Microproteínas ocultas no cérebro revelam novas pistas sobre Alzheimer

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Por Tiago SouzaCarta Capital

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Estudo mapeia mais de 4,3 mil microproteínas em tecido cerebral humano e identifica alterações ligadas à doença neurodegenerativa

Pesquisadores identificaram mais de mil microproteínas que passavam despercebidas em amostras de tecido cerebral humano, segundo estudo publicado na Nature Aging. O trabalho, liderado por cientistas do Salk Institute for Biological Studies, nos Estados Unidos, resultou no maior atlas de microproteínas associadas ao Alzheimer produzido até agora. Dezenas dessas moléculas apresentaram expressão alterada em pessoas com a doença, o que pode indicar novos mecanismos de envelhecimento e neurodegeneração.

Microproteínas são proteínas pequenas, com menos de 150 aminoácidos, e difíceis de detectar por técnicas convencionais de sequenciamento de genes e proteínas. Segundo Brendan Miller, neurocientista do Salk Institute e coautor do estudo, elas são às vezes chamadas de “matéria escura do genoma”. Parte dessas moléculas é produzida por regiões do genoma antes consideradas não codificantes, incapazes de gerar proteínas. Outras vêm de genes que também produzem proteínas maiores e já conhecidas.

Essa característica dificulta a identificação por métodos tradicionais de sequenciamento de RNA. Por isso, a equipe combinou espectrometria de massa, sequenciamento de RNA e perfilamento ribossomal, técnica que analisa os ribossomos, máquinas celulares que constroem proteínas a partir do RNA.

Os pesquisadores analisaram 608 amostras post mortem do córtex pré-frontal dorsolateral, região cerebral envolvida no controle cognitivo, de pessoas com e sem Alzheimer. Foram identificadas 4.321 microproteínas, das quais 3.217 não haviam sido caracterizadas no catálogo padrão de proteínas humanas UniProtKB/Swiss-Prot.

Em seguida, a equipe aplicou um modelo de aprendizado profundo a 3.001 dessas microproteínas para classificar o grau de confiança na detecção por espectrometria de massa. O modelo atribuiu alto nível de confiança à identificação de 1.067 microproteínas. O conjunto de dados foi disponibilizado publicamente.

“Podemos estar deixando de lado toda uma camada da biologia ao ignorar essas microproteínas”, afirmou Bahareh Ajami, neuroimunologista do Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, à revista Nature.

Segundo Miller, o Alzheimer é uma proteinopatia, condição em que a patologia decorre em parte de proteínas que se dobraram de forma incorreta ou se acumularam, provocando resposta tóxica. “Deveria ser um tanto urgente entender o proteoma completo”, incluindo as microproteínas, disse o neurocientista.

O atlas não estabelece a função biológica dessas proteínas, ressaltam os autores. A expectativa é que diferentes laboratórios baixem as sequências disponibilizadas e desenvolvam experimentos para validá-las.

*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.


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Fonte: Carta Capital

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