86% dos brasileiros apoiam uso de IA na segurança pública, aponta Quaest

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – A inteligência artificial encontra amplo apoio entre os brasileiros quando aplicada à segurança pública. Pesquisa nacional da Quaest, realizada em parceria com a Pax, mostra que 86% da população é favorável ao uso dessas ferramentas no setor, enquanto aplicações específicas, como câmeras inteligentes para localizar desaparecidos e identificar veículos roubados ou foragidos, alcançam índices de aprovação superiores a 90%.

O levantamento foi realizado entre 12 e 15 de setembro, com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa associa a elevada receptividade à tecnologia a um cenário de forte preocupação com a criminalidade. Para 28% dos entrevistados, a violência é atualmente o maior problema enfrentado pelo Brasil. Corrupção aparece em segundo lugar, com 22%, seguida por economia, com 19%, e saúde, com 15%.

A percepção de deterioração da segurança é ainda mais disseminada: 70% dizem que a violência “aumentou muito” nos últimos dois anos. Outros 9% consideram que houve algum aumento, enquanto 15% avaliam que a situação permaneceu igual. Apenas 5% percebem algum grau de redução.

Entre aqueles que dizem ter ocorrido aumento da violência, 73% atribuem a percepção simultaneamente ao crescimento do número de crimes e ao fato de os delitos terem ficado mais violentos. Outros 14% apontam apenas o aumento da quantidade de crimes e 12%, somente o agravamento da violência dos delitos.

Apoio à IA chega a 86%

Questionados diretamente sobre a utilização de ferramentas de inteligência artificial na segurança pública, 60% dos brasileiros se declararam “totalmente favoráveis” e 26%, “mais favoráveis que contrários”. Somadas, as duas respostas levam o apoio a 86%. Apenas 9% adotaram posições contrárias, enquanto 2% ficaram neutros e 3% não souberam ou não responderam.

A aceitação cresce quando os entrevistados são apresentados a aplicações concretas. O maior índice, de 97%, é registrado para câmeras com IA destinadas a ajudar na localização de pessoas desaparecidas. O uso para identificar veículos roubados ou empregados em crimes e para encontrar foragidos da Justiça é aprovado por 96% dos entrevistados.

O reconhecimento facial com IA em locais de grande circulação, como estádios e áreas comerciais, recebe aprovação de 91%. Já a aplicação de inteligência artificial na proteção das fronteiras e no combate a facções criminosas alcança 90% em cada caso.

Os números mostram ainda que a receptividade à tecnologia atravessa diferentes segmentos da população. No caso das câmeras destinadas à localização de desaparecidos, por exemplo, a aprovação chega a 99% entre pessoas de 16 a 34 anos, 98% entre aquelas de 35 a 59 anos e 96% entre quem tem 60 anos ou mais.

Câmeras e educação aparecem entre soluções mais aceitas

Quando a Quaest apresentou aos entrevistados uma série de medidas e perguntou se elas seriam formas efetivas de melhorar a segurança pública, duas propostas empataram no topo: oferecer melhor educação e mais oportunidades aos jovens e utilizar câmeras de monitoramento integradas à IA e ao trabalho policial, ambas com concordância de 93%.

Em seguida aparecem leis mais rígidas para punir criminosos, com 92%; investimento em inteligência e maior emprego de tecnologia entre as forças policiais, com 90%; e mais policiamento nas ruas, também com 90%. Ações duras contra facções, como megaoperações em comunidades, obtêm 80%, enquanto a criação de um Ministério da Segurança Pública registra 78%.

A restrição do acesso da população a armas de fogo é a alternativa com menor concordância entre as medidas apresentadas, embora ainda obtenha apoio de 58% dos entrevistados.

“A pesquisa confirma a preocupação atual dos brasileiros com a segurança pública, ressalta a busca por soluções, e demonstra a abertura dos brasileiros ao uso de tecnologia na segurança”, avalia Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião da Quaest.

“Segurança pública é um problema complexo, que não se resolve de forma isolada. A tecnologia contribui quando potencializa a ação policial, tornando o trabalho mais rápido, preciso e efetivo. A IA traz uma nova chance para atacarmos o maior problema do país – e a pesquisa mostra que os brasileiros não querem que os governos deixem essa oportunidade passar”, afirma David Peixoto, cofundador e CEO da Pax.

Avaliação das forças de segurança

O levantamento também mediu a avaliação de diferentes instituições na área. A Polícia Militar dos estados recebe 45% de avaliação positiva, enquanto a Polícia Federal alcança 44% e as polícias civis, 41%. Prefeituras aparecem com 39% e governos estaduais, com 34%.

O governo federal registra 26% de avaliação positiva, 34% regular e 36% negativa. O Judiciário/Justiça tem 23% de avaliações positivas, 38% regulares e 35% negativas.

A avaliação do trabalho policial varia de acordo com a atividade. A captura de foragidos da Justiça tem saldo positivo de dez pontos, com 38% de avaliação positiva e 28% negativa. Investigação e esclarecimento de crimes aparecem em seguida, com 36% de avaliações positivas e 27% negativas.

Na outra ponta, o combate às facções criminosas reúne 27% de avaliação positiva e 43% negativa, o pior saldo entre os itens pesquisados. A rapidez para atender quando a polícia é chamada recebe 30% de avaliação positiva e 38% negativa. No combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, são 32% de avaliações positivas ante 39% negativas.

Tecnologia é vista como capaz de reforçar trabalho policial

A pesquisa aprofundou a avaliação das câmeras conectadas a sistemas de IA, perguntando se elas poderiam ajudar ou atrapalhar diferentes tarefas policiais. Os percentuais de entrevistados que enxergam contribuição da tecnologia ficam acima de 90% em todos os 13 itens avaliados.

Para 96%, essas ferramentas podem ajudar no patrulhamento e na prevenção de crimes. Outros 95% enxergam contribuição no combate a roubos e furtos, no enfrentamento a crimes violentos, na recuperação de bens roubados e na busca de desaparecidos.

Na investigação e no esclarecimento de crimes e na melhora da velocidade de resposta da polícia, o índice é de 93%. Mesmo no combate às facções criminosas, justamente a área pior avaliada no desempenho policial, 92% consideram que câmeras associadas à IA podem ajudar.

Há, contudo, uma diferença entre a elevada aprovação abstrata das ferramentas e o conhecimento de políticas públicas já existentes. Quando perguntados espontaneamente se lembravam de alguma política de segurança que utilizasse IA, 79% responderam que não. O Smart Sampa, programa da cidade de São Paulo, foi mencionado por 2%.

Risco de identificação errada lidera preocupações

A adesão à inteligência artificial não elimina preocupações sobre o emprego da tecnologia. Entre os entrevistados contrários ao seu uso, o principal motivo citado é a possibilidade de erros ou de identificação injusta de pessoas, com 16%.

A dúvida sobre a eficácia da IA para melhorar a segurança aparece em seguida, com 15%, enquanto invasão de privacidade e vigilância sobre pessoas registra 12%. Falta de confiança na inteligência artificial ou na tecnologia é citada por 10%, e o risco de manipulação, invasão ou vazamento de dados, por 8%. Outros 5% temem uso abusivo pelo Estado.

Ao perguntar em qual área a tecnologia poderia ajudar mais, o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher ocupa a primeira posição, mencionado por 15% dos entrevistados. Combate às facções criminosas aparece com 10%, enquanto combate a roubos e furtos recebe 8%.

Fonte: Brasil 247

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