Crise com Nunes Marques impediu derrota de Moraes no STF
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Alexandre de Moraes caminhava para sofrer uma derrota no Supremo Tribunal Federal (STF) na sessão de terça-feira (15), quando a Corte analisaria a abertura de uma investigação contra o ministro por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O cenário, no entanto, mudou após a circulação de mensagens que citavam Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques. A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, nesta quarta-feira (16).
Integrantes do STF avaliavam que o placar já estava formado contra Moraes: cinco ministros votariam pela abertura da investigação, enquanto quatro ficariam contra.
Pelas contas mencionadas na reportagem, Edson Fachin, Kássio Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia tenderiam a votar a favor da apuração. Do outro lado estariam os ministros contrários à investigação, incluindo o próprio Moraes, caso fosse admitida sua participação por se tratar de uma questão processual.
Mesmo que algum ministro pedisse vista e adiasse a proclamação do resultado, a avaliação de magistrados ouvidos pela coluna era de que o desgaste político e institucional de uma derrota já estaria configurado para Moraes.
O quadro começou a se alterar na noite anterior ao julgamento. Passou a circular a informação de que, no conteúdo integral do celular de Daniel Vorcaro encaminhado aos gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, havia mensagens indicando supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Kevin nega ter recebido os valores.
De acordo com Mônica Bergamo, também foram encontradas no aparelho mensagens de cunho pessoal. A informação chegou ao gabinete de Nunes Marques, que, ainda segundo a coluna, avisou ao próprio Moraes, na mesma noite, que se declararia impedido de participar do julgamento.
Apesar disso, ministros favoráveis à abertura da investigação ainda acreditavam que Nunes Marques poderia votar contra Moraes. Integrantes da Corte chegaram a preparar falas para serem lidas em plenário, com menção às mensagens de Vorcaro que citavam Kevin Marques, a fim de questionar a participação do magistrado no julgamento.
Nunes Marques, porém, antecipou-se. No início dos debates, declarou impedimento e deixou o plenário. “Na condição de presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”, disse o ministro.
A saída de Nunes Marques retirou da votação um ministro que era considerado decisivo para formar maioria contra Moraes. Magistrados ouvidos pela coluna classificaram a circulação das mensagens como uma “explosão” capaz de reverter, ao menos naquele momento, o quadro desfavorável ao ministro.
Com a mudança no plenário, o julgamento deixou de apontar para uma derrota direta de Moraes e passou a um cenário de indefinição. Em seguida, Flávio Dino pediu vista do processo, suspendendo a análise por prazo ainda indefinido.
Fonte: Brasil 247