Redes de TV dos EUA suspendem cobertura em conjunto da Casa Branca em protesto contra Trump

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – Cinco das maiores redes de televisão dos Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (21), a suspensão da cobertura conjunta das atividades da Casa Branca em retaliação à decisão do presidente Donald Trump de revogar a autorização de acesso e banir jornalistas de veículos da imprensa tradicional.

A medida drástica paralisa o funcionamento do chamado pool de imprensa — sistema cooperativo em que um grupo restrito de emissoras se reveza na captação de imagens e áudio de pronunciamentos e atos oficiais do presidente para distribuição a dezenas de canais locais e internacionais. O boicote foi aderido conjuntamente pelas emissoras ABC, CBS, CNN, NBC e Fox News. A inclusão da Fox News no protesto é vista como um duro golpe político, dada a histórica aliança editorial da rede com o governo Trump.

Em comunicado divulgado pela imprensa norte-americana, o chefe do escritório da Fox News em Washington, Bryan Boughton, confirmou o posicionamento oficial da rede em defesa da liberdade de imprensa. “Informamos que, a partir de hoje, o pool de emissoras de TV não fará a cobertura de eventos designados como cobertura em ‘pool’ do Presidente”, declarou Boughton.

O impasse teve início na última sexta-feira (18), quando o governo norte-americano anunciou a proibição da entrada de profissionais da CNN, da MS NOW e do site Politico nas dependências da sede do Executivo. A retaliação se concretizou no sábado (19), quando repórteres desses veículos foram impedidos de ingressar no local e tiveram seus crachás de imprensa apreendidos por funcionários da administração federal.

Como a CNN e a NBC (proprietária da MS NOW) integram o grupo fixo de transmissão conjunta, o boicote significa que o pool funcionará de maneira desfalcada e não cobrirá as agendas presidenciais designadas para o formato, deixando a imprensa sem acesso direto aos eventos oficiais. As emissoras não detalharam por quantos dias a suspensão será mantida.

Diante do bloqueio, as direções da CNN, do Politico e do grupo responsável pela MS NOW acionaram a Justiça dos Estados Unidos nesta segunda-feira (21) com uma ação conjunta. Os veículos exigem a derrubada imediata da ordem presidencial e a devolução das credenciais de seus repórteres.

Em resposta à reação em cadeia dos meios de comunicação, Trump usou sua rede social, a Truth Social, para negar que esteja promovendo uma ofensiva contra o jornalismo. O republicano justificou o banimento acusando os veículos afetados de espalharem notícias falsas.

“A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às notícias falsas, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. Elas são corruptas, intencionais, disseminadas, totalmente coordenadas e completamente fora de controle. São uma ameaça à nossa segurança nacional e precisam ser detidas, AGORA!”, publicou o presidente, sem apresentar qualquer prova documental que sustente as alegações.

Embora não tenha citado verbalmente os nomes das três empresas banidas, a declaração aprofunda a crise com a mídia profissional. Desde que retornou à presidência, Trump tem intensificado o tom contra veículos tradicionais de jornalismo consolidado, ao mesmo tempo em que privilegia produtores de conteúdo abertamente alinhados ao seu governo. O episódio atual repete táticas adotadas anteriormente, quando a Casa Branca impôs restrições ao trabalho de repórteres de agências internacionais, como a Associated Press.

Fonte: Brasil 247

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