Vorcaro contratou escritório de mulher de desembargador ligado a Kássio Nunes por honorários que poderiam chegar a R$ 427 milhões

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, contratou o escritório da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador federal Newton Ramos, para atuar em processos de interesse da instituição financeira. O contrato previa honorários que poderiam alcançar aproximadamente R$ 427 milhões, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, com informações originalmente reveladas pelo Valor Econômico.

De acordo com a reportagem, o contrato estabelecia uma remuneração equivalente a 5% dos benefícios econômicos obtidos pelo banco nas causas acompanhadas pelo escritório. Como os valores envolvidos eram estimados em cerca de R$ 8,5 bilhões, os honorários poderiam atingir a casa das centenas de milhões de reais.

As informações ganham relevância diante de mensagens atribuídas a Vorcaro que mostram uma relação de proximidade com Newton Ramos e registram pedidos do desembargador envolvendo benefícios como ingressos para eventos, shows, Fórmula 1 e condições especiais de hospedagem.

Fórmula 1, shows e hotel Fasano

Segundo as reportagens, Newton Ramos procurou Vorcaro em diferentes ocasiões para tratar de acessos a eventos e outras facilidades. Entre os episódios mencionados estão pedidos relacionados a ingressos e camarotes VIP, além da busca por tarifas promocionais no hotel Fasano.

Vorcaro teria atuado para facilitar alguns desses pedidos.

Nas conversas, Newton Ramos também aparece identificado como integrante da chamada “Turma KN”, expressão que, segundo a reportagem, fazia referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques.

A existência das mensagens e dos pedidos não demonstra, por si só, que decisões judiciais tenham sido tomadas em contrapartida aos benefícios. Os registros, no entanto, levantam questões sobre as relações mantidas pelo banqueiro com integrantes do Judiciário enquanto o Banco Master possuía interesses econômicos relevantes em processos judiciais.

Contrato milionário

O escritório de Camilla Ramos atuava em causas de interesse do Master relacionadas, entre outros temas, a créditos do setor sucroalcooleiro.

Uma dessas disputas chegou ao Supremo Tribunal Federal. Camilla acompanhou um julgamento relacionado ao tema e teve uma manifestação elogiada por Nunes Marques durante a sessão, segundo o relato publicado pela imprensa.

As causas eram particularmente relevantes para o banco porque envolviam créditos de grande valor. Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram que o banqueiro acompanhava os movimentos dos processos e demonstrava preocupação com o posicionamento dos ministros do Supremo.

O modelo de remuneração acertado com o escritório de Camilla previa pagamento proporcional ao benefício econômico alcançado. Considerando a estimativa de R$ 8,5 bilhões em benefícios potenciais, os 5% previstos contratualmente representariam aproximadamente R$ 425 milhões — cifra apontada pelas reportagens como próxima de R$ 427 milhões.

Nunes Marques nega recebimento de valores

Kassio Nunes Marques negou ter recebido dinheiro ou qualquer benefício de Daniel Vorcaro e afirmou não ter mantido troca de mensagens com o banqueiro.

O ministro também ressaltou que, em julgamentos envolvendo interesses relacionados ao Banco Master, tomou decisões contrárias às pretensões da instituição financeira.

Outro ministro citado no contexto das relações mantidas por Vorcaro no Judiciário é Gilmar Mendes. O decano do STF teve um encontro com o banqueiro antes de um julgamento de interesse do Master.

Gilmar afirmou que a reunião ocorreu dentro da legalidade e também destacou ter votado contra interesses defendidos pelo banco no processo.

As informações reveladas pelas reportagens colocam sob escrutínio as relações mantidas pelo controlador do Banco Master com integrantes do sistema de Justiça e os contratos advocatícios firmados pela instituição. A existência dessas relações, contudo, deve ser distinguida da comprovação de eventual favorecimento em decisões judiciais, que dependeria de evidências específicas.

Fonte: Brasil 247

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