Homenagens a Amelinha Teles destacam seu legado em defesa da democracia e das mulheres
Por germana accioly — Partido dos Trabalhadores
FILIAR É UM ATO DE LUTA.
O Partido dos Trabalhadores nasceu da coragem de quem nunca aceitou a injustiça como destino.
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Referência na luta contra a ditadura, ativista atuou no Jornal Brasil Mulher, no Lobby do Batom e criou o projeto Promotoras Legais Populares
Da Rede PT de Comunicação
Publicado em 18/09/2026 às 13h51
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O Brasil despediu-se, na terça-feira, 15 de setembro, de uma de suas mais corajosas ativistas da luta pelos direitos humanos e pela emancipação feminina. A jornalista e escritora Maria Amélia de Almeida Teles, carinhosamente conhecida como Amelinha Teles, faleceu aos 81 anos na capital paulista. De militante do partido comunista a prisioneira política durante a ditadura militar, Amelinha, que recebeu da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) o título de doutora honoris causa, sempre foi coerente com suas lutas e seus princípios.
Na redemocratização, sua atuação na imprensa lilás com o histórico Jornal Brasil Mulher e sua participação ativa no “Lobby do Batom” durante a Assembleia Constituinte asseguraram avanços históricos para os direitos das mulheres na Constituição de 1988. Teve uma relação estreita e colaborativa com o Partido dos Trabalhadores, integrando, ainda, o Núcleo de Acompanhamento de Políticas Públicas da Fundação Perseu Abramo, onde contribuiu para o desenvolvimento de diretrizes voltadas às pautas de gênero e reparação de crimes de Estado.
Além de sua forte participação em comissões de mortos e desaparecidos e na Comissão da Verdade de São Paulo, ela transformou a realidade das periferias ao fundar a União de Mulheres de São Paulo, em 1981, e idealizar, em 1994, o projeto das Promotoras Legais Populares (PLPs), consolidando o feminismo como uma verdadeira ferramenta de emancipação popular.
A partida de Amelinha Teles provocou uma onda de homenagens entre lideranças progressistas, que destacaram a importância histórica de sua trajetória e seu compromisso incansável com a democracia, os direitos humanos e a autonomia das mulheres. As manifestações também reforçaram a necessidade de preservar sua memória e manter viva sua história, sendo exemplo para futuras gerações.
A ex-presidenta da República Dilma Rousseff lamentou em suas redes sociais a morte da ativista, que classificou como uma referência na luta contra a ditadura brasileira.
“Amelinha Teles deixa um exemplo imenso de coragem, coerência e dignidade. Jamais abriu mão de seus princípios, jamais abandonou suas lutas e nunca permitiu que o silêncio encobrisse as violências do passado.”
Já a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) destacou a força inabalável da trajetória da ativista. “Amelinha enfrentou a violência da ditadura, a tortura e o autoritarismo sem permitir que lhe tirassem a voz. E fez dessa voz uma ferramenta de luta pela democracia, pela memória e, especialmente, pelos direitos das mulheres.”
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) lembrou o legado da ativista, declarando que “sua trajetória permanece como testemunho daquilo que o Brasil não pode esquecer nem permitir que se repita”.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforçou o compromisso com a continuidade de suas pautas. “Devemos muito a ela e seguiremos sua luta por mais democracia, por um mundo melhor, com justiça social e livre de preconceitos”.
Mazé Morais, secretária nacional de Mulheres do PT, ressaltou o papel transformador da ativista nas bases da sociedade, ressaltando a sua capacidade de resistência e luta pela democracia.
“Amelinha Teles não apenas resistiu ao período mais sombrio da nossa história, mas trouxe o direito e a dignidade humana para os braços das mulheres da periferia. O projeto das Promotoras Legais Populares é a prova de que ela enxergava o feminismo como uma ferramenta de emancipação popular. Seguiremos honrando seu nome em cada canto deste país, organizando as mulheres e defendendo a democracia popular pela qual ela tanto se sacrificou.”
Nascida em Contagem, Minas Gerais, em 6 de outubro de 1944, Amelinha despertou para a militância inspirada pelo pai comunista. Aos 19 anos, dividia seus dias entre o trabalho no escritório de uma siderúrgica em Belo Horizonte e as noites como voluntária em favelas. Sua primeira grande paixão ativista foi alfabetizar jovens e adultos utilizando o método de Paulo Freire, uma experiência que definia como o despertar definitivo de sua consciência social.
O golpe militar de 1964 a empurrou para a linha de frente da resistência. Ela viveu na clandestinidade com o companheiro, César Teles, atuando na imprensa clandestina para denunciar os arbítrios do regime. Em 28 de dezembro de 1972, foi sequestrada por agentes da repressão junto com o marido e sua irmã grávida, Criméia. Nas masmorras da Operação Bandeirantes (Oban) e do DOI-CODI paulista, foi submetida a bárbaras sessões de tortura física e violência sexual. Em um dos atos de maior crueldade da ditadura, seus filhos pequenos, Edson e Janaína, de apenas 4 e 5 anos, também foram capturados e levados para ver os pais desfigurados por choques elétricos. No local, ela ainda testemunhou o assassinato do dirigente do PCdoB, Carlos Nicolau Danielli.
Durante o período em que esteve presa Amelinha fez da escrita “um ato revolucionário” contra o esquecimento. Os manuscritos que deram origem ao seu livro Contos da Cela Três foram concebidos secretamente em minúsculos pedaços de papel enquanto ela ainda estava presa, driblando a vigilância para serem contrabandeados para fora do presídio.
Décadas mais tarde, moveu uma histórica ação declaratória que resultou, em 2008, no reconhecimento oficial do então major Carlos Alberto Brilhante Ustra como o primeiro torturador do regime militar pela Justiça brasileira.
Da Redação do Elas por Elas.
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Fonte: Partido dos Trabalhadores