Morre aos 74 anos a jornalista Sônia Carneiro, referência na cobertura política brasileira
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Morreu em Brasília, aos 74 anos, a jornalista Sônia Carneiro, uma das profissionais que marcaram a cobertura política brasileira nas últimas décadas do século XX. Com uma trajetória ligada especialmente ao Jornal do Brasil e à Rádio Jornal do Brasil, Sônia acompanhou de perto alguns dos acontecimentos mais importantes da redemocratização do País.
A causa da morte e as informações sobre velório e sepultamento não foram divulgadas. Sônia deixa dois filhos, Terence e Danniel Zveiter.
Sua carreira no jornalismo começou em 1971. Ao longo de mais de três décadas no grupo Jornal do Brasil, exerceu diferentes funções e se destacou principalmente como setorista do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, convivendo diariamente com presidentes, ministros, parlamentares e outras figuras centrais da política brasileira.
Testemunha da redemocratização
Sônia esteve presente em algumas das principais coberturas políticas de sua geração. Acompanhou o movimento das Diretas Já, os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, a CPI de PC Farias e o processo que levou ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.
Foi justamente durante o governo Collor que protagonizou um dos episódios mais lembrados de sua carreira. Em uma entrevista coletiva, em meio a rumores que circulavam na época sobre a saúde do presidente, perguntou diretamente a Collor se ele tinha HIV. A pergunta teve grande repercussão e se tornou um dos episódios emblemáticos da relação tensa entre o governo e a imprensa naquele período.
Em 1992, Sônia recebeu o Prêmio Imprensa Estrangeira, concedido pela Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), em reconhecimento ao seu trabalho jornalístico.
Sua atuação se caracterizou pela proximidade com os acontecimentos e pela longa experiência nos corredores do poder em Brasília, em uma época em que o trabalho dos setoristas tinha papel central na apuração cotidiana da política nacional.
Mais de três décadas no Jornal do Brasil
Sônia permaneceu no grupo Jornal do Brasil até 2003, encerrando um ciclo profissional de mais de 30 anos. Depois de deixar o jornal, passou a atuar também na comunicação política e trabalhou como assessora do senador Jaques Wagner (PT-BA), que posteriormente seria governador da Bahia, ministro e chefe da Casa Civil.
A passagem do jornalismo para a assessoria de comunicação manteve Sônia próxima do ambiente político que acompanhara durante praticamente toda a sua vida profissional.
Sua trajetória se confunde com um período decisivo da história brasileira. Das mobilizações pela volta das eleições presidenciais diretas à elaboração da Constituição de 1988 e à primeira deposição de um presidente eleito pelo voto direto após a ditadura militar, Sônia Carneiro esteve na linha de frente da cobertura jornalística em Brasília.
Sua morte encerra a trajetória de uma profissional que atravessou diferentes fases da imprensa brasileira e testemunhou, como repórter, algumas das transformações políticas mais importantes do País.
Fonte: Brasil 247