PT: Flávio Bolsonaro ignora os que mais precisam
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O programa oficial de governo do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) não apresenta à população brasileira qualquer política pública voltada às crianças, às mulheres e às pessoas em situação de vulnerabilidade social, acusa texto publicado pelo PT nesta sexta-feira (18). Com 76 páginas, o documento omite, segundo o partido, o combate à fome e à pobreza, além do acesso público à educação, em tom que destoa das propostas apresentadas pelo presidente Lula (PT) para um quarto mandato.
A peça orçamentária e social do candidato do PL sinaliza a intenção de copiar o programa econômico adotado na Argentina pelo presidente Javier Milei, modelo que levou a população daquele país a um cenário de profunda crise social. No texto do programa de Flávio Bolsonaro não há nenhuma menção ao Bolsa Família. Em contraposição, o presidente Lula anunciou o reajuste de 15% no piso do programa de transferência de renda, que passará de R$ 600 para R$ 691.
A proposta de Flávio também não faz referências à política de valorização do salário mínimo acima da taxa de inflação, diretriz mantida por Lula para garantir o poder de compra das famílias. O texto de Flávio Bolsonaro e sua equipe econômica não assume o compromisso com o reajuste ganho real. Durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o mínimo não teve aumento acima da inflação, fator que contribuiu para que Lula encontrasse, ao assumir em 2023, 33 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave.
O plano do parlamentar fluminense também desconsidera a continuidade de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pé-de-Meia, auxílio financeiro que atualmente beneficia 7 milhões de estudantes do ensino médio para evitar a evasão escolar e reforçar a renda familiar. Lula já anunciou a intenção de estender o Pé-de-Meia a todos os alunos da rede pública de ensino, além de assumir a meta de universalizar a educação em tempo integral e apresentar um planejamento estratégico para o setor cobrindo os próximos 10 anos.
Foco em punição versus proteção integral
No que diz respeito à infância e à juventude, as propostas de Flávio Bolsonaro limitam-se a medidas punitivas no âmbito do combate à criminalidade, sem vincular a educação ao desenvolvimento futuro. Em sentido oposto, o plano do PT elenca ações diretas de amparo, como a aprovação da legislação que criou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) digital, os investimentos em creches por meio do Novo PAC e a retomada das campanhas de vacinação.
“Estamos comprometidos com a proteção das crianças e de suas infâncias, do que são exemplo as medidas que implantamos, como os benefícios especiais do Bolsa Família para crianças e adolescentes, a proibição de celular nas escolas, os investimentos na construção de creches e pré-escolas por meio do Novo PAC, a expansão da educação em tempo integral, a retomada e fortalecimento do programa de vacinação, e o ECA digital”, detalha o texto do programa de governo de Lula. O documento ressalta ainda que a gestão prosseguirá “buscando ampliar e fortalecer as políticas para nossas crianças, por meio do enfrentamento da pobreza infantil, da garantia de acesso às políticas públicas e do direito ao brincar”.
Políticas estruturantes para as mulheres
No pilar de proteção e garantia de direitos das mulheres, o plano petista destaca a consolidação do Pacto Nacional contra o Feminicídio e a sanção da Lei nº 14.611, que determina a igualdade salarial entre homens e mulheres. As metas projetadas incluem o encerramento das obras de 30 Casas da Mulher Brasileira, a expansão de salas lilás em órgãos públicos para acolhimento de vítimas de violência, a oferta de métodos contraceptivos modernos no Sistema Único de Saúde (SUS), o fortalecimento do planejamento reprodutivo e a criação de novas oportunidades econômicas.
Por outro lado, a principal sugestão de Flávio Bolsonaro para o público feminino consiste na disponibilização do aplicativo de inteligência artificial “ClarIA”, voltado ao agendamento de exames e ao acompanhamento de medidas protetivas. Durante a transmissão ao vivo de apresentação da ferramenta, o próprio candidato ironizou ao declarar: “Não virei feministo”.
A iniciativa do candidato do PL foi criticada por especialistas. Em avaliação ao Jornal Nexo, a doutora em Ciência Política e pesquisadora da Universidade de Edimburgo, Larissa Peixoto Vale Gomes, ponderou a insuficiência do projeto: “É como se a inteligência artificial fosse a solução dos problemas. A mulher não precisa de uma amiga virtual. Precisa de creche universal, legalização do aborto, contraceptivo, transporte público, segurança”.
Fonte: Brasil 247