Galaxy Z Fold 8 vs. Fold 8 Ultra: maior significa melhor? Nós comparamos

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Por Bruno BertonzinCanaltech

A Samsung anunciou, há cerca de dois meses, seus novos celulares dobráveis. A linha que se abre como um livro agora se divide em duas: Galaxy Z Fold 8, com formato de “passaporte” — que eu carinhosamente apelidei de “Foldinho” — e o design tradicional, com o Galaxy Z Fold 8 Ultra. 

Além do visual, há algumas diferenças importantes no papel: câmeras, baterias, telas, configurações. Mas será que tudo isso faz diferença na prática? Eu comparei os dois celulares e agora conto como é a experiência de cada um.

O Fold 8 é melhor quando você só quer usar um celular

Talvez a maior diferença entre os dois apareça justamente quando eles estão fechados. O Galaxy Z Fold 8 é consideravelmente mais agradável para usar com apenas uma mão.

Seu formato permite alcançar ícones do outro lado da tela sem grandes dificuldades e, principalmente, envolver melhor o aparelho com a mão. Isso dá mais controle e deixa o uso prolongado menos cansativo.

O Fold 8 Ultra não é desconfortável por ser pesado. Na verdade, ele ainda parece leve para um aparelho de suas dimensões. O problema é o tamanho, sobretudo na vertical. Alcançar elementos no topo da interface exige mais esforço, e fica mais difícil segurar o celular com firmeza por longos períodos.

Essa diferença também aparece no bolso. O Fold 8 desce mais e praticamente desaparece na calça. O Ultra fica mais perceptível e, dependendo da profundidade do bolso, pode até deixar uma pequena parte para fora.

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espessura não incomodou em nenhum dos dois. O que muda é a sensação de carregar o aparelho. É muito mais fácil esquecer que o Fold 8 está ali.

As dobradiças são bem diferentes

A diferença de tamanho não é a única coisa perceptível ao abrir os aparelhos. As dobradiças também têm comportamentos distintos.

A do Galaxy Z Fold 8 é mais suave e exige menos força durante a abertura. Isso não significa que seja melhor ou pior, mas essa característica traz uma consequência: o aparelho não tem um modo para uso semi-aberto. 

Ao tentar deixá-lo próximo dos 90 graus, falta firmeza para manter aquela posição com a mesma segurança. O Fold 8 Ultra tem uma dobradiça mais resistente ao movimento e fica estável em ângulos intermediários. 

Isso permite o uso do modo Flex, exclusivo do Ultra, que possibilita usar controles de vídeo, por exemplo, no YouTube, com a parte inferior da tela como controlador da mídia e a parte de cima para exibição. 

A tela maior do Ultra mostra mais, mas nem sempre melhor

É fácil olhar para os aparelhos abertos e concluir que o Galaxy Z Fold 8 Ultra necessariamente oferece uma experiência muito superior. Nos testes, não foi bem assim.

Existe uma vantagem óbvia para leitura. Em páginas, documentos e textos, o Ultra consegue colocar várias linhas adicionais na tela. Quando a prioridade é enxergar o máximo possível de informação de uma vez, o espaço extra realmente faz diferença.

Isso também ajuda a entender a proposta do aparelho, já que a própria Samsung destaca a área interna maior como um dos pilares do Ultra.

O problema é que aplicativos não aproveitam todas as proporções da mesma forma.

Reels e TikTok ficam melhores no Fold 8 Ultra

Vídeos verticais são um ótimo exemplo de quando o formato maior funciona.

No Fold 8 Ultra, Reels e TikToks aparecem com faixas pretas acima e abaixo do vídeo. Pode parecer espaço desperdiçado, mas essas áreas acabam servindo para acomodar elementos da interface e legendas.

O resultado é que menos informações ficam sobrepostas à imagem. No Fold 8, esses elementos invadem mais o conteúdo, algo que também acontece em vários smartphones convencionais.

Enfim, a tela maior do Ultra não necessariamente deixa o vídeo muito maior, mas organiza melhor tudo que aparece ao redor dele.

No YouTube, o Fold 8 Ultra praticamente não ganha nada

O YouTube produz um resultado completamente diferente.

Ao assistir a um vídeo tradicional na tela interna, a imagem fica praticamente do mesmo tamanho nos dois celulares. A proporção do conteúdo exige barras pretas, e o espaço adicional do Ultra acaba ocupado principalmente por elas.

Com legendas automáticas, encontrei até uma pequena desvantagem no modelo maior. O texto ocupa bem mais espaço sobre a imagem.

Dar zoom para preencher a tela também não resolve. Nesse caso, o Fold 8 aproveita melhor sua proporção, enquanto o Ultra precisa cortar uma parcela maior do vídeo nas laterais.

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Na tela externa, a situação continua parecida. O tamanho efetivo do vídeo muda pouco, mas o Ultra deixa barras pretas nas laterais. Visualmente, chega a parecer que o Fold 8 exibe uma imagem maior, apesar de as dimensões serem muito próximas.

Filmes e séries repetem essa história

Serviços de streaming também aproveitam pouco a vantagem física do Ultra. Em filmes e séries, encontrei áreas de reprodução muito semelhantes nos dois.

Em uma comparação lado a lado, o Fold 8 chegou a mostrar alguns milímetros a mais de imagem vertical, enquanto a largura permaneceu praticamente igual.

Há ainda uma peculiaridade no Ultra. Na orientação que oferece uma área de vídeo próxima à do Fold 8, a câmera frontal fica dentro da imagem e seu recorte circular aparece sobre o filme ou série. Se inverter o celular para afastar a câmera, o vídeo fica menor.

No Prime Video, também percebi cores claramente mais intensas no Fold 8. Mas não trataria isso como uma superioridade de tela.

Ao abrir a mesma fotografia nos dois aparelhos, as cores ficaram praticamente iguais. A diferença também não apareceu no YouTube. Portanto, o comportamento parece estar relacionado à reprodução naquele cenário específico.

Multitarefa é mais semelhante do que parece

Outro ponto em que eu esperava uma vitória bem mais evidente do Ultra era na multitarefa. Afinal, é justamente nesse tipo de uso que uma tela maior deveria mostrar sua força.

Ela mostra, mas menos do que as dimensões sugerem.

Com dois ou três aplicativos abertos, a experiência é bem parecida. O Fold 8 é mais baixo, mas basta alterar sua orientação para chegar a uma distribuição próxima à oferecida pelo Ultra, embora ainda um pouco mais estreita.

O Ultra continua com mais área absoluta e pode mostrar um pouco mais de informação. Só não é uma diferença que transforma completamente a forma de usar vários aplicativos.

Nos dois, aliás, a tela externa resolve quase tudo. Não senti necessidade de abrir um deles com mais frequência que o outro. A tela interna entrou principalmente quando eu realmente queria mais espaço, como para assistir a vídeos ou trabalhar com vários apps.

A câmera do Ultra é melhor, mas o zoom trouxe uma surpresa

A vantagem mais previsível do Galaxy Z Fold 8 Ultra está na câmera principal. As imagens têm mais resolução e cores ligeiramente mais vivas, sem cair em uma saturação exagerada.

Galaxy Z Fold 8 x Galaxy Z Fold 8 Ultra

Só que o teste de zoom virou a lógica da ficha técnica de cabeça para baixo.

O Galaxy Z Fold 8 Ultra possui câmera telefoto dedicada. O Fold 8 não. Ainda assim, ao comparar fotografias em 3x de objetos, plantas e pessoas, o zoom digital do Fold 8 entregou imagens melhores que a telefoto do Ultra.

O Fold 8 preservou mais detalhes e apresentou cores melhores nas três situações testadas. É um resultado especialmente curioso porque, olhando apenas as especificações, seria natural esperar exatamente o contrário.

Galaxy Z Fold 8 x Galaxy Z Fold 8 Ultra

Em retratos, o Ultra recupera a vantagem

No modo Retrato, a câmera telefoto mostra melhor por que está ali.

O Galaxy Z Fold 8 Ultra permite usar a telefoto em 3x e registrou mais detalhes da pele. O Fold 8 fica limitado a 2x nesse modo.

Por isso, a comparação foi feita em 2x no Fold 8 contra 3x no Ultra. No modelo maior, selecionar 2x ainda mantém a câmera principal em uso, enquanto o 3x é necessário para acionar a telefoto nesse cenário.

Assim, temos uma situação curiosa: no zoom convencional, o Fold 8 surpreendeu e venceu mesmo com ampliação digital. Para retratos, a câmera dedicada do Ultra mostrou uma vantagem concreta.

As selfies externas, por sua vez, são muito parecidas. O Ultra preserva um pouco mais de detalhes quando as fotos são analisadas lado a lado, mas é uma vantagem discreta o suficiente para passar despercebida sem comparação direta.

Galaxy Z Fold 8 x Galaxy Z Fold 8 Ultra

Canhotos podem encontrar um problema inesperado

A ultrawide apresentou qualidade muito semelhante nos dois aparelhos. A diferença mais interessante não apareceu na foto, mas na forma de segurá-los.

Ao fotografar com o Fold 8 na mão esquerda e usar o botão de volume como obturador, meus dedos conseguiram entrar parcialmente no campo da ultrawide. No Ultra, o mesmo problema acontece com o sensor telefoto. 

Isso evidencia uma necessidade urgente de a Samsung reorganizar as câmeras traseiras nas próximas gerações. 

Bateria teve diferença de apenas três pontos percentuais

Como meu período de testes com o Ultra foi muito mais curto, não seria justo comparar quanto cada um dura durante um dia normal. Para bateria, portanto, considerei apenas o teste feito nas mesmas condições.

Deixei os dois aparelhos por quatro horas no mesmo vídeo do YouTube, com a tela externa e nas mesmas condições de reprodução.

O Galaxy Z Fold 8 consumiu 20% da carga, enquanto o Galaxy Z Fold 8 Ultra gastou 23%.

São três pontos percentuais de diferença a favor do Fold 8, mas talvez faça mais diferença ao longo do dia com um uso normal. 

Fold 8 ou Fold 8 Ultra: qual vale mais a pena?

Depois de colocar os dois lado a lado, o que mais me chamou atenção foi perceber que o Galaxy Z Fold 8 Ultra não é simplesmente um Fold 8 melhor. Ele é um Fold com outra proposta.

O Ultra faz mais sentido para quem realmente vai explorar o tamanho adicional. Ele mostra mais conteúdo em textos, organiza muito bem vídeos verticais, oferece modo Flex e tem uma câmera principal superior. Sua telefoto também adiciona uma possibilidade que faz diferença especialmente em retratos.

Só que o tamanho maior acompanha o usuário o tempo inteiro. Ele está presente quando você tenta alcançar o topo da tela com uma mão, quando guarda o aparelho no bolso e até quando simplesmente quer usar o Fold fechado como qualquer outro celular.

É justamente aí que o Galaxy Z Fold 8 me parece mais equilibrado. Ele preserva uma das coisas que mais gostei durante meu período com o aparelho: fechado, é um celular relativamente compacto e muito confortável; quando preciso de espaço, basta abri-lo para ter uma tela de 7,6 polegadas.

O Ultra leva a segunda metade dessa experiência mais longe, mas sacrifica parte da primeira. E os testes de YouTube, streaming e multitarefa mostram que nem todo centímetro adicional de tela se transforma automaticamente em uma experiência melhor.

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Fonte: Canaltech

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