Em nova interferência, Trump diz que Brasil ‘falhou em confrontar as organizações terroristas’ PCC e CV
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Em mais uma ostensiva tentativa de ingerência no processo político e eleitoral brasileiro, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (16) que o Brasil falhou em “confrontar as organizações terroristas estrangeiras” Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A acusação sem provas integra uma determinação oficial encaminhada pela Casa Branca ao Congresso norte-americano. No documento, a administração norte-americana ataca o governo do presidente Lula (PT) ao sustentar que a atuação dessas facções criminosas supostamente transformou o país em um “centro de distribuição global de cocaína”.
A manobra de Washington tenta pavimentar o caminho para ampliar a interferência geopolítica norte-americana sobre a América Latina. As alegações infundadas do governo Trump evidenciam a tática de desgaste contra a gestão soberana do presidente Lula e deixam claro o interesse dos EUA na disputa eleitoral do país, sinalizando que a Casa Branca está à espera de um eventual governo de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições, para consolidar a tutela sobre a região.
Apesar da postura agressiva e da retórica acusatória, a própria determinação da Casa Branca expôs contradições internas ao deixar o Brasil de fora da lista dos principais locais de trânsito ou grandes produtores de drogas ilícitas do mundo para o ano fiscal de 2027. A classificação do PCC e do CV como “organizações terroristas estrangeiras” foi imposta unilateralmente por Washington este ano, ignorando a firme resistência e a oposição do governo brasileiro.
A medida norte-americana abre brechas graves para a violação da soberania nacional, pois concede respaldo jurídico às autoridades dos EUA para aplicar sanções econômicas, impor restrições migratórias e acionar o aparato do Departamento de Defesa e de inteligência, como a CIA, para atuações diretas e operacionais. A iniciativa gerou forte reação de autoridades brasileiras, que alertaram para os sérios riscos à segurança e à integridade do território nacional.
No mesmo documento, Trump sauda a ascensão de forças alinhadas à extrema-direita no continente, celebrando mudanças políticas na Bolívia, o avanço da nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, e elogiando abertamente governantes como Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e Nayib Bukele (El Salvador). Por outro lado, a lista oficial de rotas de trânsito e produção manteve países como Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
Fonte: Brasil 247