Gilmar Mendes reafirma críticas a André Mendonça: “pixuleco eleitoral”
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmou nesta quinta-feira (17) que o também integrante da corte André Mendonça atua como “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. A declaração foi publicada nas redes sociais em um texto no qual o decano sai em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado nas investigações relativas ao Banco Master, processo que está sob a relatoria de Mendonça.
O chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi mencionado em relatório elaborado pela Polícia Federal (PF). Nas apurações policiais, constam diálogos nos quais o advogado Ciro Soares repassa ao ex-proprietário do banco Master, Daniel Vorcaro, mensagens atribuídas a Gonet. Em outros trechos do documento, Vorcaro solicita que alvos acionem o procurador-geral da República e o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no intuito de barrar uma operação policial contra a instituição financeira.
Diante das menções feitas a autoridades e ao ministro Alexandre de Moraes no caso Master, o STF convocou uma sessão na última terça-feira (15) para analisar o episódio. Na ocasião, Paulo Gonet negou categoricamente ter qualquer tipo de proximidade com Vorcaro, ressaltando que não possui relação de amizade com o ex-dono do banco.
Em sua manifestação nesta quinta-feira, Gilmar Mendes defendeu a trajetória profissional de Gonet, enfatizando que o procurador-geral “tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita”. De acordo com o decano, tal conduta “nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam”.
Sequenciando as críticas, Gilmar acusou André Mendonça de agir com motivações políticas com o objetivo de beneficiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O decano apontou incoerência na conduta do relator ao expor o procurador-geral e, simultaneamente, reconhecer sua inocência.
“Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, sustentou Gilmar.
Por fim, Gilmar Mendes questionou a divulgação de um vídeo por parte de Mendonça nas redes sociais, no qual o relator agradecia o apoio popular recebido após os desdobramentos do caso. Para o decano, a atitude comprova o uso do cargo para alavancagem política no meio digital.
“E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, concluiu o ministro do STF.
Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 17, 2026
Fonte: Brasil 247