Revolucionários iemenitas tomam estreito de Bab El Mandeb

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Por Hora do PovoHora do Povo

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Porta-voz militar dos revolucionários, Yahya Saree, acusa Arábia Saudita de impor bloqueio ao povo iemenita por 12 anos, saqueando recursos do país e sitiando seus portos e aeroportos, levando sofrimento à população iemenita

Os revolucionários iemenitas, que governam o país a partir da capital Sanaa, retomaram os ataques contra a Arábia Saudita e lançaram uma ofensiva relâmpago pela costa oeste iemenita, tomando cidades portuárias como Moca e Hodeida e, mais recentemente, ilhas estratégicas no Estreito de Bab el-Mandeb – uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, por onde passa cerca de 12% do comércio global, incluindo 11% do petróleo marítimo e 8% do gás natural liquefeito (GNL).

Isso ocorre em um momento em que o Irã, aliado dos iemenitas, já controla o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do suprimento energético mundial antes do início da agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.

“Não há qualquer fechamento do Estreito de Bab al-Mandeb, como alguns afirmam”, declarou o porta-voz militar Houthi, Yahya Saree, mas um “bloqueio que afeta apenas o lado saudita, em resposta ao cerco imposto ao Iêmen e à recusa deste em aceitar qualquer abordagem justa para uma solução que garanta a segurança, a soberania e a independência do povo iemenita”. “Esta é a posição do Iêmen, conforme anunciada pelas forças armadas iemenitas”, enfatizou.

De acordo com membro do Politburo do governo revolucionário, Hazem al-Assad, “a liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb estão seguros e ordenados”.

Em 20 de julho, os iemeintas anunciaram um “embargo marítimo” contra embarcações sauditas, em retaliação ao bloqueio que o país mantém há mais de uma década sobre áreas sob controle do grupo, como parte da intervenção liderada por Riad ao lado dos que tentam submeter o Iêmen à condição de colônia. Segundo o governo de Sanaa, a navegação segue livre para qualquer outro país.

O avanço territorial Houthi nas últimas semanas deixou a Arábia Saudita numa posição extremamente vulnerável, espremida entre dois estreitos sensíveis – Ormuz, já bloqueado pelo Irã desde o início da guerra entre Teerã e o eixo EUA-Israel em fevereiro, e agora Bab el-Mandeb.

A escalada teve um momento crítico no fim de semana passado, quando mísseis atingiram a capital saudita, Riade, pela primeira vez desde a retomada da guerra, e um incêndio atingiu instalações da petrolífera Aramco em Yanbu. Diante das ameaças de Trump de autorizar ataques contra posições Houthis, o grupo reiterou que tem como alvo exclusivo as embarcações sauditas, mas que tem plena capacidade de sustentar um conflito em múltiplas frentes caso os EUA tentem se intrometer.

Embora o desfecho da crise continue incerto, há fortes indícios de que o conflito no Iêmen se funda de vez com a guerra mais ampla entre Irã, EUA e Israel – já em seu sétimo mês.

De acordo com analistas, a nova posição dos iemenitas como guardiões do Mar Vermelho conferiu à Eritreia, também localizada do outro lado do estreito de Bab al-Mandeb, em frente ao Iêmen, um papel geoestratégico fundamental.

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Fonte: Hora do Povo

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