91% dos eleitores acham importantes propostas contra a crise climática; veja o que os presidenciáveis prometem
Por Redação — Brasil de Fato
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Para 91% dos brasileiros, é importante ou muito importante que os candidatos das próximas eleições apresentem propostas para o enfrentamento às questões climáticas. Para 62%, é uma questão “muito importante”. Oitenta e sete por cento entendem que as mudanças climáticas estão provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor, e 85% consideram que elas afetam o cotidiano dos brasileiros, aponta a Pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima (OC) e divulgada nesta quinta-feira (17).
Além da percepção hegemônica, 79% acreditam que o tema deve ser priorizado, mesmo que implique custos econômicos, e 76% entendem que ainda há tempo para evitar seus piores impactos, caso medidas sejam tomadas imediatamente.
Ao mesmo tempo, a mesma pesquisa mostra que a questão ambiental não é a prioridade da população. Questionados sobre quais seriam as três prioridades que os candidatos deviam eleger, os entrevistados colocam as “mudanças climáticas e crise ambiental” como a nona prioridade entre 14 temas. Em primeiro lugar, estão a “insegurança pública e criminalidade“, com 49% das opções; o aumento do custo de vida ou inflação, com 41%; e violência contra as mulheres e feminicídios, com 36%. O tema ambiental é uma das prioridades apenas para 19%.
Quando indagados sobre quais os principais problemas ambientais, 35% colocaram em primeiro lugar a mudança climática, em seguida a gestão de resíduos e lixo, com 21%, e, em terceiro, a qualidade do ar e a poluição, com 15%.
A pesquisa ouviu 1.800 brasileiros com 18 anos ou mais, em todo o país, entre os dias 17 e 20 de agosto. O questionário, aplicado online, foi composto por 32 perguntas.
Com a questão climática como foco, o Observatório do Clima constatou que a maioria dos presidenciáveis ignora a urgência da crise climática. Entre os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta “propostas robustas”, com 28 itens da agenda socioambiental e 16 compromissos positivos e detalhados, e é o único a citar o cumprimento da meta climática brasileira (NDC) e o Acordo de Paris.
Já o segundo colocado nas pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL), traz apenas um compromisso positivo, enquanto sete de suas propostas apresentam ameaças ao meio ambiente, com um programa claramente negacionista. Flávio já chegou a dizer, inclusive, que é uma “armadilha” atribuir as enchentes no Rio Grande do Sul às mudanças climáticas.
Augusto Cury (Avante) reconhece as mudanças climáticas, mas, segundo a análise do OC, não apresenta uma política estruturada para enfrentá-las, sem citar metas de redução de emissões ou discutir justiça climática ou racismo ambiental. Renan Santos (Missão) sequer menciona a agenda de clima. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), reconhece que as mudanças climáticas provocam eventos extremos e perdas agrícolas e propõe medidas de adaptação e prevenção de desastres, mas não contém propostas claras sobre quais serão os meios de implementação de ações de monitoramento e resposta.
“É lamentável ver como alguns candidatos simplesmente ignoram o assunto em seus planos de governo ou, pior, chegam até mesmo a negar a existência das mudanças climáticas”, diz Marcio Astrini, secretário executivo do OC.
Para a pesquisa, foram avaliados 28 itens da agenda socioambiental, divididos em 8 grandes eixos: mudanças climáticas, energia, desmatamento, proteção de povos e comunidades tradicionais, agronegócio sustentável, mineração e infraestrutura, governança ambiental e climática, e oceano e zona costeira. Além dos programas no TSE, o estudo levou em conta a atuação política de cada candidato.
Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do observatório, pesquisas da Ipsos mostram que, de fato, os brasileiros estão preocupados com as mudanças climáticas e seus efeitos, e com o meio ambiente de forma mais ampla. “O esforço a ser feito é para que essa preocupação se reflita em votos que assegurem a eleição de candidatos que realmente incorporem esse tema em sua atuação.”
Uma das ferramentas para identificar é a plataforma Vote pelo Clima, que reúne candidatos com propostas voltadas à agenda ambiental. A iniciativa é promovida pelo Instituto Clima de Política, com apoio de mais de 60 organizações, e procura “fortalecer a democracia por meio da promoção do voto consciente”.
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Fonte: Brasil de Fato