Serial killer do CV, que tentou fugir fantasiado de mulher, confessa 80 assassinatos
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, preso no domingo (13) na Paraíba, afirmou à polícia ter cometido cerca de 80 assassinatos desde os 13 anos. Atualmente, ele é investigado por 16 homicídios registrados desde maio na região do Vale do Mamanguape, dos quais teria confessado 11. Segundo os investigadores, o suspeito atuava como executor ligado ao Comando Vermelho (CV), embora negue integrar a facção.
As informações foram reveladas em reportagem do jornalista Carlos Madeiro, publicada pelo UOL nesta quinta-feira (17). De acordo com a apuração, Jorlan era considerado um dos principais alvos da Polícia Civil na região e tinha cinco mandados de prisão expedidos contra ele por diferentes varas da Justiça paraibana.
Em depoimento, Jorlan relatou que os homicídios teriam começado ainda na adolescência. Ao falar sobre a quantidade de vítimas, declarou: “Eu de menor cometi muitos; [matei] uns 80 pra lá e pra cá”. A Polícia Civil ressalta, porém, que esse número ainda não foi comprovado e deverá ser confrontado com investigações e inquéritos sobre mortes ocorridas na Paraíba.
O suspeito contou aos policiais que teria cometido o primeiro assassinato aos 13 anos, depois que o pai, proprietário de um pequeno comércio, foi morto a facadas. Segundo sua versão, o episódio desencadeou uma trajetória de violência que ele passou a apresentar como uma ação pessoal contra integrantes de grupos criminosos. A justificativa faz parte do relato do próprio investigado e não representa uma conclusão da polícia sobre os crimes.
A investigação se concentra, neste momento, nos homicídios ocorridos a partir de maio de 2026, período em que Jorlan deixou o sistema prisional em liberdade condicional. A polícia o relaciona a 16 assassinatos desde então. Em 11 desses casos, segundo o delegado Marcos Paulo Sales, o investigado admitiu participação.
Os investigadores sustentam que Jorlan desempenhava função de executor para o Comando Vermelho no litoral paraibano e recebia ordens para realizar assassinatos. Ao descrever o papel atribuído ao suspeito dentro da organização, o delegado afirmou: “Ele era soldado dessa facção, recebia missões para matar pessoas.”
Jorlan, por sua vez, nega ser integrante formal de uma facção criminosa. A versão contrasta com as informações reunidas pela Polícia Civil, que associa parte dos homicídios investigados à disputa territorial entre o Comando Vermelho e a Nova Okaida pelo controle de áreas destinadas ao tráfico de drogas na Paraíba.
Segundo a investigação, Jorlan teria integrado anteriormente a Nova Okaida, mas rompeu com o grupo e passou a ser ameaçado por integrantes da própria organização. Com o avanço do Comando Vermelho na região, a polícia afirma que ele se aproximou do grupo rival e passou a executar ações relacionadas aos interesses da facção.
Cerco terminou com prisão em Mulungu
A captura de Jorlan ocorreu após uma operação policial iniciada no sábado (12), quando o setor de inteligência identificou seu deslocamento da zona rural de Rio Tinto em direção ao município de Mulungu. Equipes da Polícia Militar foram posicionadas em estradas da região para tentar interceptar o veículo no qual ele estaria.
Durante uma abordagem, dois homens foram detidos, mas Jorlan conseguiu escapar e entrou em uma área de mata. A partir daí, policiais civis e militares, com participação de setores de inteligência da Polícia Rodoviária Federal, ampliaram as buscas. A operação se estendeu por mais de 30 horas até a localização do suspeito no domingo.
Na tentativa de passar despercebido, Jorlan usou roupas femininas e peruca e chegou a carregar uma criança no colo. A polícia informou que a criança não era filha do investigado. Moradores disseram posteriormente que teriam sido coagidos a fornecer as roupas usadas no disfarce, circunstância que também passou a ser apurada.
A movimentação em uma residência chamou a atenção das equipes que faziam o patrulhamento. O suspeito acabou identificado e preso. Segundo o delegado responsável pela operação, ele estava com um revólver no momento da captura.
Após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. A investigação prossegue para determinar a participação de Jorlan nos homicídios já atribuídos a ele e verificar se a afirmação de que teria cometido aproximadamente 80 assassinatos encontra respaldo em ocorrências e inquéritos registrados ao longo dos últimos anos.
A Polícia Civil também trabalha para dimensionar a atuação do grupo criminoso no Vale do Mamanguape e esclarecer a relação entre os assassinatos recentes e a disputa entre facções na região. Até o momento, o número de cerca de 80 mortes permanece como uma declaração do próprio investigado, sem confirmação oficial das autoridades.
Fonte: Brasil 247