‘O renascimento do fascismo mostra crise da sociedade liberal’, afirma historiador
Por BdF Entrevista — Brasil de Fato
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No dia 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Polônia e consolidou sua estratégia expansionista e hostil contra os povos do mundo. O fato marcou o início da Segunda Guerra Mundial, o maior conflito armado da história. Na avaliação do historiador João Claudio Pitilo, pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), aspectos políticos, econômicos e sociais criaram terreno para o surgimento do nazifascismo na Europa.
Ao BdF Entrevista, Pitilo explica que havia um clima de ressentimento gerado pelo Tratado de Versalhes. “Países como a Itália e a Alemanha, que chegaram atrasados na partilha da África por conta da demora na sua unificação, ficaram alijados não só de matéria-prima, mas também de mercados para escoar sua produção”, aponta.
A crise gerada após a Primeira Guerra Mundial ficava cada vez mais agravada em meio ao desemprego e à degradação social, que afetavam sobretudo a juventude. Dessa forma, o fascismo se consolidou como um movimento de massa impulsionado pelo rechaço à política liberal. “O que foi imposto contra a Alemanha no final da Primeira Guerra Mundial, pelas potências capitalistas, isso foi algo atroz. Isso serviu para jogar gasolina na fervura de todo esse ressentimento”, pondera.
Segundo o historiador, países como Estados Unidos, França e Inglaterra também deram sua parcela de contribuição para que a Segunda Guerra eclodisse, já que toleraram e instrumentalizaram o crescimento do fascismo com o argumento de conter o avanço do socialismo soviético. “O surgimento do fascismo não os incomodou. Até porque eles tinham certeza de que poderiam domar e direcionar esse movimento fascista. As contradições estão no campo cultural, podem estar pontualmente em um ramo político, mas na seara econômica não existem contradições. A política econômica de Hitler, de Mussolini, se encontrava a política econômica dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França”, pontua.
Na geopolítica atual, João Claudio Pitilo afirma que a ascensão da extrema direita — como o governo Donald Trump, que tenta segurar as pontas do império em decadência, e movimentos conservadores como o AfD na Alemanha — reflete a crise do modelo neoliberal. No caso alemão, o historiador apontou que o aumento dos custos energéticos e a desindustrialização causados pelo alinhamento a Washington na guerra da Ucrânia criaram o terreno explorado pela extrema direita. “O renascimento do fascismo em vários lugares do planeta prova a crise dessa sociedade liberal”, resume.
Como resposta a esse cenário, o pesquisador ressaltou a construção do Brics e a parceria estratégica impulsionada pela China, que vem consolidando uma nova ordem mundial multipolar. O bloco se contrapõe aos EUA e vem ganhando força ao estruturar sistemas financeiros e acordos comerciais em moedas locais. “Nós estamos vendo o Brics forjar um polo multipolar alternativo que está em estágio de organização. E isso é um movimento imparável”, concluiu Pitilo.
Confira a entrevista completa abaixo:
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.
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Fonte: Brasil de Fato