O pequeno Mendonça e a caixa de Pandora, por Luís Nassif

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Por Luis NassifGGN

O pequeno André Mendonça decidiu abrir a caixa de Pandora.

Os resultados imediatos foram:

  1. Comprometeu seus aliados Kassio Nunes e Luiz Fux.
  2. Abriu espaço para que sejam, finalmente, investigadas as contas do Instituto Iter, de sua propriedade.

A lógica é simples.

Primeiro, ele exigiu um relatório da perícia da Polícia Federal, com todos os nomes com direito de foro, mencionados no celular de Daniel Vorcaro. Depois, editou o relatório, extirpando seu nome e os de Kassio Nunes e Luiz Fux.

Baseou-se em meras citações, por terceiros, dos nomes do Procurador Geral Paulo Gonet e o Delegado Geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues. Foi o que bastou para que solicitasse uma investigação ampla sobre ambos, divulgando o pedido antes de remeter para o pleno do Supremo.

Com essa “esperteza”, permitiu que os demais Ministros tivessem acesso à íntegra do relatório. E, na íntegra, apareceram os nomes dos Ministros Kássio, Fux e, naturalmente, André Mendonça.

Desde março havíamos alertado que a criação do Iter visava abrir espaço para a compra de cursos por parte de setores interessados em julgamentos do Supremo. Quando foi revelada a visita de Daniel Vorcaro ao Iter, imediatamente mostramos o caminho da caverna de Ali Babá.

Como o Iter só é obrigado a divulgar contratos com o setor públicos, levantamos o último contrato público, antes da visita de Daniel Vorcaro; e o primeiro após a visita. Entre ambos há 37 notas fiscais emitidas em favor de entidades privadas – empresas ou individuos – que adquiriram cursos do Master.

Mais que isso. Investigação solicitada pelo Ministro Flávio Dino revelou mais coincidências comprometedoras:

Data Fato documentado 13 mar 2025 Dino mantém o teto de preços e reforça as obrigações de transparência e fiscalização. 14 mar 2025 André Mendonça recebe Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, em São Paulo. 15 mar 2025 Mendonça pede vista no julgamento virtual e suspende a análise da cautelar. 4 abr 2025 Com a retomada, Mendonça abre divergência e vota contra o referendo da cautelar. 24 set 2025 O Iter firma contrato de R$ 380 mil com a Prefeitura de São Paulo por inexigibilidade de licitação.

Mas não para por aí. No dia 2 de setembro passado, no artigo “Como investigar os contratos de André Mendonça”, apresentamos o mapa da mina:

“Lista 2 – no dia 11 de março o ITER emitiu a NFS-2 no 189. No dia 14 de março, emitiu a NFS-2 226. Em apenas três dias foram emitidas até 37 notas para clientes privados, englobando o dia em que Vorcaro visitou o ITER. Podem ser notas de matrículas individuais, podem ser pacotes de matrículas de empresas.

Para que não pairem dúvidas sobre sua idoneidade, faria bem André Mendonça em abrir as contas do ITER, especialmente dos clientes das 37 notas emitidas”.

Agora, o Ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem.

“(…) Pediu a identificação e a certificação, nos autos, de todos os magistrados mencionados nas investigações relacionadas ao caso Master que apresentem indícios de recebimento indevido de valores do banco e a abertura de prazo para manifestação do procurador-geral da República e dos juízes citados”.

Se essa proposta prevalecer, a apuração deixa de ficar concentrada no duelo Moraes–Mendonça e pode obrigar o Supremo a construir formalmente uma espécie de mapa dos pagamentos do Master relacionados a integrantes do Judiciário. E certamente as contas do Instituto Iter serão devassadas.

A fábula é de como a caixa de Pandora permitiu abrir a caverna de Ali Babá.

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Fonte: GGN

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