Campanha morna deixam eleitorado desanimado e cenário de disputa presidencial estável, afirma cientista política
Por José Bernardes — Brasil de Fato
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
No audio source provided.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece a frente de Flávio Bolsonaro (PL) em duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira (21). Na Quaest, Lula vence com 37% contra 33% de Flávio; no segundo turno, bolsonarista aparece com 42% e petista com 41%. Já na BTG/Nexus, Lula aparece com 40% contra 37% de Flávio, no primeiro turno.
O levantamento da Quaest também trouxe números do impacto do escândalo do Banco Master na disputa eleitoral. O maior aumento de menções é em relação à família Bolsonaro, que subiu de 15% para 21% em uma semana.
Ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Daniela Costanzo, pesquisadora do Cebrap, avalia que, até o momento, a “campanha está morna” e que as pesquisas apontam estabilidade dos candidatos que polarizam a disputa.
“Tem pouca coisa acontecendo no sentido de campanha, o eleitorado está um pouco mais desanimado e, por isso, também acho que os números não estão mudando”, aponta, ao destacar que acredita que os eleitores eventualmente indecisos vão decidir de última hora o voto.
Costanzo também avalia que a previsão de impacto que a situação do Supremo Tribunal Federal (STF) provocaria na disputa, não se confirmou. “Se a gente comparar as pesquisas, todas elas, BTG/Nexus, Datafolha, Qauest, todas apontam para um cenário de bastante estabilidade, com pequenas oscilações que sempre estão dentro da margem de erro”, avalia. “A eleição, assim como foi em 2022, será novamente bastante apertada”, completa.
A cientista política reforça que existe um cenário de polarização muito claro que coloca Lula de um lado e Flávio Bolsonaro ou qualquer outro nome que represente, de alguma forma, o bolsonarismo ou o antipetismo, do outro. Nesse sentido, existe uma tendência imediata a imaginar que, em um segundo turno, os eleitores que votaram em outros candidatos possam migrar para Flávio.
Contudo, ela alerta que essa transferência não é direta nem imediata. “Tem um perfil de eleitorado que vai se dividir e que pode ser que vote no Lula. Então, nada é tão rígido assim. Tudo pode acontecer um pouco nesse segundo turno, mas, claro, esse cenário da divisão permanece. Nas eleições de 2022, a gente teve uma frente ampla em prol da democracia. Se Lula fizer isso de novo, talvez consiga atrair mais votos”, pondera.
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.
Fonte: Brasil de Fato