Redes, bordados e cachaça de Pernambuco avançam rumo à Indicação Geográfica
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Três produtos tradicionais de Pernambuco passaram a integrar uma estratégia voltada à obtenção do reconhecimento como Indicação Geográfica (IG): as redes produzidas em Tacaratu, o bordado manual de Passira e a cachaça pernambucana. A iniciativa prevê investimento de R$ 660 mil nas etapas de diagnóstico e preparação dos processos que poderão ser encaminhados ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Segundo a Agência Sebrae de Notícias, o trabalho é conduzido pelo Sebrae Pernambuco em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe) e busca identificar produtos cuja reputação, qualidade ou características estejam diretamente relacionadas ao território onde são produzidos.
A entrada dos três itens amplia para 19 o número de produtos pernambucanos incluídos na estratégia de valorização de identidades produtivas regionais. O projeto foi iniciado em 2025 e reúne atividades de diferentes regiões e segmentos econômicos do estado.
Tradição associada ao território
Os novos produtos incorporados ao projeto têm forte vínculo histórico e cultural com suas regiões de origem.
Em Passira, o bordado manual é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco, e o município recebeu o título de Capital Nacional do Bordado Manual.
Tacaratu, por sua vez, construiu parte de sua identidade econômica em torno da produção de redes, atividade que envolve diferentes etapas da cadeia produtiva local.
A cachaça pernambucana também mantém uma relação histórica com o território. A produção da bebida está ligada ao cultivo da cana-de-açúcar no estado e possui registros que remontam ao século XVI.
“A inclusão desses três produtos nesse projeto amplia a diversidade de riquezas locais que podem ser valorizadas e reconhecidas a partir de sua origem”, afirmou o superintendente do Sebrae Pernambuco, Murilo Guerra.
Segundo ele, o reconhecimento pode ter efeitos econômicos sobre os produtores envolvidos.
“A Indicação Geográfica pode fortalecer cadeias produtivas, ampliar a competitividade dos pequenos negócios e gerar novas oportunidades de mercado, sem deixar de preservar os saberes e as tradições que tornam cada produto único. É uma forma de transformar as vocações dos nossos territórios em desenvolvimento e geração de renda”, declarou.
Processo ainda passa por avaliação
A inclusão na estratégia não significa que os produtos já tenham obtido a Indicação Geográfica. O primeiro passo será a realização de um diagnóstico para verificar se cada atividade reúne as condições necessárias para avançar no processo de reconhecimento.
Os produtos considerados viáveis seguirão para uma fase de estruturação, que inclui a organização da governança entre os produtores, a criação ou consolidação de entidades representativas e a preparação da documentação exigida.
Entre os documentos previstos está o Caderno de Especificações Técnicas, responsável por estabelecer características do produto, critérios de qualidade, delimitações e regras destinadas à preservação dos modos de produção associados ao território.
A diretora-presidente da Adepe, Roberta Andrade, afirmou que o trabalho busca ampliar a projeção econômica e cultural dos produtos pernambucanos.
“Pernambuco é um estado rico e diverso. O bordado de Passira, as redes de Tacaratu e as nossas cachaças são exemplos de riquezas que já recebem esse olhar, por meio da Fenearte, da Loja Bebidas de Pernambuco e tantas outras iniciativas. Estamos, junto ao Sebrae, tomando a frente para abrir caminhos, dar visibilidade e levar a identidade de Pernambuco cada vez mais longe”, disse.
Indicação Geográfica pode diferenciar produção local
A Indicação Geográfica é utilizada para identificar produtos ou serviços associados a determinada região, seja pela reputação consolidada ao longo do tempo, seja por características relacionadas ao ambiente, à tradição ou aos métodos de produção locais.
No caso dos produtos pernambucanos, a estratégia busca transformar esse vínculo territorial em um instrumento de diferenciação no mercado, ao mesmo tempo em que procura preservar técnicas, conhecimentos e práticas transmitidos entre gerações.
Os demais produtos já incluídos no projeto estão em diferentes fases de avaliação e estruturação para eventual pedido de reconhecimento junto ao INPI.
Fonte: Brasil 247