Marca de tênis cancela campanha com fotos que lembravam a Ku Klux Kan e os corpos negros enforcados nas árvores nos EUA
Por CombateRacismoAmbiental — Combate Racismo Ambiental
Tania Pacheco
Protestos internacionais levaram a empresa Converse, da All Star, a cancelar uma (ou duas?) campanha nas quais as fotos de modelos com seus tênis lembravam a Ku Klux Kan e, mais que ela, linchamentos da população negra estadunidense cujos corpos eram posteriormente pendurados em árvores. Corpos que eram deixados para apodrecer, como “frutas estranhas”*.
Na campanha internacional, cuja principal foto pode ser vista acima, a imagem mostra apenas a parte inferior do corpo da modelo Karina, e a iluminação cria um triângulo que desce da saia branca até seus pés calçados, reproduzindo uma imagem que lembra o capuz pontudo descendo sobre a veste branca dos membros da KKK. Como se isso não bastasse, na lateral, o braço da modelo, escurecido, segura um outro par de tênis, esse pendurado, formando o que poderia ser a perna e os pés de um corpo enforcado.
Mas os responsáveis pela publicidade da Converse All Star criaram ainda outra campanha, na Malásia, cuja foto parece ter sido inspirada pelas mesmas avocações envolvidas na primeira. O lançamento foi de outro modelo de tênis, mas a imagem é ainda mais chocante. O cenário é ocupado pelos galhos do que se presume ser uma grande árvore. No primeiro plano, dois homens: um deles, trepado na árvore, olha para cima, para algo que o corte da foto nos impede de ver; o outro, no topo de uma escada, nos olha enquanto segura, com os braços estendidos, os bicos de um par de tênis, único objeto que podemos ver abaixo do corte. Novamente, a posição sugere os pés de um corpo pendurado, e o olhar do segundo modelo se dirige para um espaço inexistente que, se houvesse um prolongamento acima da foto, poderia corresponder à cabeça de uma pessoa enforcada.
Se a campanha protagonizada pela modelo Karina poderia ainda ser defendida por muita gente que nunca ouviu falar da violência racista da KKK, a da Malásia complementou de forma brutal a primeira e tornou muito difícil atribuir a alguma ‘lamentável coincidência’ a afinidade ideológica entre as duas.
A Converse All Star se pronunciou sobre a campanha com a modelo: “Pedimos sinceras desculpas. Entendemos por que essas imagens causaram tanta indignação e reconhecemos nosso erro. Removemos a imagem de todos os canais e plataformas de mídia onde ela apareceu. Isso não deveria ter acontecido e garantimos que faremos melhor no futuro.” As notícias são conflitantes, entretanto, quanto à campanha da Malásia continuar no ar.
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Em tempo: sobre essas “frutas estranhas”, vale retomarmos Billie Holiday e Nina Simone .
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Fonte: Combate Racismo Ambiental