Quarto mandato Lulista: fim do austericídio neoliberal para enfrentar a guerra de Trump
Por César Fonseca — Brasil 247
O presidente Lula decidiu, nas últimas semanas, confrontar a onda neoliberal, impregnada, de forma disfarçada, na sua equipe econômica; ultimamente, os guardiães das contas públicas estavam, segundo avaliação do chefe de governo, com discurso enviesado, exagerando em defesa de cortes de gastos públicos, alinhados demais à orientação da Faria Lima.
Por isso, nos discursos de palanque, para enfrentar seu adversário de viés neoliberal fascista, senador Flávio Bolsonaro, do PL, ele começou a criticar a bancocracia, os juros muito altos e aquilo que eles provocam: freio no desenvolvimento, na criação de emprego e renda.
O esfriamento econômico, forçado pelo austericídio fiscal neoliberal, produz desequilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, gera pressão inflacionária, prejudicial aos salários, barrando produção e consumo; na verdade, a causa principal dos juros altos é a escorchante taxa de juros, cujo custo insuportável é repassado aos preços.
Lula chegou a dizer, no Paraná, que a obsessão econômica com superavit primário – receita superior à despesa como meta principal, para favorecer banqueiro – é uma babaquice.
Na quinta-feira, diante da crise do judiciário que ameaça envolvê-lo, sem razão alguma, pois não tem nada a ver com as fraudes do Banco Vorcaro, que ele mandou fechar, bateu na mesa e virou o noticiário negativo: reajustou em 15% o Bolsa Família, que estava congelado há três anos.
A reação do presidente mereceu aplauso geral da sociedade, menos, é claro, da mídia corporativa conservadora; todos estão cansados do modelo neoliberal para o qual bate palma apenas o poder midiático; este produziu uma unanimidade negativa: tanto os assalariados, como os empresários, estão esgotados, endividados; trabalham, trabalham, trabalham e veem seu esforço para o desenvolvimento do país escorrer pelo ralo; são favorecidos, somente, os rentistas e os especuladores.
GUERRA TRUMPISTA APROFUNDA NEOLIBERALISMO
O mal estar disseminado de que o país está economicamente andando para trás encheu as tampas dos trabalhadores que geram a riqueza nacional; especialmente, essa consciência cresce, quando se percebe que a política internacional dos Estados Unidos está impondo sacrifício insuportável a todos os continentes, e aos brasileiros e latino-americanos em particular.
Diante da irracionalidade renitente do capitalismo americano, que insiste em expandir guerra, benéfica, somente, à indústria armamentista, enquanto o resto do mundo se obriga aos ajustes fiscais neoliberais como arma, altamente, controversa para combater os efeitos que ela provoca, a situação dos trabalhadores piora.
Não há caso mais patente, à vista de todos, que o resultado negativo do estado de guerra, gerado pelo imperador Trump: pressão inflacionária; seus efeitos sinalizam recessão econômica inevitável cantada em prosa e verso, aprofundando pobreza e desigualdade social em escala global.
Trump eleva os gastos do seu governo em guerra, mas exige austeridade de todo o resto; todos têm que economizar, forçadamente, sob austeridade fiscal, a fim de transferir renda da periferia para o centro capitalista imperialista.
Lula está demonstrando, claramente, que a paciência esgotou e se transforma, por isso, na esperança latino-americana para superar esse ciclo econômico destrutivo, na busca do seu quarto mandato, que objetiva, principalmente, contribuir para barrar a guerra trumpista.
Mantida a guerra trumpista, não haverá crescimento econômico na América Latina, ameaçada pelo fascismo.
Por essa razão, a sucessão presidencial, no Brasil, virou uma guerra de Trump contra o povo brasileiro, dada a disposição do imperador americano de tentar levar à vitória a qualquer custo do candidato do fascismo: o senador Flávio Bolsonaro.
MODELO ESGOTADO
Sustentar o modelo neoliberal, especialmente, por parte das economias capitalistas periféricas, como as latino-americanas, tem custo insuportável para os governos democraticamente eleitos e, consequentemente, para as democracias regionais, que vão descambando para o regime fascista, a fim de se alinharem, obrigatoriamente, aos interesses do império americano.
A estratégia imperialista, agora, é percebida com extrema claridade, porque ela joga todo mundo no mesmo barco furado que está afundando no mar da crise da economia de guerra, benéfica, apenas, aos falcões da guerra e aos rentistas que se enriquecem com esse estado de coisas catastrófico.
O discurso guerreiro trumpista objetiva horizonte que não interessa a ninguém, salvo os produtores de armas, ancorados, nesse momento, na Doutrina Monroe, revigorada por Donald Trump, como escudo provocador, especialmente, na América Latina.
O continente sul-americano, por conta da guerra trumpista, tornou-se escravo do neoliberalismo de guerra, a exigir, politicamente, a supremacia da ultradireita, para ser sustentado; eis, portanto, a razão do engajamento de Washington, para eleger, no Brasil, o fantoche do fascismo trumpista: o senador Flávio.
Trump faz de tudo para capturar o governo nacionalista lulista em suas garras, a fim de destruí-lo e abrir espaço para sua cobiça sem fim, determinada a roubar as riquezas dos povos desarmados.
O imperador virou não apenas maior inimigo dos povos dos cinco continentes, mas, especialmente, do próprio povo americano; por essa razão, tenta calar os críticos, censurando os meios de comunicação, ameaçando, prendendo e aprofundando receitas econômicas neoliberais; com elas, transfe riquezas aos Estados Unidos, enquanto aprofunda pobreza na periferia do capitalismo em crise de realização de lucros.
LULA NA ONU: ESPERANÇA LATINO-AMERICANA
Como Lula se transformou no maior crítico do imperador, virou seu alvo principal, o que contribui para elevar, cada vez mais, o prestígio do presidente brasileiro no palco internacional.
Na próxima semana, na ONU, o presidente brasileiro deve brilhar, novamente, porque não tem outra coisa a ressaltar senão o mal que Trump está provocando para a humanidade, ao insistir em guerras, em agressões imperialistas, como a que reitera, nesse final de semana, para tomar conta, na marra, da Groenlândia.
Evidentemente, seu interesse se volta para o petróleo e riquezas minerais estratégicas daquela ilha gelada de propriedade dos dinamarqueses, mas que tem valor geopolítico por ser ponto de encontro, no norte global, das principais potencias internacionais; certamente, Lula, ao condenar a agressividade trumpista, vai se conjugar com os interesses que estão ameaçados pelo ditador norte-americano.
Nesse momento, a estratégia de política externa brasileira tornou-se continuidade obrigatória da estratégia interna, desenvolvimentista, porque o desenvolvimento nacional está sendo duramente afetado pela política externa trumpista, como acontece com os demais países.
Nesse sentido, o presidente brasileiro se transforma na esperança dos povos, especialmente dos latino-americanos, contra a onda trumpista que ameaça levar a América Latina ao caos sob o tação da Doutrina Monroe.
Fonte: Brasil 247