Campanha de Lula mobiliza militância com tarefas diárias nas redes

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a mobilização de apoiadores nas redes sociais e passou a distribuir tarefas diárias para ampliar a divulgação de realizações do governo e estimular conversas com eleitores ainda indecisos.

As chamadas “missões” começaram a ser enviadas diariamente em aplicativos de mensagens no último dia 7. O movimento ocorre em meio ao acirramento da disputa presidencial e à melhora de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.

As orientações incluem o compartilhamento de conteúdos preparados pela campanha, a defesa de programas sociais e propostas do governo e mensagens críticas a Flávio e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

Na sexta-feira (18), uma das ações concentrou-se no Bolsa Família, após o reajuste de 15,04% no valor dos benefícios. A mensagem enviada aos apoiadores associava a continuidade do programa à disputa eleitoral.

“Já pensou como seria o mês de uma família sem o Bolsa Família? Imagina perder esse direito. Imagina o risco de eleger a família Bolsonaro e colocar esse direito em jogo”, dizia a mensagem divulgada no grupo Zap do Lula.

Na sequência, a campanha pediu que os apoiadores ampliassem a circulação do conteúdo: “Não basta você saber. Converse! Faça essa mensagem chegar a mais gente. Compartilhe e vote 13.”

Foco nos eleitores indecisos

A tentativa de ampliar o diálogo fora da base petista aparece de forma recorrente nas mensagens. Em uma missão enviada no dia 9, apoiadores foram orientados a procurar diretamente uma pessoa ainda sem candidato definido.

“Lula é soberania, futuro e defesa do povo brasileiro! Missão de hoje: Fale com 1 pessoa indecisa sobre a importância de Lula. Escolha um conteúdo e compartilhe agora nas redes e nos grupos. Cada conversa conta. Cada compartilhamento multiplica!”, dizia o material.

A campanha mantém pelo menos quatro canais de distribuição de conteúdo pelo WhatsApp: Lulaverso, Zap do Lula, Pode Espalhar e Porta-Voz do Lula. O material distribuído pode variar entre os grupos, mas a estratégia é semelhante: transformar apoiadores em multiplicadores das mensagens eleitorais.

Coordenadores petistas ouvidos pelo Estadão avaliam que o formato diário acrescenta um senso de urgência à mobilização e busca estimular uma participação mais ativa da militância na reta final do primeiro turno.

Boulos cobra campanha “voto a voto”

Criado em junho, o Porta-Voz do Lula tem como objetivo fazer com que apoiadores atuem como “microinfluenciadores” em círculos familiares, profissionais e sociais. A iniciativa é comandada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

No dia 11, Boulos usou o canal para pedir uma postura mais ativa da militância diante das pesquisas.

“Tá na hora de levantar da cadeira e ir para a ofensiva. Se alguém ainda estava achando que a eleição estava ganha, já percebeu pelas últimas pesquisas que essa campanha vai ser voto a voto. Eleição não se ganha parada nem com salto alto. Eleição se ganha dialogando com os indecisos e enfrentando os adversários”, afirmou.

Além da busca pelos indecisos, segurança pública e soberania nacional estão entre os assuntos mais explorados nas missões. De acordo com o levantamento do jornal, segurança pública foi tema de cinco ações distribuídas entre os quatro canais, enquanto soberania apareceu em três.

Em uma das mensagens sobre segurança, a campanha destacou propostas de Lula voltadas à integração das forças policiais e ao uso de inteligência contra o crime.

“Faltam apenas 23 dias pras eleições e a segurança pública é um tema que preocupa todo mundo. Lula tem propostas concretas pra enfrentar a violência: integração, estratégia e inteligência pra combater o crime da esquina ao andar de cima! A missão de hoje é espalhar essa mensagem! Assista ao vídeo, compartilhe e converse com mais pessoas. Tem lugares onde só você pode chegar!”, dizia o texto enviado pelo Pode Espalhar.

Crise no STF também entra na estratégia

A mobilização digital também passou a incorporar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Segundo o Estadão, dirigentes petistas decidiram abrir uma frente crítica a André Mendonça, enquanto Lula procura concentrar sua própria comunicação em propostas de governo e em uma agenda voltada a um eventual quarto mandato.

Integrantes do governo próximos ao presidente relacionam parte do desgaste eleitoral recente à crise no tribunal. Essa avaliação é atribuída aos interlocutores ouvidos pelo jornal e não constitui uma conclusão independente sobre as causas das oscilações nas pesquisas.

O ambiente no STF se tornou um dos principais componentes políticos da campanha depois da divulgação de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado por suspeitas de fraude contra o sistema financeiro.

Na terça-feira (15), uma sessão marcada por divergências entre ministros terminou sem decisão sobre a possível abertura de investigação envolvendo Moraes, após o julgamento ser adiado.

Com a proximidade do primeiro turno, a campanha de Lula tenta separar as frentes: enquanto dirigentes e militantes assumem parte do confronto político nas redes, o presidente busca apresentar propostas, destacar programas do governo e ampliar a interlocução direta com eleitores ainda não definidos.

Fonte: Brasil 247

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