Ministro do STJ Benedito Gonçalves disse a Vorcaro estar “sempre à disposição”

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – Mensagens de texto extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apontam para uma relação de proximidade e cordialidade entre ele e um número de telefone pertencente ao ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e atual corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Benedito Gonçalves, informa a Folha de São Paulo. Nos diálogos registrados, os dois se tratavam como amigos, trocavam felicitações, combinavam encontros na capital federal e utilizavam expressões de afeto e apoio mútuo.

O histórico das conversas revela interações ao longo do ano de 2024. Em 17 de maio daquele ano, após um evento, o ministro Benedito Gonçalves enviou uma mensagem a Vorcaro dizendo: “Boa noite feliz em rever o amigo. Festa bonita! Parabéns! Ab Benedito”. Em resposta, o ex-banqueiro retribuiu com “Caro amigo” e “Obrigado pelo carinho”, propondo em seguida um novo compromisso: “Vamos marcar o charuto em Brasília”.

A interlocução teve continuidade nos meses seguintes. Em 2 de julho de 2024, Vorcaro voltou a contatar o magistrado, tratando-o como “grande amigo” e sugerindo uma reunião na capital federal assim que o ministro retornasse de uma viagem ao Rio de Janeiro. “Grande amigo tudo bem? Vamos marcar encontro em Brasília no seu retorno do Rio!”, escreveu o ex-banqueiro. Benedito Gonçalves respondeu informando que chegaria no dia 29 e que ligaria na sequência, complementando com a frase: “E aqui sempre à disposição”. No mesmo dia, o integrante do STJ enviou uma imagem decorativa (figurinha) representando um aperto de mãos com os dizeres “Tamo junto sempre”.

Além da troca de mensagens, o levantamento aponta que o ministro Benedito Gonçalves participou de um evento custeado por Vorcaro em Londres, realizado em abril de 2024. Na mesma época, o magistrado também esteve presente em uma sessão de degustação do uísque Macallan voltada a autoridades, também promovida pelo ex-banqueiro. No STJ, Gonçalves declarou-se impedido de julgar causas ligadas ao Banco Master no primeiro semestre deste ano.

Procurado pela Folha de São Paulo por meio das assessorias de imprensa do STJ e do CNJ às 13h15 de terça-feira (15), via aplicativo WhatsApp, o ministro não se pronunciou até a publicação dos dados.

Desdobramentos no STF e na Corregedoria do CNJ

A divulgação das mensagens ocorre em meio a discussões no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a sessão de terça-feira (15), que analisava a possibilidade de abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes em razão de trocas de mensagens com Daniel Vorcaro, o ministro Flávio Dino sugeriu formalmente a notificação de todos os magistrados de tribunais superiores que fossem citados em documentos relacionados ao Banco Master.

O material completo do celular de Vorcaro foi entregue pela Polícia Federal (PF) aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes na segunda-feira (14). A solicitação do conteúdo foi fundamentada pela necessidade de subsidiar a análise sobre as interações entre Moraes e o ex-banqueiro. Relatórios da PF publicados pela imprensa também indicam contatos de Vorcaro com um instituto fundado pelo ministro André Mendonça e com filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Atualmente, Benedito Gonçalves exerce o mandato de corregedor nacional de Justiça, cargo que ocupará até 2028, tendo sucedido o ministro Mauro Campbell Marques, que assumiu a vice-presidência do STJ. O órgão de correição do CNJ detém a atribuição de receber denúncias e reclamações contra juízes, além de instaurar sindicâncias, inspeções e correições diante de suspeitas de infrações graves.

Em seu discurso de posse na Corregedoria, o magistrado declarou pretender unir diálogo e rigor técnico, ressaltando as diretrizes de “orientar antes de sancionar” e “prevenir antes de reprimir”, sem tolerar descumprimentos das normas da magistratura. Ele evitou abordar pontos debatidos no meio jurídico, tais como o limite para pagamentos de supersalários, a regulamentação da presença de juízes em eventos privados e eventuais desvios de conduta na magistratura.

Fonte: Brasil 247

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