Morango cravejado mostra como um produto viral vira negócio de verdade
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Pedidos do doce cresceram mais de mil vezes em dias no delivery, e especialista explica como calcular custo e preço antes de repetir a receita
O morango cravejado virou um caso de estudo sobre o poder do viral no delivery. Em 11 dias, os pedidos do doce em um aplicativo de entregas cresceram 1.053 vezes, com pico registrado no fim de agosto de 2026.
Além dos pedidos, a busca pelo termo também disparou. Dados do Google Trends mostram alta de 5.000% no interesse por “morango cravejado” em uma semana. No iFood, entre 25 e 26 de agosto, os pedidos avançaram 111% e o número de unidades subiu 113%.
O fenômeno não é isolado. Em 2025, o morango do amor seguiu padrão parecido: os pedidos no delivery saltaram de 11 mil em junho para 275 mil em julho, alta superior a 2.300%.
Para quem trabalha com confeitaria, esses números representam oportunidade e risco ao mesmo tempo. A velocidade da viralização cobra velocidade de decisão: entrar em uma tendência pode atrair consumidores novos e mover as vendas, mas o entusiasmo pede uma conta mínima de viabilidade antes do lançamento.
Jonatas Fróes, gerente de comunicação da Harald, resume o dilema: “lançar rapidamente permite aproveitar o momento de entusiasmo e curiosidade do consumidor antes que a novidade se torne saturada”. Segundo ele, “velocidade não pode significar improviso. É importante entender o custo da receita, o rendimento, a capacidade de produção e o preço que o consumidor está disposto a pagar”.
A precificação carrega o maior risco do processo. O valor de venda não pode considerar somente ingredientes como chocolate, leite condensado e frutas.
Também entram na conta perdas de produção, rendimento da receita, mão de obra, energia, embalagem, taxas de plataforma e margem de lucro. Ignorar qualquer um desses itens compromete o resultado final, mesmo com vendas em alta.
No caso do morango cravejado, essa atenção pesa ainda mais porque o preço muda muito de um estabelecimento para outro. Levantamentos sobre a tendência encontraram unidades entre R$ 13 e R$ 30, a depender de receita, apresentação e ponto de venda.
Jonatas explica: “uma mesma receita pode ter preços diferentes de acordo com a região, o público e a proposta do negócio. Por isso, olhar apenas para o preço do concorrente pode ser um erro. O confeiteiro precisa conhecer os próprios custos e entender qual valor faz sentido para o posicionamento do produto”.
O tamanho do setor ajuda a medir o tamanho da oportunidade. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o segmento reúne mais de 330 mil empresas e movimentou R$ 164,12 bilhões em 2025. Acompanhar mudanças no comportamento do consumidor pode abrir novas frentes de venda para esse universo de negócios.
Para Jonatas, o desafio vai além de prever a próxima receita viral: “é fundamental conseguir identificar quais tendências podem gerar mais vendas, margem e relacionamento com o consumidor”.
O morango cravejado pode perder espaço para a próxima novidade das redes sociais, mas a lição, segundo Fróes, resiste ao tempo: “em um mercado cada vez mais influenciado pela velocidade das tendências, transformar viralização em resultado será sempre o grande desafio. Isso significa criatividade para lançar e disciplina para fazer conta em qualquer receita viral”.
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Fonte: Carta Capital