Lula recebe pastores no Planalto e diz ser contra atos políticos em igrejas
Por Wendal Carmo — Carta Capital
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DIRETO DA REDAÇÃO: Lula tenta se descolar da crise no STF
A agenda em Brasília foi organizado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, em articulação com a primeira-dama Janja
O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira 16 que não pretende fazer campanha dentro de igrejas, mas pediu a participação de líderes religiosos em políticas públicas do governo. Em encontro com pastores brasileiros, norte-americanos e cubanos no Palácio do Planalto, o petista disse que “vai precisar muito das igrejas no ano que vem” e defendeu que os templos sejam preservados de disputas eleitorais .
“Não me convide para ir numa assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem na católica e nem na evangélica, porque eu respeito a fé das pessoas. Se eu quiser fazer política, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço, em nenhuma igreja”, declarou Lula na abertura do encontro.
A agenda em Brasília foi organizado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, em articulação com a primeira-dama Janja. “Eu me recuso toda vez que alguém pede para eu ir numa igreja falar de política. Eu não vou. Eu não vou porque eu respeito muito a fé das pessoas. Eu respeito muito o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus”, disse Lula.
A declaração ocorre em meio à tentativa do governo e da campanha de Lula de ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico, segmento no qual o presidente enfrenta resistência. Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostrou que o postulante do PL Flávio Bolsonaro com 50% das intenções de voto entre evangélicos, ante 22% do atual chefe do Executivo federal.
O objetivo do encontro era levar ao presidente a proposta de ampliar a participação de diferentes denominações religiosas em ações nos territórios, sob o argumento de que essas organizações já possuem redes de atendimento e presença nas periferias. “É esse tipo de trabalho, às vezes tornado invisível, que é desenvolvido pelos evangélicos e é essa história que queremos contar”, disse a CartaCapital a coordenadora executiva da Frente, Nilza Valéria, após a reunião.
Essa aproximação ocorre enquanto o PT tenta reduzir a distância em relação aos evangélicos. A campanha lançou nesta quarta um material específico para esse eleitorado com o título “Por que votamos em Lula?”, usando referências bíblicas para defender o voto como uma decisão “individual, livre e consciente”.
Durante o encontro no Planalto, Lula também voltou a abordar a tentativa de interferência do presidente americano Donald Trump. Na presença de pastores norte-americanos, o petista disse que faltam 19 dias para os brasileiros decidirem “que tipo de regime” e “que tipo de democracia”. “Eu já disse inclusive ao meu amigo Trump: ‘não se meta nas eleições brasileiras, que as eleições brasileiras são um problema do povo brasileiro. E não duvide das urnas brasileiras’”, declarou.
Além disso, antecipou que pretende levar à ONU uma cobrança por paz e criticou as grandes potências pelo papel na manutenção de conflitos armados. Lula deve discursar na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa na próxima terça-feira 22. Desde 1955, o Brasil tradicionalmente abre os discursos dos chefes de Estado e de governo, seguido pelos EUA, país anfitrião.
“Eu tenho uma causa: brigar de forma desaforada para que a gente consiga acabar com a dificuldade no planeta Terra. E essa briga vai fazer parte do meu discurso na ONU”, disse Lula, citando os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança do órgão (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido). “Cinco pessoas que poderiam acabar com todas as guerras. Que poderiam não começar nenhuma guerra. Mas são eles que começam as guerras. São eles que produzem armas. São eles que vendem armas”.
Wendal Carmo
Repórter do site de CartaCapital no Nordeste
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Fonte: Carta Capital