Governo avalia ter virado a página da crise relacionada ao STF
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Integrantes do governo e da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a crise relacionada ao Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu força como fator capaz de alterar significativamente a disputa presidencial e que seu impacto já teria sido, em grande medida, absorvido pelo eleitorado. A estratégia agora é concentrar a reta final da campanha em temas econômicos e sociais, sobretudo no reajuste do Bolsa Família.
A avaliação encontra respaldo parcial na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17). Segundo análise publicada pela colunista Roseann Kennedy, no Estado de S. Paulo, Lula atravessou o período mais turbulento da crise no Supremo sem sinal claro de desgaste adicional nas pesquisas, embora a disputa presidencial permaneça apertada.
Dentro da campanha, a leitura é que o anúncio do reajuste do Bolsa Família conseguiu mudar o eixo do debate público. Monitoramentos internos citados pelo UOL indicaram que, embora STF e Banco Master continuassem presentes nas redes sociais, a discussão passou a incorporar com maior intensidade o aumento do benefício e outros temas diretamente relacionados à eleição.
O governo anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. A medida foi posteriormente considerada pelo STF como compatível com decisão anterior da Corte sobre a atualização de programas de renda básica.
Caso Moraes continua produzindo revelações
A avaliação política de que o impacto eleitoral da crise pode ter sido absorvido não significa, porém, que tenham cessado as revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Neste domingo (20), um vídeo revelado pelo jornal O Globo mostrou Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de uma aeronave operada pela Prime Aviation e anteriormente associada a Vorcaro.
A gravação ganhou repercussão porque o gabinete de Moraes havia afirmado anteriormente que o ministro jamais viajara em aviões de Vorcaro. O escritório Barci de Moraes confirmou que contratava a Prime Aviation para serviços de táxi aéreo, mas afirmou que a escolha das aeronaves cabia à empresa contratada e que Vorcaro não esteve presente nos voos.
A campanha de Lula vinha adotando uma estratégia gradual diante do episódio. Inicialmente, procurou separar a crise no Supremo da eleição e criticou vazamentos seletivos. Posteriormente, diante da repercussão do caso, passou a defender de forma mais enfática que todas as suspeitas fossem investigadas.
Lula também tem procurado estabelecer uma distância institucional entre seu governo e Moraes, lembrando que o ministro foi indicado ao Supremo em 2017 pelo então presidente Michel Temer. Aliados do presidente consideram importante evitar que a crise interna da Corte seja apresentada pelos adversários como uma crise do próprio governo.
A aposta na mudança de pauta
A principal aposta do Planalto é que o eleitor passe a concentrar sua atenção nas questões que afetam diretamente sua vida cotidiana. Além do Bolsa Família, o governo tem colocado no debate propostas relacionadas ao custo de vida, às apostas eletrônicas e à oferta de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde.
Integrantes da campanha avaliam que essas iniciativas permitiram recuperar a capacidade de pautar o debate depois de semanas dominadas pelas revelações envolvendo o STF e o Banco Master.
A suspensão das discussões mais explosivas no próprio Supremo também diminuiu a pressão imediata. Julgamentos relacionados à crise foram adiados e podem voltar à pauta apenas depois das eleições, embora as investigações sobre o caso Master continuem.
A avaliação predominante no governo, portanto, é de que o pior momento político da crise relacionada ao Supremo pode ter ficado para trás. A conclusão ainda será testada pelas próximas pesquisas e pelos novos desdobramentos do caso Master, mas a estratégia de Lula para as semanas finais está definida: reduzir o espaço ocupado pela crise institucional e recolocar renda, programas sociais e custo de vida no centro da campanha.
Fonte: Brasil 247