Com Tarcísio e Cleitinho, Republicanos pode emergir como grande força da eleição nos estados
Por Beto Bombig — JOTA
Enquanto Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) seguem firmes na liderança das principais pesquisas que abordam a eleição para presidente, o Centrão caminha para ampliar seu domínio do Executivo nos estados. O bloco formado por partidos como PSD, MDB, Republicanos, Avante, PSDB e os federados União-PP, entre outros, deve sair das urnas neste ano como o grande vencedor das disputas regionais.
De acordo com as mais recentes pesquisas, o Centrão está bastante competitivo nas disputas pelo Executivo nos 26 estados e no Distrito Federal, enquanto o PT está em apenas três (BA, CE e PI), e o PL, em sete (RS, SC, PR, MT, RN, RO e RR). Ou seja, mesmo se tudo der certo para os partidos da polarização (PT e PL), o Brasil provavelmente terá um representante do poderoso bloco parlamentar no comando de 14 unidades da Federação.
Esse cenário confirma que a força parlamentar do Centrão no Congresso, com sua capacidade de intermediar a redistribuição dos recursos federais e controlar o Orçamento, especialmente por meio das emendas, está desequilibrando o jogo eleitoral nos estados, altamente dependentes da União.
Republicanos, a força emergente
Muito bem posicionado, segundo as pesquisas, nos dois maiores colégios eleitorais do país, o Republicanos , comandado por Marcos Pereira, pode sair desta eleição bem maior do que entrou. Em 2022, o partido elegeu dois governadores, em São Paulo e no Tocantins.
Neste ano, o Republicanos está na frente em São Paulo, com Tarcísio de Freitas, e em Minas Gerais, com Cleitinho Azevedo. Juntos, esses dois estados concentram quase 30% da população brasileira.

De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, Cleitinho mantém a liderança com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Patrus Ananias (PT), com 13%, e Alexandre Kalil (PDT), com 11%. Outro dado importante é que o candidato do Republicanos tem apenas 15% de rejeição, enquanto o petista, por exemplo, tem 30%.
O Republicanos tem boas chances ainda no Acre, com Alan Rick, no Espírito Santo, com Lorenzo Pazolini e no Mato Grosso, com Otaviano Pivetta. Se for reeleito, Tarcísio manterá seu posto de presidenciável para 2030, ainda mais se a vitória for em primeiro turno, como indicam as pesquisas, pois o atual governador, segundo o Datafolha, tem 49% das intenções de voto.
PSD permanece bem posicionado
O PSD, presidido por Gilberto Kassab e que tem Ronaldo Caiado como candidato a presidente, mantém boas chances de vencer a eleição no Amapá (Dr. Furlan), Amazonas (Omar Aziz), Distrito Federal (José Roberto Arruda), Maranhão (Eduardo Braide), Pernambuco (Raquel Lyra), Rio de Janeiro (Eduardo Paes), Rondônia (Adailton Fúria) e Sergipe (Fábio Mitidieri).
No Paraná, Sandro Alex enfrenta uma disputa dura com Sergio Moro (PL) e, se chegar ao segundo turno, aumentará a possibilidade de manter o partido no comando do estado.
No cenário traçado por Kassab, o PSD se consolidará nesta eleição como uma grande força no comando dos estados, entre eles, o segundo maior colégio eleitoral do país, o Rio. Mais ainda: Eduardo Paes, se eleito for, será automaticamente apontado como presidenciável para 2030, mantendo vivo o sonho de criar uma “terceira via” nacional relevante.
No entanto, é importante lembrar que o PSD deixará o comando do Rio Grande do Sul, onde Eduardo Leite não pôde concorrer à reeleição, e Mateus Simões vai mal na tentativa de se reeleger em Minas.
MDB, o inventor da fórmula
Considerado uma espécie de inventor da fórmula de privilegiar as disputas regionais em detrimento da luta pelo Planalto, o MDB depende de vitórias em Alagoas (Renan Filho), Espírito Santo (Ricardo Ferraço), Goiás (Daniel Vilela), Maranhão (Orleans Brandão), Pará (Hana Ghassan) e Rio Grande do Sul (Gabriel Souza), para manter seu peso na federação. Em todos esses estados, as chances do partido são boas.
União-PP luta para permanecer relevante
Os federados União Brasil e Progressistas possuem candidatos com boas chances no Acre (Mailza Assis), Bahia (ACM Neto), Distrito Federal (Celina Leão), Mato Grosso do Sul (Eduardo Riedel), Paraíba (Lucas Ribeiro) e Rio Grande do Norte (Allyson Bezerra).
Se vencer na Bahia, o quarto maior colégio eleitoral do país e onde ACM Neto tem aparecido na liderança das pesquisas, a dupla União-PP manterá sua relevância na federação, já que a reeleição de Riedel é dada como certa.
Veteranos do PSDB e a polarização
Outrora a principal força de oposição ao PT, o PSDB aposta, principalmente, em dois veteranos ex-governadores para recuperar importância e espaço. No Ceará, Ciro Gomes lidera as pesquisas junto com Elmano de Freitas (PT). Em Goiás, Marconi Perillo tenta levar a disputa para o segundo turno.
Os tucanos apostam ainda em João Henrique Caldas, o JHC, que nas mais recentes pesquisas aparece em empate técnico com Renan Filho em Alagoas.
Além do Ceará, os petistas e seus aliados mais fiéis se mostram competitivos na Bahia, onde Jerônimo Rodrigues (PT) segue colado em ACM Neto; no Piauí, onde o governador Rafael Fonteles (PT) caminha para uma reeleição em primeiro turno ; em Pernambuco, com João Campos (PSB) empatado tecnicamente com Raquel Lyra; e no Rio Grande do Sul, com Juliana Brizola (PDT) dividindo as primeiras posições com Luciano Zucco (PL).
Na outra ponta do espectro político-eleitoral, além do Rio Grande do Sul, o PL lidera com folga em Santa Catarina (Jorginho Mello), no Paraná (Sergio Moro), Rondônia (Marcos Rogério), e Roraima (Arthur Henrique).
Fonte: JOTA