Azeite brasileiro de R$ 97 conquista 2º lugar entre os melhores do Hemisfério Sul em concurso na França
Por Sara Magalhães — Seu Dinheiro
A Serra da Mantiqueira voltou a aparecer no mapa internacional dos azeites de alta qualidade. O Mantikir Coratina, produzido pela Vinícola Essenza em Maria da Fé, no sul de Minas Gerais, ficou em segundo lugar entre os dez melhores azeites do Hemisfério Sul no Olio Nuovo Days 2026, concurso realizado em Paris, na França.
O resultado, divulgado nesta segunda-feira (21), também colocou o rótulo no topo da lista brasileira da competição. É o terceiro ano consecutivo em que um azeite da Vinícola Essenza lidera entre os representantes do Brasil no concurso.
Além do Coratina, outros dois rótulos da produtora foram premiados. O Mantikir Grappolo recebeu a medalha Premium Gold, enquanto o Mantikir Koroneiki levou Gold. No site da marca, aliás, os azeites premiados são vendidos por R$ 97.

“Existe um trabalho de todo um ano por trás de cada safra, que começa no cuidado com as oliveiras em Maria da Fé e passa por cada decisão até a extração. Ver esse trabalho reconhecido pelo júri é uma alegria para toda a nossa equipe”, disse em nota Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza.
Nesta edição, o primeiro lugar ficou com o azeite chileno Picual Cosecha 2026, da produtora Puertas De Guarilihue. Ao todo, o concurso recebeu 58 azeites de Argentina, Austrália, Brasil, Chile, África do Sul e Uruguai.
Azeites produzidos a até 1.910 metros de altitude
Na Fazenda Tuiuva, em Maria da Fé, no sul de Minas Gerais, a Vinícola Essenza cultiva cerca de 6 mil oliveiras de seis variedades: Arbequina, Coratina, Grappolo, Koroneiki, Picual e Maria da Fé.
As árvores ocupam áreas entre 1.700 e 1.910 metros de altitude. Segundo a Vinícola Essenza, a propriedade abriga o olival mais alto do mundo.
A altitude, inclusive, é um dos elementos que fazem parte da identidade da produção de azeites na Serra da Mantiqueira, região que se consolidou nas últimas décadas como uma das áreas brasileiras dedicadas à olivicultura.

O Mantikir Grappolo também tem uma história ligada à pesquisa brasileira. O azeite leva a Grappolo 541, uma variedade de oliveira que a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) desenvolveu a partir de material genético italiano e adaptou ao clima e à altitude da Serra da Mantiqueira.
O Ministério da Agricultura e Pecuária reconheceu a cultivar com o nome MGS GRAP541. Hoje, produtores da região usam a variedade na produção de azeites da Mantiqueira.
“A Grappolo faz parte da história da olivicultura de Maria da Fé e hoje está entre as variedades que cultivamos na Fazenda Tuiuva”, comentou Herbert. “Receber uma Premium Gold com um azeite produzido a partir de uma cultivar desenvolvida pela Epamig na própria região também permite apresentar fora do Brasil uma pesquisa que começou aqui e que ajudou a construir a produção de azeites na Serra da Mantiqueira”, continuou.
Júri reuniu chefs, sommeliers e cientistas
A avaliação dos finalistas ocorreu em 17 de setembro, no Le Cordon Bleu Paris, no Hôtel de la Marine, em Paris. O júri reuniu profissionais ligados à análise sensorial e à gastronomia, entre chefs, sommeliers, cientistas de alimentos e provadores profissionais de azeite.
Entre os avaliadores estavam Didier Mariotti, Chef de Cave e diretor executivo de enologia da Veuve Clicquot, que presidiu o Júri de Qualidade da edição de 2026. Além disso, Christophe Lavelle, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) e Guillaume Siegler, chef-instrutor do Le Cordon Bleu Paris participaram.

Três anos seguidos entre os brasileiros
A primeira participação de destaque da produtora no Olio Nuovo Days ocorreu em 2024, quando o Mantikir Coratina recebeu 96 pontos e conquistou o Best of Show, principal reconhecimento daquela edição, segundo a empresa.
Naquele ano, aliás, o concurso também concedeu Premium Gold ao Mantikir Summit Premium Blend e Gold ao Grappolo. Em 2025, por exemplo, o Mantikir Grappolo chegou ao segundo lugar entre os dez melhores azeites do Hemisfério Sul e ocupou a primeira posição entre os brasileiros. Já o Mantikir Coratina recebeu a medalha Premium Gold.
Agora, em 2026, os papéis se inverteram: a Coratina voltou ao pódio, enquanto o Grappolo também conquistou uma medalha.
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“Quando recebemos o Best of Show em 2024, foi um resultado que nos surpreendeu e que comemoramos muito. No ano seguinte, vimos a Grappolo chegar ao segundo lugar e, agora, é a Coratina que volta a ocupar essa posição. São três anos em que azeites diferentes produzidos na Fazenda Tuiuva chegam entre os brasileiros mais bem avaliados em Paris. Para quem acompanha cada safra desde o campo, é uma história que temos muito orgulho de construir”, diz Sales.
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Fonte: Seu Dinheiro