EUA usam América Latina como espaço neocolonial e de pressão contra o Brasil, avalia historiador
Por O Estrangeiro — Brasil de Fato
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A política dos Estados Unidos para a América Latina volta ao centro do debate com a ofensiva do governo de Donald Trump na região. Após a passagem do secretário de Estado Marco Rubio por alguns países latino-americanos, Washington anunciou um pacote de US$ 50 milhões destinado a governos da região.
Historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Eduardo Fernandes afirma que o que está por trás da turnê de Rubio é a atual Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos para a América Latina. Ao videocast O Estrangeiro, o especialista reforça que o governo Trump adota uma abordagem abertamente neocolonialista, que busca ir além das aparências diplomáticas para consolidar uma ocupação territorial direta e silenciosa.
“Sem dúvida alguma, a América Latina, dentro dessa política dos Estados Unidos, torna-se o grande espaço vital de projeção do poder estadunidense. Se, por exemplo, no Irã, na própria Europa, há reveses, há maior grau de resistência, maior complexidade para o governo Trump, ele vê a América Latina como um espaço de triunfos assegurados para projetar o seu poder mundialmente”, define.
Para ilustrar esse contexto, Fernandes citou um recente documento oficial da Casa Branca que elogia a aliança do Escudo das Américas, ao mesmo tempo em que volta a fazer duras críticas ao governo brasileiro e enquadra organizações criminosas locais como grupos narcoterroristas.
Na avaliação de Luiz Eduardo Fernandes, a estratégia estadunidense desdobra-se em dois eixos centrais: “combater o avanço chinês sobre a América Latina” no plano das parcerias comerciais e, no campo conjuntural, promover o “isolamento do Brasil e uma pressão contínua” sobre o país. Ele alertou que essa investida busca enfraquecer a soberania brasileira e interferir no debate político nacional às vésperas das eleições de outubro.
O podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas-feiras às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.
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Fonte: Brasil de Fato