Caminhar em subidas queima mais gordura em menos tempo e sem sobrecarregar as articulações

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Por Carlos Emanoel Freires dos SantosCatraca Livre

Caminhar em uma subida transforma um exercício aparentemente simples em um esforço muito mais intenso. Sem precisar correr, o corpo passa a trabalhar contra a gravidade, aumenta a participação de glúteos, panturrilhas e coxas e eleva o gasto energético. É por isso que a caminhada inclinada pode ser uma estratégia eficiente para quem quer aumentar a intensidade sem recorrer a saltos ou corrida. Mas há uma correção importante: subir não significa automaticamente colocar menos carga em todas as articulações. O resultado depende bastante da velocidade e da inclinação escolhidas.

Quadril, joelhos e tornozelos precisam produzir mais trabalho positivo para empurrar o corpo para cima e para a frente.

A inclinação aumenta bastante o gasto energético

Quando o terreno sobe, o corpo precisa produzir mais trabalho para elevar o próprio peso a cada passo. Isso aumenta a demanda metabólica mesmo quando a velocidade permanece relativamente baixa.

Em um estudo com caminhada em esteira a 0%, 5% e 10% de inclinação, o custo metabólico aumentou cerca de 52% na inclinação de 5% e 113% na de 10% em comparação com a caminhada plana na mesma velocidade.

Mais esforço não significa necessariamente andar mais rápido

Esse é um dos principais atrativos da subida. É possível alcançar uma intensidade cardiovascular maior caminhando em velocidade moderada, sem precisar transformar o exercício em corrida.

Isso pode ser interessante para pessoas que preferem manter um padrão de caminhada ou que não se sentem confortáveis correndo, mas ainda querem elevar o esforço em menos tempo.

Glúteos e pernas trabalham mais contra a gravidade

A inclinação muda a mecânica da passada. Quadril, joelhos e tornozelos precisam produzir mais trabalho positivo para empurrar o corpo para cima e para a frente.

Pesquisas biomecânicas mostram aumento do trabalho realizado principalmente por quadril e tornozelo conforme a inclinação cresce. Isso explica por que glúteos e panturrilhas costumam cansar bem mais rápido em uma subida.

A caminhada inclinada pode ser mais confortável que correr

Como não há fase de voo nem aterrissagens típicas da corrida, caminhar continua sendo uma atividade de menor impacto nesse sentido. Além disso, uma estratégia específica parece especialmente interessante: andar mais devagar em uma subida moderada.

Em adultos com obesidade, pesquisadores encontraram que caminhar lentamente em uma inclinação de 6 graus reduziu momentos articulares no joelho e a taxa de carregamento em comparação com caminhar mais rápido em terreno plano, mantendo um estímulo cardiovascular de intensidade moderada.

Subir não reduz a carga de todas as articulações

A ideia de que a caminhada em subida “não sobrecarrega as articulações” precisa ser usada com cuidado. Quando velocidade e inclinação são mantidas altas, a exigência mecânica também aumenta.

Um estudo que comparou diferentes inclinações mostrou que caminhar morro acima elevou as forças de compressão no quadril, joelho e tornozelo conforme a inclinação aumentava. Portanto, o benefício articular aparece principalmente quando a pessoa usa a subida para reduzir a velocidade mantendo a intensidade, e não simplesmente quando aumenta a inclinação ao máximo.

A expressão “queimar mais gordura” precisa de contexto

Quanto maior a intensidade, maior tende a ser o gasto energético por minuto. Isso pode contribuir para redução de gordura corporal ao longo do tempo quando faz parte de uma rotina consistente e de um balanço energético adequado.

Mas não existe uma inclinação específica que faça o organismo retirar gordura de uma determinada região. Caminhar em subida aumenta o custo do exercício, não produz perda localizada de gordura.

Quadril, joelhos e tornozelos precisam produzir mais trabalho positivo para empurrar o corpo para cima e para a frente.

Uma inclinação moderada já faz diferença

Não é necessário colocar a esteira no máximo. Inclinações relativamente pequenas já aumentam bastante o custo metabólico.

  • comece com 3% a 5% de inclinação;
  • mantenha uma velocidade em que ainda consiga controlar a passada;
  • aumente a inclinação antes de tentar acelerar demais;
  • evite se pendurar nas barras da esteira;
  • reduza a inclinação se houver dor ou perda de técnica.

À medida que o condicionamento melhora, a inclinação ou o tempo podem crescer gradualmente.

A descida também merece atenção

Caminhar para baixo não é simplesmente a versão fácil da subida. A musculatura precisa frear o corpo a cada passo, aumentando o trabalho excêntrico.

Estudos mostram que descidas podem aumentar a carga em algumas estruturas do joelho, incluindo forças patelofemorais e tibiofemorais. Por isso, quem faz trilhas ou caminhadas em morros precisa considerar também o caminho de volta, não apenas a subida.

O ganho está em conseguir mais intensidade sem precisar correr

A principal vantagem da caminhada inclinada é aumentar bastante o gasto energético mantendo o exercício no formato de caminhada. Isso permite elevar frequência cardíaca e participação muscular em menos tempo do que uma caminhada plana lenta.

O cuidado está em não interpretar “baixo impacto” como “sem carga”. Uma subida moderada, combinada com velocidade confortável, pode ser uma estratégia muito eficiente. Inclinações extremas, porém, aumentam tanto o esforço muscular quanto as forças articulares. O melhor resultado costuma vir de uma progressão gradual, e não de colocar a esteira no máximo desde o primeiro treino.

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Fonte: Catraca Livre

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