Lula se une a líderes mundiais e defende reforma da ONU e fortalecimento do multilateralismo

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se uniu a líderes da Europa, da África e da América do Norte para defender o fortalecimento do multilateralismo e uma profunda reforma das instituições internacionais. Em artigo publicado neste domingo (20) pelo Financial Times, Lula, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmam que a cooperação entre os países deixou de ser apenas uma aspiração política e se tornou uma “necessidade prática”.

O texto, publicado às vésperas da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, anuncia a iniciativa Partners for Multilateralism (P4M), ou Parceiros para o Multilateralismo. A proposta é criar uma plataforma aberta a países de diferentes regiões e tradições políticas para defender princípios comuns, construir coalizões e impulsionar reformas do sistema internacional.

“Alguns podem concluir, portanto, que o sistema multilateral falhou. Em parte, essa crítica é compreensível”, afirmam os quatro líderes. Para eles, instituições que não reflitam as atuais relações internacionais dificilmente conseguirão preservar sua legitimidade. Ao mesmo tempo, sustentam que a necessidade de cooperação entre os países permanece incontornável.

Reforma das instituições internacionais

Entre os principais objetivos da nova iniciativa está a reforma da ONU e de outras instituições multilaterais, para que se tornem “mais representativas, legítimas, eficazes e confiáveis”. O P4M também pretende estimular a cooperação entre organizações regionais, contribuir para a paz e a segurança e aprimorar a governança econômica internacional.

A iniciativa não pretende criar um novo bloco geopolítico ou uma estrutura burocrática paralela. Segundo seus idealizadores, a intenção é estabelecer um mecanismo flexível capaz de construir pontes entre países que podem divergir em diferentes questões, mas que compartilham princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.

O diagnóstico apresentado pelos quatro líderes parte de uma contradição da ordem internacional contemporânea: enquanto economias, sociedades e tecnologias estão cada vez mais conectadas, a geopolítica caminha na direção da fragmentação e da polarização. O comércio mundial alcançou US$ 35 trilhões no último ano, enquanto cerca de 6 bilhões de pessoas estão conectadas à internet. Paralelamente, 2025 registrou 65 conflitos armados envolvendo Estados, o maior número desde 1946, e os gastos militares globais chegaram ao recorde de US$ 2,9 trilhões.

Para Lula, Costa, Ruto e Carney, questões como mudanças climáticas, inteligência artificial, pandemias, instabilidade financeira, conflitos e vulnerabilidades das cadeias globais demonstram que nenhum país, independentemente de seu poder econômico ou militar, consegue responder isoladamente aos principais desafios do século 21.

Cooperação em vez da política de força

O manifesto também reafirma princípios como igualdade soberana entre os Estados, integridade territorial, solução pacífica das controvérsias, respeito ao direito internacional, desenvolvimento sustentável e direitos humanos. A tese central é que a soberania nacional não precisa ser enfraquecida pela cooperação internacional e pode, ao contrário, ser exercida por meio da ação coletiva diante de problemas comuns.

A iniciativa será formalmente apresentada nesta segunda-feira (21), em Nova York, durante a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU. O encontro reunirá representantes de diferentes regiões e terá como objetivo ampliar a adesão à plataforma e discutir caminhos para a modernização das instituições multilaterais.

O artigo conclui que a escolha colocada diante da comunidade internacional não é simplesmente preservar ou abandonar a ordem construída após a Segunda Guerra Mundial, mas decidir como adaptá-la às transformações do século 21. Os quatro líderes contrapõem a renovação da cooperação internacional ao avanço da fragmentação, da polarização e da política de poder.

Lula chegou a Nova York neste domingo para participar da Assembleia Geral. Na terça-feira (22), o presidente brasileiro fará o tradicional discurso de abertura do Debate Geral da ONU, no qual o multilateralismo, a reforma da governança internacional e a defesa da soberania deverão estar entre os temas abordados.

Fonte: Brasil 247

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