Disjuntor do chuveiro vive caindo? Não aumente a amperagem antes de ler isto
Por João Melo — Canaltech
Dia com temperaturas mais amenas, banho com água quente e, de repente, o chuveiro desliga junto com o disjuntor. Muitas pessoas já passaram por essa situação e, quando isso começa a acontecer com frequência, a solução parece ser simples: trocar a peça por outra de maior amperagem para evitar novos desarmes.
A questão é que essa mudança, quando feita sem avaliar o restante da instalação, pode aumentar o risco de novos problemas em vez de resolver a causa. Isso se deve ao fato de o disjuntor existir justamente para interromper o circuito em situações como sobrecarga e curto-circuito.
Por isso, um dispositivo de proteção que desarma repetidamente deve ser encarado como um sinal de que o circuito precisa ser verificado. A Enel, distribuidora de energia elétrica que atua em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, cita sobrecarga, equipamentos com defeito e fiação mal dimensionada entre as possíveis causas.
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Por que o disjuntor do chuveiro fica caindo?
Os chuveiros elétricos estão entre os equipamentos de maior potência de uma residência e exigem uma instalação compatível com essa demanda. Se o aparelho foi trocado por um modelo mais potente sem a readequação do circuito como um todo, a corrente exigida também pode aumentar.
A relação entre potência, tensão e corrente ajuda a entender esse cenário. Em um cálculo simplificado para esse tipo de carga, a corrente pode ser estimada dividindo a potência pela tensão: um chuveiro de 7.500 W ligado em 220 V, por exemplo, demanda cerca de 34 A.
Isso não significa, no entanto, que basta escolher um disjuntor imediatamente acima desse valor para solucionar a situação. O dimensionamento também precisa considerar a seção dos cabos (popularmente conhecida como bitola) a maneira como a fiação foi instalada, a distância do circuito e outras características da instalação.
A Lorenzetti, por exemplo, indica para alguns de seus chuveiros de 7.500 W em 220 V cabos de 6 mm² e disjuntor de 40 A. A empresa também alerta que distâncias maiores entre o quadro de distribuição e o chuveiro podem exigir condutores com seção diferente.
Além do dimensionamento inadequado, outros problemas podem estar por trás dos desarmes frequentes:
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Conexões frouxas ou inadequadas, que podem provocar aquecimento;
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Fiação antiga, deteriorada ou incompatível com a potência do aparelho;
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Defeito no próprio chuveiro ou em componentes do circuito;
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Curto-circuito ou sobrecarga na instalação;
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Falha ou desgaste do próprio disjuntor.
Por isso, o comportamento do chuveiro até ajuda a identificar que existe um problema, mas não permite concluir sozinho qual peça precisa ser substituída. O diagnóstico ideal precisa considerar o circuito como um todo.
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Posso apenas colocar um disjuntor mais forte no chuveiro?
Essa não é a atitude recomendada caso não haja a confirmação de que toda a instalação foi dimensionada para essa corrente. É necessário entender que, se um circuito protegido por um disjuntor de 40 A recebe simplesmente uma peça de 50 A, por exemplo, os cabos não passam automaticamente a suportar uma corrente maior.
O risco é permitir que a fiação trabalhe acima da capacidade para a qual foi projetada antes que a proteção interrompa o circuito. Isso pode favorecer o superaquecimento dos condutores, a deterioração do isolamento dos fios e, em casos mais extremos, incêndios.
Para mitigar esses riscos, é recomendado que chuveiros tenham fiação corretamente dimensionada, disjuntor exclusivo compatível com a potência do aparelho e aterramento adequado.
Há ainda sinais que exigem atenção dos moradores, como cheiro de queimado, escurecimento ou derretimento de componentes e aquecimento excessivo no quadro elétrico. Desarmes que voltam a acontecer logo depois que o disjuntor é religado também indicam que a causa precisa ser investigada.
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O que fazer se o disjuntor continuar caindo?
Se o disjuntor do chuveiro elétrico de casa desarma com certa frequência, a solução não é escolher uma amperagem maior até que ele pare de cair. O correto é identificar por que o dispositivo de proteção está sendo acionado e verificar chuveiro, cabos, conexões e demais componentes do circuito antes de qualquer alteração.
Também não é recomendável religar o disjuntor repetidas vezes sem investigar a origem do problema. Ao identificar sinais como cheiro de queimado, aquecimento anormal e marcas de derretimento, o uso do chuveiro deve ser interrompido até que a instalação seja avaliada.
Aqui, vale ressaltar que a recomendação do Ministério de Minas e Energia (MME) é contar com um profissional qualificado para realizar instalações, reparos e manutenções elétricas. No caso do chuveiro, um eletricista pode conferir se potência e tensão são compatíveis com o circuito, além de avaliar a bitola e o estado dos cabos, as conexões e os dispositivos de proteção.
Além da experiência técnica, o profissional também conta com instrumentos adequados para realizar medições e identificar problemas. Com isso, é possível corrigir a causa dos desarmes sem transformar uma solução aparentemente simples em uma nova dor de cabeça.
Outra questão frequentemente associada ao chuveiro elétrico é o impacto na conta de luz. Pensando nisso, o Canaltech reuniu 4 soluções para reduzir os gastos relacionados ao equipamento.
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Fonte: Canaltech