Datafolha mostra que, para 34%, há mais chance de votar em candidato ao Senado que apoia impeachment no STF
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – A defesa do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aumenta a possibilidade de escolha de um candidato ao Senado para 34% dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18). O levantamento mostra que 31% reagem no sentido contrário e dizem que essa posição diminui a chance de voto, enquanto 30% afirmam que o tema não interfere na decisão. Outros 5% não souberam responder.
A Folha e a TV Globo encomendaram o levantamento. O resultado aparece em meio à repercussão política do caso Banco Master e das discussões envolvendo integrantes do STF.
O Datafolha também mediu em outro recorte o peso desses acontecimentos sobre a eleição presidencial: 47% afirmaram que a crise no Supremo e o caso Master terão alguma influência na escolha para presidente, enquanto 49% disseram que não haverá impacto e 4% não souberam responder.
Na pergunta sobre o Senado, o instituto apresentou aos entrevistados a seguinte questão: “o fato de um candidato ao Senado ser a favor do impeachment de ministros do STF aumenta, não muda ou diminui as chances de você votar nele?”
Os resultados gerais mostram:
- Aumenta a chance de voto: 34%
- Diminui a chance de voto: 31%
- Não muda a decisão: 30%
- Não sabe: 5%
Os percentuais deixam os dois primeiros grupos próximos dentro da margem de erro geral da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento, portanto, registra uma divisão do eleitorado sobre o efeito eleitoral da defesa de processos contra integrantes do Supremo.
Eleitores de Flávio e Lula respondem de formas diferentes
O Datafolha também separou as respostas de acordo com a preferência na disputa presidencial. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 49% dizem que a defesa do impeachment aumenta a chance de voto em um candidato ao Senado. Entre aqueles que declaram voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 23% dão a mesma resposta.
O levantamento também aponta que 36% dos eleitores de Lula dizem que uma posição favorável ao impeachment reduz a possibilidade de escolher o candidato ao Senado. Os recortes mostram diferenças entre grupos eleitorais, mas não permitem transformar a resposta sobre esse tema isolado em uma previsão do voto efetivo para senador.
Senado julga ministros por crimes de responsabilidade
A posição dos candidatos ao Senado ganha relevância institucional porque a Constituição atribui exclusivamente à Casa o poder de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A Constituição estabelece essa competência no artigo 52, inciso II.
O Senado esclarece que a Constituição não emprega expressamente o termo “impeachment de ministro do STF”, mas a Lei nº 1.079, de 1950, define os crimes de responsabilidade aplicáveis aos integrantes da Corte e estabelece o procedimento para denúncias. A legislação permite que cidadãos apresentem representações ao Senado.
Por essa razão, a composição da Casa pode interferir diretamente na tramitação e no julgamento de processos dessa natureza.
Eleição renovará dois terços do Senado
A votação de 2026 terá uma característica que amplia o peso da disputa para o Senado. O eleitor escolherá dois candidatos diferentes, já que 54 das 81 cadeiras da Casa — dois terços do total — entrarão em renovação. Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois representantes pelo sistema majoritário.
O mandato de senador dura oito anos. Neste pleito, os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação ocuparão as vagas. O TSE orienta o eleitor a registrar dois votos para pessoas diferentes na urna eletrônica.
Caso Master e crise no STF também entram no voto presidencial
O Datafolha perguntou ainda se a crise envolvendo o Supremo e os desdobramentos do caso Banco Master influenciam a escolha para presidente.
Para 36%, esses acontecimentos exercerão grande influência sobre o voto. Outros 11% apontam pequena influência. Somados, os dois grupos chegam a 47%. Já 49% dizem que os episódios não terão influência, enquanto 4% não souberam responder.
O instituto também registrou nesta rodada aumento da desconfiança em relação ao STF. A parcela que declara não confiar na Corte chegou a 48%, ante 43% em março, maior percentual da série iniciada em 2012.
A pesquisa sobre o efeito eleitoral do impeachment integra o levantamento Datafolha registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026. A Folha de S.Paulo informa que, nesse recorte, o instituto ouviu 2.001 eleitores em 125 municípios, entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro geral alcança dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Fonte: Brasil 247