Brasil virar a Argentina, como promete Daniella Marques, interessa ao Brasil?
Por Marco Damiani — Brasil 247
Porta-voz econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques mostrou a chave que pode abrir a porta da vitória em primeiro turno para o presidente Lula. Alguém aí quer que o Brasil vire a Argentina? Essa é a pergunta a ser feita ao eleitorado pela campanha de reeleição. Trata-se de uma questão suprapartidária, acima também da polarização política que tem dividido a sociedade brasileira desde o surgimento do bolsonarismo. A reflexão sobre essa interrogação pode ajudar no convencimento dos eleitores independentes sobre os riscos econômicos embutidos na candidatura Bolsonaro. E, nessa medida, atrair os votos que estão faltando para o presidente escalar para os 50% mais 1 dos votos válidos.
Implantar no Brasil o modelo argentino que produz degradação social em grande escala no Brasil é não apenas o que Daniella deseja, mas, de modo temerário, o que ela jura que irá trabalhar para que aconteça se a extrema-direita, com ela no camarote, vencer a eleição. “Milei é um ótimo exemplo”, saudou a economista no começo da semana.
A política econômica de Milei é cruel e rasteira. Enquanto o governo brasileiro pauta o estímulo à demanda interna, a expansão do crédito e o fortalecimento do mercado de trabalho, a Argentina aplica um modelo ultraliberal focado no choque fiscal, superávit imediato e cortes de programas sociais. Todos os indicadores apontam a redução da pobreza aqui e o aumento lá.
Entre outros resultados, o confronto dos dois modelos gera, no Brasil, o menor desemprego da história e a saída do mapa da fome da ONU, com crescimento do PIB e inflação sob controle. Na Argentina, a pobreza extrema chega a atingir 40% da população da grande Buenos Aires, no coração do país, com a taxa nacional de desocupação entre jovens de até 29 anos chegando a 15%.
Daniella Marques é uma mulher com um perfil à la Margareth Thatcher (1925-2013), a dama de ferro do liberalismo global que derrubou direitos trabalhistas, cortou benefícios sociais e combateu qualquer vestígio de estado de promoção do bem estar da população. A economista escalada por Flávio Bolsonaro para falar em seu nome não terá pudor em sacrificar duramente a população mais vulnerável e a classe média, como faz Milei e Thatcher fez, se chegar ao poder.
Fonte: Brasil 247