e adoram posturas unilaterais.
Embora não tenha citado nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o recado foi, em muitos momentos da fala, direcionado ao republicano, que falou na sequência. Lula também criticou a inércia do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante de conflitos mundiais, como o genocídio em Gaza, e citou a necessidade de uma reavaliação e até mesmo de uma reforma.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o analista internacional Gustavo Menon, professor na Universidade Católica de Brasília (UCB) e da Universidade de São Paulo (USP), avalia que a postura do presidente foi firme. O especialista considerou o discurso “histórico e contundente em defesa da democracia, da soberania, da paz e de revisitar os princípios do multilateralismo”. Menon destacou a forma como Lula defendeu o processo eleitoral ao dizer que a democracia brasileira pertence aos brasileiros.
“Lula apontou que o sistema ONU não vem adotando o que estava previsto em sua carta fundacional de evitar o flagelo da guerra. Estamos diante de um mundo em conflagração e, nesse sentido, Lula condenou as iniciativas unilaterais e protecionistas. É uma conjuntura de cruzamento de crises. Lula foi bastante taxativo ao dizer que é preciso resgatar esse espírito das Nações Unidas de livrar a humanidade do flagelo da guerra. A corrida armamentista do nosso tempo compromete projetos de desenvolvimento, iniciativas de cooperação que podem acelerar o impulsionamento da agenda do desenvolvimento sustentável”, avalia.
Gustavo Menon também considerou bastante acertados os pontos apresentados por Lula em respeito às conquistas dos últimos quatro anos. “Ele apontou para a saída do Brasil do Mapa da Fome. Em relação às políticas públicas brasileiras, destacou o avanço das chamadas agendas verdes e mecanismos de cooperação e integração regional, que devem ser reativados diante desse cenário de paralisia não só do sistema ONU como da própria Organização Mundial do Comércio, que está respirando por aparelhos, como disse o próprio Lula”, essalta.
Outro ponto destacado pelo analista internacional foi o momento em que Lula falou da América Latina e as constantes pressões que a região vem sofrendo. “Criticou iniciativas de criar uma zona de influência na América Latina, destacou como devemos apontar para o bloqueio econômico que afeta a ilha de Cuba, como devemos condenar essas iniciativas ilegais no plano internacional e fez um chamado de uma maior participação das economias do sul global”, afirma.
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira, das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato