Defesa de Vorcaro apresenta novo pedido a Fachin para revogar prisão preventiva

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro encaminha nesta sexta-feira (18) ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), um novo pedido de revogação de sua prisão preventiva. Vorcaro está custodiado há 198 dias, e a medida busca reverter a detenção decretada no âmbito das investigações do caso Master, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Este é o segundo requerimento formal apresentado para tentar libertar o ex-banqueiro desde a sua prisão, ocorrida em 4 de março. O primeiro pedido de soltura foi submetido à Justiça em junho, mas acabou sendo negado pelo ministro André Mendonça, que exercia a relatoria do caso Master à época. Como a relatoria do processo mudou de mãos e passou a ser assumida pelo ministro Edson Fachin, caberá agora ao novo relator apreciar a solicitação.

A petição da defesa fundamenta-se nas determinações do Código de Processo Penal, que estabelece a obrigatoriedade de revisão da necessidade da custódia cautelar a cada 90 dias. Por essa regra, cabe ao próprio juiz ou órgão julgador que determinou a prisão reavaliar periodicamente se os motivos que justificaram a preventiva ainda se mantêm hígidos. No dia 31 de agosto, a prisão de Vorcaro completou o marco de 180 dias no cárcere. Caso o ministro Edson Fachin opte por indefirir a revogação da prisão preventiva, os advogados de defesa já adiantaram que pretendem recorrer da decisão para levar o julgamento do pedido ao plenário do STF.

O novo recurso para reverter a prisão chega em um momento considerado desfavorável para a estratégia do ex-banqueiro. A avaliação decorre do desgaste gerado por uma articulação conduzida por outro advogado de sua equipe, Daniel Bialski, referente a um depoimento prestado por Vorcaro no dia 27 de agosto. A oitiva foi realizada nas instalações conhecidas como “Papudinha” e conduzida por um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, quando este ainda respondia pela relatoria do processo.

Durante o depoimento prestado à equipe do Supremo, Vorcaro declarou que vinha sendo vítima de “graves intimidações, ameaças e torturas psicológicas” praticadas por agentes da Polícia Federal ao longo dos seus traslados. No mesmo depoimento, o ex-banqueiro direcionou acusações ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apontando-o como o responsável por travar e paralisar as negociações de seu acordo de delação premiada.

De acordo com as declarações dadas por Vorcaro, os delegados da Polícia Federal estariam se recusando a ouvir seus relatos por saberem que as revelações pretendidas envolveriam e comprometeriam diretamente o chefe da instituição policial. Ademais, o ex-banqueiro sustentou de forma genérica que sua intenção com o acordo de colaboração era delatar integrantes do governo do presidente Lula (PT).

No entanto, o movimento e o teor das declarações foram interpretados nos bastidores judiciais como uma tentativa de agradar ao então relator André Mendonça, que atravessava um período de atrito com Andrei Rodrigues. O depoimento de Vorcaro acabou avaliado como raso, desprovido de consistência e com efeito desastroso, levando a credibilidade do ex-banqueiro a atingir patamares inéditos de desgaste perante as autoridades.

Fonte: Brasil 247

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