ACM Neto é considerado pela PF principal elo em fraudes na Overclean
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A Polícia Federal aponta o ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) como o principal investigado em uma frente da Operação Overclean que apura suspeitas de direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos da Educação de Belo Horizonte. Ao menos três contratos sob investigação ultrapassam, juntos, R$ 80 milhões. As informações foram divulgadas inicialmente pela CNN Brasil, em reportagem do jornalista Elijonas Maia.
Os investigadores suspeitam que ACM Neto tenha indicado Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador, para comandar a mesma pasta na capital mineira e, a partir do cargo, favorecer empresários investigados pela PF.
Durante a gestão de Barral em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Educação firmou três contratos com empresas ligadas ao empresário Alex Parente, por intermédio de José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”. Os acordos somam cerca de R$ 80 milhões, mas a PF apura outras contratações que podem ampliar o valor investigado.
A investigação busca esclarecer se houve influência política sobre indicações e contratações públicas e se essas relações resultaram em vantagens ilícitas. Segundo o UOL, a representação da PF destacou centenas de contatos entre ACM Neto e Marcos Moura, inclusive em um dia em que o empresário estaria operacionalizando uma remessa de R$ 5 milhões em dinheiro vivo.
A Folha de S.Paulo também informou sobre a frequência das comunicações entre o candidato e o empresário. O jornal noticiou ainda que a PF pediu autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto, mas a diligência foi rejeitada pelo ministro Kassio Nunes Marques, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal.
A negativa contrariou a posição da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral Paulo Gonet havia se manifestado favoravelmente à adoção das medidas solicitadas pelos investigadores. Segundo informações publicadas pelo Brasil 247, a PGR avaliou que as diligências poderiam contribuir para aprofundar a apuração e delimitar as condutas dos envolvidos.
O pedido da Polícia Federal havia sido apresentado em janeiro. De acordo com reportagem publicada pelo UOL a partir de informações do Estadão, Nunes Marques autorizou apenas nas últimas semanas a décima fase da Overclean, mas retirou ACM Neto do alcance dos mandados. Segundo informações divulgadas sobre a decisão, o ministro considerou não haver base legal suficiente para autorizar a busca contra o candidato.
A decisão relacionada a ACM Neto permanece sob sigilo, segundo a CNN Brasil. A emissora informou que procurou o gabinete de Nunes Marques, mas não havia recebido resposta até a atualização da reportagem.
ACM Neto nega envolvimento
ACM Neto rejeitou as suspeitas e afirmou que a divulgação das informações às vésperas da eleição teria objetivo político.
“Fica cada vez mais clara a tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento”, declarou o candidato.
Em outra manifestação, Neto afirmou que a proximidade do primeiro turno reforçaria, em sua avaliação, a hipótese de interferência na disputa eleitoral.
“Agora, faltando apenas duas semanas para a eleição, isso se mostra ainda mais evidente. Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na eleição da Bahia”, disse.
A negativa das buscas, segundo o candidato, demonstraria a “completa e total inconsistência” das suspeitas levantadas contra ele.
Décima fase da Overclean
A décima fase da Operação Overclean foi deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (17) para investigar suspeitas de atuação de uma organização criminosa em contratos da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte firmados entre 2024 e 2025.
Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Bruno Barral, Marcos Moura e Alex Parente estão entre os alvos da operação.
De acordo com a PF, são investigados indícios de direcionamento de procedimentos para a contratação de serviços e o fornecimento de materiais didáticos. Ao menos três processos resultaram em contratos superiores a R$ 80 milhões, enquanto outras contratações seguem sob análise.
A Overclean foi deflagrada originalmente em dezembro de 2024 e passou a investigar suspeitas de fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. Em outras frentes da operação, a Polícia Federal já investigou contratos relacionados a emendas parlamentares e ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
Barral havia ocupado a Secretaria de Educação de Salvador durante a gestão de ACM Neto antes de assumir o cargo em Belo Horizonte. Em 2020, ao encerrar seu segundo mandato como prefeito da capital baiana, ACM Neto chegou a classificar Barral como uma das “revelações do nosso time”.
Fonte: Brasil 247