Depois da caminhada, pipoca: confira filmes para cada passeio pelo Centro de Vitória

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A Gazeta

O Centro de Vitória é daqueles lugares que pedem tempo: para andar sem pressa, entrar em uma casa cultural, descobrir um ateliê, ouvir música, observar a arquitetura e deixar a cidade conduzir o passeio. E, depois de explorar cada trajeto, por que não continuar a viagem no cinema?

HZ selecionou filmes que combinam com a atmosfera de diferentes cantos do Centro, de histórias de amor e descobertas a clássicos do cinema mundial e produções capixabas. Afinal, para cada caminhada, pode existir também uma boa sessão para fechar o dia.

Mapa ilustrado detalha a localização de dezenas de espaços culturais, ateliês e iniciativas independentes que integram o Distrito Criativo no Centro de Vitória.

Mapa ilustrado detalha a localização de dezenas de espaços culturais, ateliês e iniciativas independentes que integram o Distrito Criativo no Centro de Vitória.
Reprodução Distrito Criativo
Rota Ubaldo

A rota Ubaldo é um roteiro ideal para fazer arte na Casa Livre e no Ateliê da Tânia Crivilin , curtir o samba na Casa de Bamba, sentir a energia vibrante da Casa da Stael na Rua Sete ou conferir a cena cultural na Má Companhia. Depois de descobrir que esse trecho do centro de Vitória é um organismo vivo feito por artistas, você pode gostar de assistir:

Questão de Tempo ( About Time, 2013)


Um jovem descobre ter o dom de viajar no tempo depois de completar 21 anos e decide arriscar-se alterando a narrativa de sua vida romântica. Com o clichê das consequências imprevisíveis de alterar o passado, o drama britânico tem um roteiro sensível sobre a beleza de aproveitar dicas comuns. Uma poesia sobre a observação dos pequenos detalhes e rituais do dia a dia. 

Onde assistir: Netflix, Prime Video, Globoplay e Telecine.


Sonhos, de Kurosawa (夢 , 1990)

Em vinhetas independentes, o mestre do cinema japonês transforma sonhos que teve em uma narrativa antológica. Em um deles, um menino entra literalmente dentro das obras de Vincent van Gogh. É quando o pintor conversa com o garoto e explica como a vida se pinta diante dos olhos dele antes de ir pra tela. A tradução exata de visitar espaços de arte e se sentir entrando em uma galeria viva!

Onde assistir: Disponível para alugar ou comprar no Prime Video e na Apple TV.

Cena do longa britânico Questão de Tempo

Cena do longa britânico Questão de Tempo
Reprodução / Filme
Rota Rosário

O roteiro ideal do turismo literário e da ocupação boêmia! Com trechos íngremes e planos, o passeio pela Rua do Rosário, Ladeira São Bento e Escadaria Acyr Guimarães explora sebos, espaços culturais alternativos, estúdios de tatuagem, além de uma bela arquitetura histórica.

Minha Fama de Mau (2019)

De boemia, o musical nacional de Erasmo Carlos em sua juventude entende. Embalado por rock and roll, amizades de calçada e muita agitação urbana, o filme com Chay Suede, Gabriel Leone e Malu Rodrigues combina perfeitamente com a celebração dos encontros pelo centro e o pique da calçada animada da rota. 

Onde assistir: Netflix, no Globoplay e Prime Video. 

Vida Privada ( Vie privée , 2025)

Quando uma renomada psiquiatra (interpretada pelo ícone do cinema, Jodie Foster) decide investigar por conta própria a morte de uma de suas pacientes, um filme com cara de policial se transforma em uma longa sessão de terapia. A atmosfera densa de segredos urbanos em tom de investigação com pitadas de autoanálise combina bem com o fim de um dia inteiro entrando em prédios antigos e descobrindo a complexidade humana que habita a cidade. 

Onde assistir: HBO Max.

Com uma estética que remete à cultura jovem e ao universo do rock nacional, a vivência boêmia da Rota Rosário dialoga com o enredo de produções como Minha Fama de Mau no Centro de Vitória

Com uma estética que remete à cultura jovem e ao universo do rock nacional, a vivência boêmia da Rota Rosário dialoga com o enredo de produções como Minha Fama de Mau no Centro de Vitória
Reprodução filme “Minha Fama de Mau”
Rota Cidade Alta e Piedade

Passando por pontos clássicos da cidade como o Bar da Zilda, o Quintal Bantu, a Quadra da Piedade e a Horta Horta Urbana Quintal na Cidade, o trajeto pede filmes que falem sobre afeto, raízes, comunidades e a casa como extensão da rua. 

Marte Um (2022)

Escolhida para representar o Brasil na pré-seleção do Oscar à época, a obra de Gabriel Martins acompanha uma família na periferia de Minas Gerais. Com um caçula sonhando em ser astronauta, um pai realista, uma mãe ansiosa e uma filha se descobrindo homossexual, o filme fala sobre o direito de sonhar.  Reflete nas telas a resistência e a pulsação da vida comunitária nas ruas.

Onde assistir: Globoplay.

Enquanto o Sol Não Nasce (2026)  

Documentário produzido por estudantes da Ufes acompanha a dinâmica do Centro Histórico de Vitória desde o cair da noite até o amanhecer, registrando artistas, trabalhadores e frequentadores. Destaca diretamente a comunidade que mantém esse pedaço do Centro pulsando!

Onde assistir: Sessões especiais no Cine Metrópolis (Ufes).

Rota Nestor

O eixo de livrarias e ateliês abriga espaços como Aquela Casa Rosa, a Cousa e Livraria Catraia, os ateliês de Fernando Augusto e Richard Hoey, além de criativos como o Matinta Pereira e a Casa Caipora. 

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain ( Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, 2001)

A estética colorida e charmosa das casas do centro, a escadaria São Diogo e a chegada à Catedral Metropolitana, somadas aos ateliês e sebos da Rua Nestor Gomes, recriam a exata atmosfera do estilo de Montmartre. O bairro francês circunda a vida de uma jovem de interesses esquisitos, em uma história sobre explorar cidades justamente pela estranheza. 

Onde assistir: Netflix e Prime Video.

Dias de Pouco Pão e Zero Sonho (2024)

O curta capixaba de Saskia Sá é ambientado inteiramente no coração do Centro. O projeto, com pulso real das ruas, é construído justamente por onde a rota passa. Com a trama de conexão de Damiana e Rosa, mistura elementos fantásticos com a realidade do trabalhador, em um movimento de câmera que imita os olhos que veem o centro. 

Onde assistir: Circuitos de festivais de cinema. 

Dias de Pouco Pão e Zero Sonho, de Saskia Sá, na 28ª Mostra Competitiva de Longas.

Dias de Pouco Pão e Zero Sonho, de Saskia Sá, na 28ª Mostra Competitiva de Longas.
Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA
Rota Gruta

Fechando os roteiros com turismo de patrimônio cultural e memória urbana, explora marcos arquitetônicos tradicionais, incluindo igrejas antigas, casarões preservados e a região do Mercado da Capixaba. É por ali que se resgatam símbolos antigos, como os cinemas de rua que moldaram a identidade social das cidades.


A Última Sala (2025)

Focado na memória dos antigos cinemas de rua da região central, o documentário aborda espaços como o histórico Cine Vitória, inaugurado em 1950 na Av. Jerônimo Monteiro. Tornando local a mesma pauta de Retratos Fantasmas (2023), de Kleber Mendonça Filho, conecta a geografia real do centro histórico a um diálogo quase metalinguístico.

Onde assistir: Em circulação em mostras independentes.

O Tempo e o Vento (2013)

Protagonizado por Thiago Lacerda e baseado na obra de Érico Veríssimo, 

Focado na memória dos antigos cinemas de rua da região central, o documentário aborda espaços, acompanha a saga de uma família ao longo de mais de um século, retratando diferentes gerações do mesmo território. Narra a sensação de caminhar por espaços que respiram história, perfeita para pensar na passagem do tempo no coração de Vitória. 

Onde assistir: Netflix e Globoplay. 

Cena do documentário capixaba A Última Sala.

Cena do documentário capixaba A Última Sala.
Reprodução filme “A última Sala” / 32º Festival de Cinema de Vitória

Um roteiro para o flâneur moderno, ou seja, aquele que caminha sem pressa, mais interessado em observar a cidade do que simplesmente atravessá-la. É o viajante que repara na arquitetura, entra em espaços culturais, descobre artistas pelo caminho e se deixa surpreender pelo que acontece nas ruas. 

E, para fechar o passeio, uma maratona de cinema pode ser a desculpa perfeita para continuar a viagem, agora diante da tela, revivendo um pouco do que foi visto e sentido pelo caminho.

*Este conteúdo foi produzido por Camila Leão, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação de Aline Almeida, editora substituta de HZ .

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Fonte: A Gazeta

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