Alibaba promete a IA mais poderosa do mundo e vê tecnologia ainda em fase inicial
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A Alibaba apresentou nesta terça-feira (22), em Hangzhou, na China, uma das estratégias mais ambiciosas da indústria mundial de inteligência artificial. A companhia pretende treinar modelos com entre 5 trilhões e 10 trilhões de parâmetros, desenvolver chips próprios de alto desempenho e elevar a capacidade global de seus data centers para mais de 20 gigawatts até 2032.
Os planos foram apresentados pelo CEO do Alibaba Group, Eddie Wu, durante a Apsara Conference, conferência anual da Alibaba Cloud. Para Wu, apesar dos avanços acelerados dos últimos anos, a inteligência artificial ainda se encontra no início de uma transformação que poderá ser comparável — e, em sua avaliação, até mais profunda — à Revolução Industrial.
A aposta da empresa está apoiada em três pilares: modelos de IA, chips e infraestrutura de nuvem.
Qwen poderá chegar a 10 trilhões de parâmetros
A equipe responsável pelo Qwen, família de modelos de inteligência artificial da Alibaba, trabalha na próxima geração da tecnologia. A empresa anunciou planos para escalar seus futuros modelos para uma faixa entre 5 trilhões e 10 trilhões de parâmetros, com o objetivo de realizar tarefas mais complexas e de longa duração e avançar em direção ao que chama de superinteligência artificial, ou ASI.
A escala seria várias vezes superior à dos modelos atuais da companhia. O aumento do número de parâmetros, porém, não significa isoladamente que um sistema seja mais inteligente: arquitetura, qualidade dos dados, treinamento, eficiência de inferência e capacidade de raciocínio também são fatores determinantes para seu desempenho.
Wu destacou especialmente os avanços em recursive self-improvement (autoaperfeiçoamento recursivo), abordagem na qual sistemas de IA conseguem identificar limitações, realizar experimentos e utilizar os resultados para aprimorar progressivamente sua capacidade de resolver problemas.
Alibaba apresenta seu chip mais poderoso
A segunda frente da ofensiva está nos semicondutores. A T-Head, divisão de chips da Alibaba, apresentou o Zhenwu V900, descrito por Wu como o mais poderoso chip de inteligência artificial desenvolvido na China.
Segundo a empresa, o novo processador oferece aproximadamente três vezes o desempenho do Zhenwu M890. A arquitetura foi projetada para permitir grandes aglomerados computacionais, que podem chegar a 500 mil chips trabalhando conjuntamente no treinamento e na inferência de modelos de fronteira.
A Alibaba já utiliza a geração M890 em seus chamados supernós de IA. A infraestrutura atual é capaz de executar de maneira eficiente inferências de modelos com mais de 2 trilhões de parâmetros, segundo informações apresentadas durante a conferência.
O avanço dos chips próprios também tem uma dimensão estratégica para a indústria tecnológica chinesa. Empresas do país vêm acelerando o desenvolvimento de alternativas domésticas em meio às restrições norte-americanas ao acesso da China aos processadores mais avançados de fabricantes estrangeiros, sobretudo a Nvidia.
Mais de 20 GW em data centers
A terceira frente é a infraestrutura física necessária para sustentar essa expansão.
Wu afirmou que a demanda dos clientes por inteligência artificial é “excepcionalmente robusta” e que as necessidades de computação projetadas para os próximos anos são superiores à capacidade disponível atualmente.
A meta é que os data centers operados globalmente pela Alibaba Cloud ultrapassem 20 GW de capacidade até 2032. A companhia pretende integrar chips, servidores, supernós, redes, armazenamento, bancos de dados, modelos e sistemas de inferência em uma infraestrutura global dedicada à inteligência artificial.
O desafio imediato está na própria cadeia de suprimentos. Segundo Wu, a escassez global de componentes relacionados aos data centers de IA está limitando a velocidade com que a companhia consegue instalar nova capacidade computacional.
A aposta ocorre em um momento de forte expansão da divisão de nuvem. No último ano fiscal, a Alibaba informou que a adoção empresarial de serviços de inteligência artificial contribuiu para acelerar o crescimento da Alibaba Cloud.
“Pensamento” das máquinas poderá superar humanidade em mil vezes
A parte mais ambiciosa da apresentação de Wu, no entanto, foi sua visão sobre o futuro da inteligência artificial.
O executivo argumentou que o mundo está entrando em uma era de “Inteligência de Máquina”, na qual capacidade cognitiva poderá se transformar em um recurso produzido em escala, de maneira semelhante ao que aconteceu com a energia durante a Revolução Industrial.
Segundo ele, a quantidade de “pensamento” produzida pelas máquinas poderá no futuro superar em mais de mil vezes a produzida pelos seres humanos. Wu afirmou que, atualmente, a proporção ainda seria inferior a 3%, o que, em sua visão, indica o enorme espaço existente para expansão da capacidade computacional.
A comparação feita pelo CEO remete à transformação provocada pelas máquinas a vapor, pelos motores de combustão e pela eletricidade. Inicialmente, essas tecnologias substituíram tarefas realizadas por seres humanos e animais. Posteriormente, permitiram atividades completamente novas, como ferrovias de alta velocidade, aviação e exploração espacial.
Wu acredita que algo semelhante acontecerá com a inteligência.
IA ainda estaria na “era da lâmpada”
Apesar dos bilhões de dólares investidos no setor e da rápida popularização dos modelos generativos, o CEO da Alibaba considera que os produtos realmente revolucionários da inteligência artificial ainda não apareceram.
Wu comparou o estágio atual da IA à utilização inicial da eletricidade no século XIX. Em sua analogia, ferramentas de programação por inteligência artificial seriam equivalentes à lâmpada elétrica de 1882: uma aplicação importante, mas ainda destinada principalmente a substituir uma tecnologia ou uma atividade que já existia.
Da mesma maneira que a eletricidade posteriormente permitiu o desenvolvimento de geladeiras, máquinas de lavar, aparelhos de ar-condicionado e inúmeros outros produtos que não poderiam ser imaginados apenas observando uma lâmpada, Wu acredita que a infraestrutura de inteligência artificial deverá produzir categorias inteiramente novas de produtos e serviços.
“Máquinas estão se tornando a principal força do pensamento, e a inteligência está se tornando uma mercadoria que pode ser fornecida em escala”, afirmou o executivo durante sua apresentação, segundo a imprensa chinesa.
Para a Alibaba, portanto, a atual corrida dos grandes modelos é apenas a construção da infraestrutura de uma transformação muito maior. Se a previsão de Wu estiver correta, a disputa tecnológica deixará progressivamente de se concentrar apenas em quem possui o melhor chatbot e passará para quem controla os modelos, chips, data centers e redes capazes de fornecer inteligência em escala planetária.
Fonte: Brasil 247