Lula homenageia Zuenir Ventura e destaca legado democrático

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou nesta terça-feira (22) a morte do jornalista e escritor Zuenir Ventura, aos 95 anos, e destacou sua trajetória de defesa da democracia, da liberdade de expressão e dos direitos humanos. Em publicação nas redes sociais, Lula recordou episódios marcantes da carreira do jornalista e afirmou que sua obra permanecerá como referência para o país.

A morte do jornalista também foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição na qual ocupava a Cadeira nº 32 desde 2015.

“Não se calou frente à censura”

Na homenagem, Lula ressaltou a importância de Zuenir para a imprensa brasileira e associou sua trajetória profissional à defesa das liberdades democráticas.

“O jornalismo brasileiro perdeu hoje um de seus mais importantes nomes: Zuenir Ventura. Ao longo de sete décadas, ele ajudou a narrar e até mesmo a construir, por meio de suas reportagens e de seu compromisso com a democracia e a liberdade de expressão, a história de nosso país”, escreveu o presidente.

Lula destacou especialmente a atuação de Zuenir durante a ditadura militar e lembrou uma de suas obras mais conhecidas, “1968 – o Ano que não Terminou”.

“Zuenir não se calou frente à censura imposta pelo regime autoritário – registrado tão bem no seu livro ‘1968 – o Ano que não Terminou’”, afirmou.

O presidente acrescentou que o jornalista “sempre lutou pela redemocratização” e que, mesmo depois do fim da ditadura, “manteve o seu jornalismo como uma poderosa ferramenta para a defesa dos direitos humanos”.

Chico Mendes e Vigário Geral

Na publicação, Lula também recordou duas frentes importantes da trajetória de Zuenir: a cobertura do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, no Acre, e o trabalho realizado sobre a chacina de Vigário Geral, no Rio de Janeiro.

“Foi assim com sua ampla cobertura sobre a morte de Chico Mendes, que desvendou ao Brasil não apenas uma investigação sobre o crime, mas os conflitos fundiários e a opressão presentes na Amazônia”, escreveu.

A série de reportagens sobre Chico Mendes publicada por Zuenir no Jornal do Brasil, em 1989, rendeu ao jornalista os prêmios Esso e Vladimir Herzog. Anos depois, ele publicou “Cidade Partida”, livro-reportagem dedicado à violência e às desigualdades no Rio de Janeiro, trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti.

Lula também mencionou diretamente o trabalho relacionado a Vigário Geral. “Fez o mesmo com suas reportagens sobre a chacina de Vigário Geral, que permitiu a muitos brasileiros entenderem, mais de perto, a violência e a divisão social do Rio de Janeiro”, afirmou.

Uma trajetória de décadas no jornalismo

Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir construiu uma extensa carreira na imprensa brasileira. Ingressou profissionalmente no jornalismo na década de 1950 e passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também foi professor e colunista de O Globo.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão “1968 – o Ano que não Terminou”, publicado originalmente em 1988, e “Cidade Partida”, lançado em 1994. A produção sobre Chico Mendes também ocupou lugar de destaque em sua obra e em sua trajetória como repórter.

Zuenir foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em outubro de 2014, sucedendo Ariano Suassuna na Cadeira nº 32, e tomou posse em março de 2015.

“Exemplo de jornalismo de qualidade”

Ao concluir a homenagem, Lula manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do jornalista e ressaltou a permanência de sua obra.

“Aos familiares, amigos e colegas de trabalho de Zuenir Ventura deixo os meus mais profundos sentimentos”, escreveu.

O presidente encerrou a publicação afirmando ter “a certeza de que suas obras continuarão sendo um exemplo de jornalismo de qualidade, com os olhos sempre voltados à construção de um país mais justo”.

O jornalismo brasileiro perdeu hoje um de seus mais importantes nomes: Zuenir Ventura. Ao longo de sete décadas, ele ajudou a narrar e até mesmo a construir, por meio de suas reportagens e de seu compromisso com a democracia e a liberdade de expressão, a história de nosso país.…

— Lula (@LulaOficial) September 22, 2026

Fonte: Brasil 247

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