Zambelli prepara ações contra condenações do STF e para barrar extradição

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – A ex-deputada federal Carla Zambelli reforçou sua equipe jurídica e prepara uma série de medidas para tentar reverter as duas condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de impedir sua extradição da Itália para o Brasil. A estratégia envolve iniciativas nos dois países e prevê também a apresentação de representações perante organismos internacionais.

Segundo o SBT News, Zambelli contratou o advogado brasileiro Eduardo Maurício, que atuará em conjunto com o italiano Pieremilio Sammarco. A equipe pretende questionar as condenações da ex-parlamentar no Brasil e atuar nos processos de extradição em tramitação na Justiça italiana.

Defesa prepara revisões criminais

Entre as principais iniciativas anunciadas está a preparação de revisões criminais referentes às duas condenações impostas pelo STF.

No primeiro processo, Zambelli recebeu pena de dez anos de prisão no caso relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à inserção de documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

A segunda condenação, de cinco anos e três meses de prisão, decorreu do episódio ocorrido em outubro de 2022, quando Zambelli perseguiu Luan Araújo pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, portando uma arma. O caso ocorreu na véspera do segundo turno da eleição presidencial daquele ano.

“Nosso objetivo é contestar as condenações do Supremo Tribunal Federal, utilizar todos os recursos legais disponíveis e evitar a extradição de Carla Zambelli”, afirmou Eduardo Maurício ao SBT News.

Estratégia também mira Interpol e extradição

A nova equipe jurídica pretende atuar ainda no processo de extradição na Itália. Outra medida anunciada é uma tentativa de retirar o nome de Zambelli da Difusão Vermelha da Interpol.

A questão já havia sido levantada anteriormente pelos advogados da ex-deputada. Depois de uma das decisões da Justiça italiana sobre a extradição, sua defesa afirmou que buscaria a retirada do alerta internacional. A situação jurídica da Difusão Vermelha, entretanto, ainda era considerada incerta naquele momento.

A defesa anunciou ainda que pretende apresentar representações a organismos internacionais, entre eles o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Os advogados sustentam que as condenações impostas no Brasil seriam ilegais e abusivas e alegam perseguição política e desrespeito às garantias processuais. Essas afirmações constituem argumentos da defesa de Zambelli contra decisões judiciais vigentes no Brasil.

Ao comentar a tentativa de impedir a extradição, Maurício afirmou: “Entregar Zambelli ao Brasil seria o mesmo que sentenciar sua morte.”

Processos seguem na Justiça italiana

A situação da ex-deputada na Itália passou por sucessivas mudanças ao longo de 2026. Em março, a Justiça italiana chegou a autorizar sua extradição para que cumprisse pena no Brasil. Na ocasião, os magistrados rejeitaram argumentos apresentados pela defesa contra sua entrega às autoridades brasileiras.

Em maio, porém, a Corte Suprema de Cassação rejeitou a extradição relacionada a um dos processos e autorizou a soltura de Zambelli. Ela estava detida na Itália desde julho de 2025.

A decisão estava relacionada ao processo sobre a invasão dos sistemas do CNJ. Posteriormente, a fundamentação divulgada pela Justiça italiana apontou dúvidas sobre a imparcialidade objetiva no julgamento brasileiro, citando a atuação de Alexandre de Moraes no processo e sua condição de pessoa atingida pela inserção do falso mandado de prisão.

Já em 1º de julho, a Corte Suprema de Cassação anulou também a decisão que havia autorizado a extradição referente ao processo sobre o episódio da arma em São Paulo.

Nesse segundo caso, contudo, não houve encerramento definitivo do pedido brasileiro. A Corte determinou que o processo fosse refeito na instância inferior, com retorno à Corte de Apelação de Roma. Zambelli permaneceu em liberdade enquanto o procedimento seguia seu curso.

Caso do CNJ levou à pena de dez anos

A investigação relacionada ao CNJ ganhou força em fevereiro de 2024, quando a Polícia Federal indiciou Zambelli e Walter Delgatti Neto no caso da invasão dos sistemas do Conselho.

Em maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou a então deputada a dez anos de prisão. O processo envolveu a invasão dos sistemas do CNJ e a produção de documentos falsos, entre eles o falso mandado de prisão contra Moraes.

Depois da condenação, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália, país do qual também possui cidadania. Em 29 de julho de 2025, foi presa em Roma após a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol. Ela permaneceu detida enquanto a Justiça italiana analisava os pedidos brasileiros de extradição.

Episódio da arma resultou em segunda condenação

A outra condenação teve origem nos acontecimentos de 29 de outubro de 2022. Na véspera do segundo turno das eleições, Zambelli se envolveu em uma discussão com Luan Araújo e o perseguiu pelas ruas de São Paulo empunhando uma arma.

O STF posteriormente condenou a então parlamentar a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

Essa condenação deu origem a outro pedido brasileiro de extradição. Embora uma decisão italiana tenha inicialmente autorizado a entrega de Zambelli, a Corte de Cassação anulou a medida em julho de 2026 e determinou um novo julgamento pela Corte de Apelação de Roma.

Em setembro, Zambelli permanece na Itália e em liberdade, embora continue submetida ao processo de extradição no país europeu.

Fonte: Brasil 247

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