Enem 2028 terá mudanças na redação e nas áreas de conhecimento
Por Emanuela Godoy — TVT News
A partir de 2028, o Enem deve ter uma reformulação, alterarando tanto a forma de cobrança das habilidades quanto a estrutura da redação. A proposta ainda está em discussão no Inep e deve ser consolidada até o fim deste ano, com implementação gradual das novas matrizes de referência até 2032. Leia em TVT News.
Uma das principais mudanças em discussão está relacionada à produção escrita. Atualmente, o candidato faz uma redação dissertativo-argumentativa de até 30 linhas a partir de um tema definido. Para 2028, o Inep avalia distribuir tarefas de escrita ao longo da prova, com textos de diferentes extensões e gêneros.
Entre as possibilidades apresentadas a educadores está a aplicação de produções de 20, 10 e 5 linhas, distribuídas pelas áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática. O formato, porém, ainda não foi definido.
A proposta também prevê que os estudantes possam produzir gêneros diferentes conforme a situação apresentada. Entre os exemplos discutidos estão cartas de reclamação, artigos de opinião, editoriais, manifestos, discursos públicos e resenhas críticas.
Com isso, a avaliação deixaria de concentrar a capacidade de escrita em uma produção extensa e passaria a verificar como o estudante adapta sua argumentação ao gênero textual, ao interlocutor e à finalidade de cada texto.
Nova matriz deve seguir a BNCC
As mudanças na redação fazem parte de uma revisão mais ampla do exame. O Inep pretende adequar o Enem à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Política Nacional do Ensino Médio.
Uma das propostas em discussão é organizar as quatro grandes áreas do conhecimento (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática) em quatro competências cada. A reorganização será implementada de forma gradual até 2032.
Também está em avaliação uma nova maneira de apresentar as competências, com o uso de verbos como identificar, analisar e avaliar. A intenção é tornar mais explícita a operação intelectual que deverá ser realizada pelo estudante diante de uma situação ou problema.
Para Filipe Couto, professor e diretor pedagógico do Colégio pH, que participou da reunião do Inep, a alteração pode ajudar professores e estudantes a compreender com maior clareza quais habilidades deverão ser trabalhadas durante o ensino médio.
Questões podem usar mais textos-base compartilhados
Outra mudança discutida busca reduzir o desgaste provocado pela leitura durante a realização da prova. Para isso, o Inep avalia ampliar o uso dos chamados testlets, blocos de questões que utilizam um mesmo texto-base.
Nesse modelo, um contexto pode ser utilizado para mais de uma questão, evitando que o candidato tenha de lidar repetidamente com diferentes textos ao longo do exame. A metodologia já foi utilizada pelo Inep em outras avaliações e também esteve presente no Enem de 2025.
Segundo Raphael Kapa, da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep) e coordenador do Colégio Andrews, a proposta também está relacionada à possibilidade de apresentar os textos de maneira mais completa aos candidatos.
No Enem de 2025, os textos utilizados na área de Linguagens já não tinham cortes. A discussão sobre o formato ocorre em um cenário de dificuldades de leitura entre estudantes brasileiros.
Dados citados no debate apontam que, segundo o Pisa 2025, 49% dos alunos brasileiros de 15 anos alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência em leitura, considerado o patamar mínimo. Entre os estudantes mais pobres, 67% ficaram abaixo desse nível, enquanto entre os mais ricos o percentual foi de 26%.
Matemática e Ciências podem incorporar conhecimentos indígenas e africanos

A reforma também pode ampliar a presença de conteúdos transversais em Matemática e Ciências da Natureza. Entre as possibilidades discutidas está a inclusão de conhecimentos relacionados às matrizes africanas e indígenas.
A proposta considera que os estudantes possam ser avaliados sobre saberes matemáticos desenvolvidos em diferentes matrizes culturais. Nas Ciências da Natureza, poderiam aparecer questões relacionadas à contribuição desses conhecimentos africanos e indígenas para a construção do conhecimento científico e tecnológico.
A discussão foi relacionada à obrigatoriedade de abordar essas matrizes na educação básica. A possibilidade, portanto, é que esses conteúdos também estejam presentes na avaliação das competências previstas para o Enem.
Formato ainda não foi definido
Apesar das mudanças em discussão, o novo modelo do Enem ainda não está fechado. As propostas foram debatidas pelo Inep em reunião realizada em Brasília com educadores de diferentes regiões.
O instituto informou que pretende garantir que, a partir de 2028, o exame avalie o ensino médio de acordo com a BNCC e com a Política Nacional do Ensino Médio. Os detalhes sobre a aplicação das novas regras ainda serão discutidos.
A previsão é que a proposta seja finalizada até o fim de 2026. A implementação das alterações deverá ocorrer gradualmente até 2032, o que significa que a transição para as novas matrizes não será feita de uma só vez.
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Fonte: TVT News