Ricardo aciona “tropa de choque” de prefeitos e começa a centrar fogo em Pazolini

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Publicado em 18 de Setembro de 2026 às 05:00

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A campanha ao Governo do Estado, não nego, vem sendo até
aqui meio morna, carente de vibração e de mais fortes emoções. Mas… nada de novo no front? Não exatamente. A novidade nesta
semana é a visível mudança de estratégia no QG de Ricardo Ferraço (MDB). Na TV
e nas redes sociais, a campanha do governador passou a fazer pontaria em um
alvo muito bem definido: seu principal adversário de acordo com a última pesquisa Quaest para a Rede Gazeta,
o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Rep).

“Ex-prefeito de Vitória”… O cerne da estratégia em questão
é exatamente esse.

Até aqui, a linha-mestra da campanha de Pazolini tem sido
prometer expandir para o Estado, nos 78 municípios, o que ele fez de melhor em
Vitória de janeiro de 2021 a março deste ano.

Ricardo, por sua vez, passou a enfatizar o que o Governo do
Estado (leia-se ele e Casagrande) “não conseguiu fazer em Vitória”, isto é, o que o Estado poderia ter feito e gostaria de ter feito, mas não teve condições de executar nos últimos anos,
segundo ele, por vontade unilateral da Prefeitura de Vitória (leia-se
Pazolini).

Em outras palavras, até demorou um pouco, mas a animosidade
política entre Prefeitura de Vitória e Palácio Anchieta, um cabo de guerra
permanente testemunhado pelo povo capixaba nos últimos seis anos, finalmente explodiu
na telinha do celular e na telona da TV, para quem quiser desfrutar.

Ao mesmo tempo, Ricardo acionou a sua “tropa de choque” de
prefeitos da Grande Vitória, levando-os em bloco para o horário eleitoral.

No último programa do atual governador, exibido na quarta-feira
(16), apresentaram-se, um atrás do outro, os prefeitos de Viana, Wanderson
Bueno (Podemos), um dos coordenadores do plano de governo de Ricardo; de Vila
Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB); da Serra, Weverson Meireles (PDT); e de
Cariacica, Euclério Sampaio, o presidente estadual do MDB de Ricardo.

Os quatro sucedem-se no vídeo, declarando apoio ao atual governador –
com falas entremeadas pela locutora, que cita a cartela de investimentos, equipamentos
públicos e obras estruturantes do governo em cada município.

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Essas quatro cidades, mais a Capital, são as cinco
historicamente pertencentes à Grande Vitória – à qual também, posteriormente, foram
incorporadas Fundão e Guarapari.

Desde antes da campanha, já se sabia: com o apoio de todos
os prefeitos da região, exceto Vitória, Ricardo buscou justamente erguer uma barreira,
um cordão de isolamento eleitoral, deixando Pazolini tão somente com o apoio de
sua própria sucessora na Capital, a prefeita Cris Samorini (PP) – que, até o
momento, não participa pessoalmente da campanha eleitoral do sucessor.  

No programa exibido por Ricardo, logo após o revezamento dos
quatro prefeitos aliados, entra em cena o próprio governador. Cabe a ele responder
à pergunta implícita: “e Vitória?!?”. Sem citar Pazolini, Ricardo diz
exatamente o seguinte:

“Pois é. Esse é só um resumo do enorme esforço que fizemos
para modernizar a Região Metropolitana. Só lamento não ter conseguido fazer em
Vitória, nossa linda e querida capital, tudo o que planejamos para a cidade. Por
decisão política da prefeitura, projetos importantes do governo foram impedidos
de seguir em frente. Mesmo assim, conseguimos […]” E segue citando algumas
intervenções.

O recado de Ricardo não poderia ser mais evidente: “todos
eles estão comigo, toda a Grande Vitória… só não está comigo quem não quer…
e, nestes últimos anos, só não fez parcerias com o Estado e usufruiu dos nossos
investimentos voluntários quem realmente fez questão de se isolar e não contar
com a ajuda que oferecemos… em prejuízo da própria população da cidade”. O texto subliminar é esse. Não cabe a
menor dúvida aqui. 

O que diz cada
prefeito

Wanderson Bueno, de Viana, é quem abre a “rodada dos prefeitos”:
“O governo que enfrentou os maiores desafios na nossa cidade merece o nosso
apoio. Por isso, Viana está com Ricardo!”

A locutora afirma que o Governo do Estado (subentende-se: de
2019 para cá) investiu mais de R$ 440 milhões em Viana, em obras de macrodrenagem,
pavimentação de ruas, recapeamento de rodovias, construção de pontes, escolas, parques,
praças, áreas de lazer e equipamentos de segurança.

Em seguida entra Arnaldinho, que diz: “O resultado da nossa
parceria com o governo pode ser visto pela cidade inteira. E, aqui em Vila Velha,
nós estamos com Ricardo, número 15”.

A locutora diz que “mais de R$ 2,3 bilhões já foram investidos
em Vila Velha”, citando obras de macrodrenagem, viadutos, pavimentação de ruas
e rodovias, reforma de escolas, implantação de parques, quadras esportivas e
totens de segurança. Cita, ainda, as obras (em andamento) de ampliação do Hospital
Infantil e da alça da Terceira Ponte.

Depois entra o prefeito da Serra, Weverson Meireles: “Com
Ricardo, nós temos investido na educação, na saúde, em mobilidade urbana. Com
Ricardo, o futuro da Serra está garantido”.

A locutora fala em investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão
no município mais populoso do Estado, incluindo o Complexo Viário de Carapina,
o Contorno de Jacaraípe, além de obras de macrodrenagem e pavimentação de ruas
e avenidas. Também lista a ampliação do Hospital Dório Silva, a revitalização
da orla, a reforma de escolas, nova unidade de saúde, ciclovias e totens de
segurança.

Completando o quarteto, vem Euclério: “Vamos caminhar juntos,
porque obras como essa não podem parar!”

A obra em questão é a do Hospital Geral de Cariacica, referido
pela locutora como “o maior hospital e maternidade do Estado, que vai atender a
toda a região”.

Fala-se em mais de R$ 1,4 bilhão em investimentos na cidade, incluindo
obras de drenagem, pavimentação, escolas, novas unidades de saúde, estação do
aquaviário, sistema de segurança, praças e áreas de lazer, além da modernização
do Estádio Kleber Andrade. 

“Só lamento”… 

Findo o rodízio da tropa de choque, quem entra em cena é o
próprio candidato, para tratar precisamente de Vitória. E aí vem a canelada, na
linha “só lamento”, como reproduzimos acima.

Enquanto isso, a campanha de Ricardo passou a levar ao ar
(inclusive no horário nobre) uma inserção de 30 segundos que procura subverter
o próprio slogan da campanha do
adversário, o qual tem anunciado “um novo tempo de paz”. 

Na mesma tacada, a
peça visa minar outro eixo da campanha do ex-prefeito: o da promessa de “levar
Vitória para todo o Espírito Santo”, conforme aludido acima.

“Quem depende da Prefeitura de Vitória não tem paz. É a
única entre as capitais do Sudeste que não tem nenhum hospital municipal. Toda
a assistência no município é prestada pelo Governo Federal e pelo Governo do Estado”,
diz o locutor, acrescentando que a Prefeitura de Vitória não gerencia o Samu
192.

“Pense bem: se diz que dá pra fazer no Estado, por que não
fez em Vitória?!?”, arremata o locutor. 

Associação com Magno 

Paralelamente, nas redes sociais, a campanha de Ricardo
passou a enfatizar a associação estratégica do senador Magno Malta (PL) com
Pazolini.

Num post publicado
na última segunda-feira (14), mostrando o ex-prefeito (em aparente montagem)
bem ao lado de Magno, o locutor afirma: “Esse é o novo modelo ‘2 em 1’: a gente
abre e descobre que um vem colado no outro”. 

A edição emenda a declaração de
Magno no ato bolsonarista realizado na Praça do Papa, no último 7 de setembro. Do alto do trio elétrico, o
senador, protagonista da manifestação, afirma: “O nosso candidato a governador é
Pazolini”.

O próprio Ricardo assina a legenda do post: “Tem modelo por aí se anunciando como novidade, mas, quando a
gente vai conferir, descobre que de novo não tem nada. Quer uma dica? Poupe
tempo e não pague pra ver”.

Conclusão 

Se isso já fazia parte de um planejamento estratégico da
campanha ou se a mudança radical foi forçada por alguma circunstância, não
conseguimos afirmar neste momento. Mas a mudança de tom é um fato.

Ricardo começou a ir para o ataque, seja apontando o suposto
isolacionismo de Pazolini, seja frisando a presente associação política do oponente com
Magno (um político antigo e polêmico, com eleitorado fiel em seu segmento, mas
com rejeição superior a 50% dos entrevistados, como aferido em pesquisa Quaest de julho para a Rede Gazeta). 

Os problemas na
propaganda de Ricardo

As novas peças de propaganda da campanha de Ricardo, descritas cima, representam uma nova fase. Mas, independentemente dessa guinada, como
espectador e analista, percebi alguns problemas, de roteiro e até de ordem
técnica, nos primeiros 20 dias de campanha do governador na TV.

Pelo menos até esse último, os programas estão meio
enfadonhos: frios, sem graça e sem dinamismo. Literalmente, sem brilho.

Toda vez que Ricardo entra na tela para dizer algum texto, a
imagem é meio fosca, e ele sempre fala diante de um fundo (aparentemente
digital) que representa algum equipamento público do governo, mas que passa uma
impressão de montagem artificial, de uma campanha inclusive pobre em recursos
financeiros.

A iluminação não ajuda. Fico sempre com a sensação de que
Ricardo está lendo num TP (o monitor com o texto a ser lido) colocado atrás da câmera e abaixo da altura dos olhos
dele. Isso sempre me produz a sensação de que ele está olhando o telespectador de
cima para baixo.

E o programa, com ótimo tempo (mais de 4 minutos), quase
sempre segue um roteiro padrão, dividido em três blocos:

Primeiro vem o tema principal do programa, no qual um locutor
ou locutora cita feitos do “atual governo” (que não é bem o atual governo) em
determinada área e as obras e programas em andamento. É nessa parte que Ricardo
diz um texto sobre educação, ou saúde, ou segurança…

Depois, é contada a história de um personagem da vida real
beneficiado por algum programa do governo (a estudante da Escola do Futuro em
Colatina, a mulher que perdeu o emprego na pandemia, fez um curso do
Qualificar-ES e mudou de profissão). Melhor dizendo: a própria pessoa conta sua
história, sem interação alguma com Ricardo.

No terceiro bloco, o locutor ou locutora cita realizações e
propostas sobre um terceiro assunto, diverso do primeiro e do segundo.

Poderiam na verdade ser três peças publicitárias
independentes, mas não vejo muita coesão. Carece de amarração e fica até um
pouco confuso. 

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Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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