Organizações populares na América Central denunciam piora das condições de vida e exigem justiça no aniversário da Independência
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – El Salvador comemorou na segunda-feira (14) os 205 anos da Independência Pátria, recordando a assinatura da Ata de Independência da América Central, em 1821. A jornada ocorreu com o tradicional Desfile da Independência pelas principais avenidas da capital.
Ao mesmo tempo, a data foi aproveitada por organizações populares da região para dar visibilidade às suas reivindicações no espaço público, inserindo a efeméride em um contexto de defesa de direitos e de questionamento ao atual modelo socioeconômico.
Maricela Ramirez, integrante do Bloco de Resistência Nacional e Rebeldia Popular, expressou durante a jornada a reivindicação por justiça, paz e dignidade para o povo, situando a celebração em um contexto de defesa de direitos.
Ela também denunciou os problemas enfrentados pelos setores populares, a deterioração das condições materiais de vida da população e do sistema político e democrático, além de afirmar que o governo tem disseminado o medo por meio de políticas que supostamente combatem a criminalidade, mas que acabam reproduzindo o silenciamento das vozes que denunciam a falta de democracia.
Na Guatemala, as festividades patrióticas incluíram desfiles escolares, atos oficiais e cerimônias em todo o território nacional. A data também serviu para refletir sobre como a história é representada em um país multiétnico, multilíngue e multicultural.
Segundo informou a correspondente da teleSUR, Rolanda García, as celebrações em instituições de ensino destacaram a participação de grupos de danças ancestrais, além do hasteamento da bandeira e do juramento à bandeira.
Nas comunidades rurais, no entanto, a jornada também se transformou em um espaço de troca e de questionamento sobre qual independência está sendo celebrada e quem se vê representado na narrativa histórica oficial.
Em Honduras, por sua vez, o contexto da comemoração foi marcado por reivindicações sociais e econômicas.
O Partido Libre convocou a população a sair às ruas para refletir sobre a data. Karin Duarte, correspondente da teleSUR, afirmou que o povo hondurenho questiona atualmente qual independência está sendo celebrada, em meio a denúncias sobre o alto custo de vida, agravado pelos recentes aumentos nos preços do diesel e da gasolina.
Trata-se de um problema comum aos povos da região e que representa uma das consequências, para o Sul Global, da crise energética provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz — ponto por onde transitava um quarto do comércio mundial de hidrocarbonetos —, acrescentando uma nova camada de complexidade às celebrações tradicionais.
Fonte: Brasil 247