Ministros do STF descartam trégua em meio a indefinição sobre Moraes e Mendonça
Por Maiara Marinho — Carta Capital
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Temida por ministros, a espiral de reações se aprofundou e intensificou o desgaste. Não há data definida para retomar a votação da última terça
Ministros do Supremo Tribunal Federal não indicam estar dispostos a uma trégua para afastar a crise em meio ao caso do Banco Master, segundo interlocutores de magistrados ouvidos pela reportagem. A sessão da última terça-feira 15, que analisaria a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi marcada por momentos de gritaria e dedos em riste.
Os ânimos, que já estavam exaltados desde o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por ordem de André Mendonça, pioraram. Integrantes das duas alas formadas no STF ficaram insatisfeitos com a condução do imbróglio por Edson Fachin, situação que deixa o presidente isolado entre seus pares.
Conforme mostrou CartaCapital, alguns ministros se preocupavam na semana passada com a possibilidade de Mendonça e Moraes entrarem em uma espiral de decisões e reações capaz de aprofundar a crise. O embate de fato cresceu e passou a respingar em outros magistrados: na sessão da última terça, Flávio Dino disse que conversas apontam a existência de uma relação de Vorcaro com os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. “Mensagem comigo não tem. Não tem, não, senhor”, disse Fux. “Vossa Excelência terá que esclarecer isso no momento próprio”, devolveu Dino.
A sessão de terça sequer resolveu uma questão de ordem sobre analisar em conjunto os casos de Moraes e de Mendonça — acusado pelo colega de abuso de autoridade. Dino pediu vista e interrompeu a discussão por até 90 dias, mas pode devolver os autos antes disso para forçar uma análise unificada dos procedimentos.
Nos bastidores, há uma percepção de que as suspeitas contra Moraes e Mendonça deverão ser decididas na mesma sessão, uma vez que em nenhum dos casos há pedidos formais de investigação. Além disso, a Procuradoria-Geral da República não foi provocada sobre a abertura de um procedimento contra os ministros.
O STF ainda precisará definir um rito antes de avançar à avaliação do mérito. Por isso, Fachin decidiu que remarcará a sessão voltada a examinar a acusação contra Mendonça, inicialmente agendada para a próxima quarta-feira 23. O processo do Master ainda deve, ademais, revelar informações, diálogos e autoridades envolvidas — aparelhos de Vorcaro, por exemplo, aguardam perícia.
O embate teve um novo capítulo nesta quinta-feira 17, quando Mendonça respondeu a um ofício em que Gilmar Mendes o critica por um suposto acerto prévio para formar maioria e referendar o afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da PF.
É nesse contexto que Fachin resolveu cancelar a sessão extraordinária prevista para esta quinta. Questionado se há clima para os ministros se reunirem e buscarem um consenso, um interlocutor da Corte rechaçou a possibilidade.
Diante da persistente conflagração no STF, o presidente Lula (PT) tem buscado estabelecer um diálogo constante com Fachin para garantir que o desgaste não continue a interferir na campanha eleitoral. Candidato à reeleição, o petista busca se distanciar da crise institucional, em especial do ministro Alexandre de Moraes.
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Fonte: Carta Capital