Trump fala em “aniquilar” o Irã e convoca “isolamento econômico total” do país
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um pronunciamento com tom duro e ameaças explícitas contra a República Islâmica do Irã durante seu discurso nesta terça-feira (22), na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York, informa a imprensa internacional.
Durante sua fala, o líder norte-americano afirmou que se encontra diante de um dilema crucial na condução da política externa e que precisará escolher entre a diplomacia e o uso direto da força militar contra o governo iraniano. “Tenho uma grande decisão a tomar. Será feito um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior do que jamais foi?”, questionou. Logo em seguida, elevou a beligerância da declaração: “Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazê-lo rapidamente, sem jamais dar a eles a chance de matar e destruir pessoas e países novamente? Devo lançá-los no inferno, sem chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza ou gerações futuras?”.
Apesar do tom incisivo, Trump ponderou que projeta um entendimento diplomático com Teerã em um futuro próximo, condicionado ao calendário eleitoral interno norte-americano. “Acredito que faremos um acordo logo após a eleição, porque não faz sentido para eles não o fazerem”, afirmou, em referência às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, agendadas para o início de novembro.
O chefe do Executivo norte-americano voltou a prometer que jamais autorizará Teerã a desenvolver capacidade atômica militar, ponto que gerou breves aplausos no plenário. “Eles eram os valentões do Oriente Médio, mas não são mais”, declarou. Na sequência, Trump dirigiu um apelo direto à comunidade internacional: “Convoco todas as nações a se unirem a nós para impor o isolamento econômico total do Irã até que eles parem com os ataques à navegação comercial, abandonem suas ambições nucleares e cessem o apoio ao terror”.
As declarações ocorrem em um ambiente de forte apreensão diplomática. Líderes mundiais presentes ao evento demonstram inquietação com os seis meses de conflitos diretos e escaramuças envolvendo as forças armadas dos Estados Unidos e um governo iraniano mais incisivo na região, cenário que tem amplificado a instabilidade no Oriente Médio e mantido acesa a preocupação internacional com o programa nuclear do país. Do lado de fora do edifício-sede da ONU, dezenas de manifestantes contrários ao regime iraniano realizaram um ato com cartazes defendendo a democracia, a liberdade e condenando a ditadura em Teerã.
Balanço interno, guerra na Ucrânia e Venezuela
Antes de abordar os temas globais, Trump abriu o discurso enumerando o que classificou como avanços extraordinários de sua gestão. “Herdamos uma era sombria para a América da administração anterior e a transformamos na era de ouro da América”, sustentou, destacando conquistas nas áreas de economia, segurança pública e controle da imigração. A demonstração de otimismo do presidente contrapõe-se aos dados recentes de pesquisas de opinião, que indicam que sua popularidade atingiu novos níveis mínimos no período pré-eleitoral.
Ao tratar da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o presidente norte-americano reafirmou o compromisso de encerrar o conflito armado na Europa Oriental, um objetivo por ele traçado como prioridade ao assumir seu segundo mandato em janeiro do ano passado, mas que tem gerado episódios de frustração nos bastidores pela falta de desfecho. “Estamos trabalhando em estreita colaboração com os líderes da Rússia e da Ucrânia, e vamos resolver essa questão. Acho que isso vai acontecer mais rapidamente do que as pessoas imaginam”, assegurou.
Por fim, Trump citou as recentes medidas implementadas por Washington em relação à Venezuela como um exemplo de firmeza diplomática e militar para todo o continente. “Nossas ações na Venezuela são a prova de que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para proteger os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, concluiu.
Fonte: Brasil 247