Lula discursa na ONU nesta terça-feira
Por Emanuela Godoy — TVT News
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa nesta terça-feira (22) na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Esta será a 10ª vez que o presidente brasileiro abre os trabalhos do principal encontro anual da organização. Lula já ocupou a tribuna nas edições de 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Leia em TVT News.
A presença brasileira na abertura segue uma tradição iniciada em 1955. Desde então, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral, seguido pelo país-sede. A prática está relacionada à atuação de Oswaldo Aranha, que presidiu a Assembleia Geral da ONU em 1947, nos primeiros anos da organização.
Ao longo de mais de duas décadas, alguns temas permaneceram presentes nos discursos de Lula, entre eles a defesa da paz, o combate à fome e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU. Apesar da permanência dessas questões, a abordagem do presidente mudou conforme o cenário internacional e as prioridades de cada período de governo.
Acompanhe o discurso do Lula no jornal da TVT:
Lula volta a defender reforma do Conselho de Segurança
A reforma do Conselho de Segurança aparece nos discursos analisados desde a primeira participação de Lula na abertura da Assembleia Geral. Atualmente, o órgão possui cinco membros permanentes, Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França, que têm poder de veto.
Qualquer alteração na Carta da ONU depende do aval desses países, o que está entre os pontos relacionados à discussão sobre mudanças na estrutura da organização.
Em 2003, Lula classificou o papel da ONU na promoção da paz e da justiça como “insubstituível”. Anos depois, o tom mudou. Em 2024, o presidente afirmou que a organização estava cada vez mais “esvaziada e paralisada”. No discurso de 2025, disse que sua autoridade estava “em xeque”.
A mudança também aparece na agenda dos pronunciamentos. Entre 2003 e 2008, Lula abordava temas como os subsídios agrícolas concedidos por países ricos, a Rodada de Doha, os biocombustíveis e os efeitos da crise financeira. A partir de seu retorno à tribuna, em 2023, passaram a ganhar espaço assuntos como a extrema direita, as mudanças climáticas, a regulação das grandes plataformas digitais, a inteligência artificial e a defesa da soberania.
Gaza e os conflitos internacionais
A questão palestina também passou por mudanças na forma como foi abordada por Lula. Em 2004, o presidente afirmou que o povo palestino estava distante de alcançar a autodeterminação. Em 2024, utilizou a expressão “punição coletiva” para se referir à situação em Gaza. No ano seguinte, falou em “genocídio”.
Para o discurso desta terça-feira, a previsão é de que Lula trate das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e da situação em Gaza, dentro de uma abordagem voltada aos conflitos internacionais e ao papel do multilateralismo.
O texto preparado para a fala também deve abordar a soberania nacional e a defesa da democracia. Segundo informações apresentadas por integrantes do governo e diplomatas envolvidos na preparação do discurso, esses temas devem ocupar espaço relevante na manifestação do presidente.
Soberania e relação com os Estados Unidos
A versão mais recente do discurso não faz referência direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem ao chamado Escudo das Américas, iniciativa de segurança norte-americana na região que é interpretada pelo governo brasileiro como uma reedição do Plano Colômbia, com foco na repressão e no afastamento da China do hemisfério.
Isso não significa, porém, que temas relacionados à relação entre Brasil e Estados Unidos estejam fora da fala. Lula deverá defender a soberania brasileira, repudiar interferências externas e defender a cooperação internacional em áreas de interesse comum.
Nas relações comerciais, a expectativa é de que o presidente critique a adoção unilateral de barreiras tarifárias pelos Estados Unidos. A orientação apresentada para o discurso é evitar que essa crítica se transforme em um confronto direto com o governo norte-americano.
A posição busca combinar a defesa da autonomia brasileira com a tentativa de manter abertas as relações diplomáticas e comerciais com Washington.
Combate ao crime organizado entra na agenda
Outro assunto que ganhou espaço na preparação do discurso é o combate ao crime organizado. Lula deverá defender a cooperação entre países no enfrentamento às organizações criminosas, ao mesmo tempo em que deve sustentar que as políticas de segurança adotadas dentro do território brasileiro precisam respeitar a soberania nacional.
O tema ganhou maior sensibilidade nas relações com os Estados Unidos depois que o governo Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Nesse contexto, o governo brasileiro demonstra preocupação com possíveis iniciativas externas que possam ser interpretadas como interferência em assuntos domésticos. A expectativa é que Lula trate da necessidade de cooperação internacional sem abrir mão da autonomia do Estado brasileiro para definir suas próprias políticas de segurança.
Dez discursos e mudanças no cenário internacional
A participação desta terça-feira será a décima abertura de Assembleia Geral da ONU feita por Lula. Ao longo desse período, seus pronunciamentos acompanharam transformações no cenário internacional e também mudanças na agenda política brasileira.
Temas presentes desde os primeiros discursos, como paz, fome e reforma do Conselho de Segurança, continuam no roteiro. Ao mesmo tempo, questões que ganharam força nos últimos anos, como democracia, soberania, mudanças climáticas, inteligência artificial e regulação das plataformas digitais, passaram a ocupar mais espaço.
Para 2026, a fala deve reunir esses diferentes eixos, com atenção aos conflitos internacionais, à situação em Gaza, à reforma das instituições multilaterais, à defesa da democracia, à soberania dos países e à cooperação no combate ao crime organizado.
Por tradição, após Lula, o segundo discurso da abertura será feito pelo representante dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro desta terça-feira, portanto, também colocará em sequência as manifestações dos presidentes dos dois países sobre temas que envolvem relações internacionais, comércio, segurança e soberania.
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Fonte: TVT News