Aplicativo da USP adapta psicoterapia para tratar depressão pós-parto
Por Tiago Souza — Carta Capital
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Ferramenta digital desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP busca ampliar o acesso de mães ao tratamento psicológico
Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) desenvolveram o Motherly, um aplicativo voltado ao auxílio no tratamento da depressão pós-parto. De acordo com o Jornal da USP, a ferramenta, ainda em fase de testes, adapta técnicas da terapia cognitivo-comportamental para o ambiente digital com o objetivo de ampliar a autonomia e o acesso das mães à assistência psicológica.
A depressão pós-parto é um episódio depressivo que pode acometer pessoas que gestaram logo após o nascimento dos filhos. A condição se estende por no mínimo duas semanas e é caracterizada pela recorrência de humor deprimido e pela falta de interesse e prazer nas atividades cotidianas. Os sintomas podem incluir alterações no sono, nos hábitos alimentares e nos padrões de ansiedade, além de pensamentos recorrentes de morte ou ideação suicida.
Além de prejudicar a saúde mental e o cotidiano dessas pessoas, o transtorno aumenta o estresse relacionado aos cuidados com a criança e altera a sensibilidade, afetando a capacidade de identificar as necessidades dos filhos e de responder a elas de maneira adequada.
Tatiane Borja, autora de uma dissertação que investiga os efeitos do aplicativo, afirma que o transtorno ainda é estigmatizado, em especial pela romantização da maternidade. “Ser mãe é padecer no paraíso, não é socialmente aceito que ela fique doente ou triste. Mas essa mulher não está triste por conta da chegada da criança, e sim por todo um contexto neurobiológico e psicossocial”, afirmou a pesquisadora para o Jornal da USP.
Segundo Borja, o desenvolvimento da intervenção por aplicativo pode representar uma oportunidade de ampliar o acesso ao tratamento psicológico, já que garante maior privacidade às pessoas que evitam buscar apoio clínico devido ao estigma ligado ao transtorno. A pesquisadora também destaca que o Motherly é uma ferramenta de baixo custo e que permite aumentar o número de intervenções em razão da facilidade de acesso a aparelhos celulares.
Daniel Fatori, idealizador e um dos desenvolvedores do aplicativo, explica que o Motherly traz informações sobre os exames e consultas que devem ser realizados no período pré-natal e no puerpério. A ferramenta também conta com uma biblioteca de conteúdos sobre as mudanças biológicas e os sentimentos característicos dessa fase. O diferencial, segundo ele, está na adaptação de técnicas da terapia cognitivo-comportamental para o ambiente digital, para que os usuários aprendam sobre o funcionamento dessas metodologias e as apliquem na própria rotina com auxílio do aplicativo.
“Tentamos olhar para as técnicas que já existiam e delimitar quais poderiam ser usadas sem representar um risco para pacientes”, comenta Fatori. “Não poderíamos colocar uma técnica excessivamente complexa de se explicar, porque isso traria dificuldades para as pessoas entenderem e aplicarem.”
Uma das principais estratégias de intervenção no Motherly é a ativação comportamental. A técnica consiste em criar um cronograma para ajudar os pacientes a retomar atividades que haviam deixado de fazer por conta da depressão. “Conforme uma pessoa fica mais deprimida, ocorre um comportamento que chamamos de esquiva. Ela passa a se isolar e a evitar determinadas tarefas, mas depois sente uma culpa que alimenta ainda mais a depressão”, explica o pesquisador.
Em vez de incentivar a retomada imediata de metas que possam ser excessivamente complexas durante o episódio depressivo, a ativação comportamental divide essas atividades em pequenas partes e cria uma rotina para que o paciente atinja seus objetivos aos poucos.
A estratégia de estipular tarefas mais simples no início contribui para a construção de confiança, pois o cumprimento delas funciona como uma recompensa natural que faz com que os indivíduos se sintam gradativamente mais capazes. O método também evita que os pacientes recebam reforços negativos ao falhar na tentativa de cumprir grandes objetivos de uma só vez.
Dentro do Motherly, essa técnica é apresentada por meio das “jornadas”, uma série de tutoriais que introduzem os conceitos da terapia cognitivo-comportamental e orientam a aplicação das estratégias no dia a dia.
*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.
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Fonte: Carta Capital