Review Fire Emblem: Fortune’s Weave | O RPG tático “definitivo”

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Por Diego CorumbaCanaltech

A Nintendo abriu as portas para os RPGs táticos no Switch 2 com Fire Emblem: Fortune’s Weave e já traz uma grande questão: como justificar o lançamento exclusivo no console híbrido recente, já que o formato e mecânicas sempre couberam muito bem no seu antecessor?

Para responder a essa questão, o time da Big N investiu em um crescimento exponencial de sua premissa — o que traz não apenas a maior obra da franquia, mas também uma das mais completas de todo o gênero. Como um acerto crítico, ele mostra que veio para surpreender.

Ainda que limitado em sua natureza principal, tudo o que ele pode fazer a mais é tentado. Inclusão de um mapa gigantesco, batalhas em turnos e uma exploração maior esperam por aqueles que vão mergulhar nesta aventura a partir desta quinta-feira (17).

Com um peso colossal para todo o estilo, Fire Emblem: Fortune’s Weave tem tudo para moldar a próxima geração de RPGs táticos — não apenas no Switch 2, mas nas demais plataformas que também possuem poder de fogo para aplicar suas novidades. 

Prós

  • O RPG de estratégia mais completo de todos os tempos
  • Trama rica com linhas do tempo e personagens diferentes
  • Narrativa épica
  • Fator replay atrativo

Contras

  • Pouco conteúdo no mapa aberto
  • Tem algumas “gambiarras”
  • Sem localização para PT-BR

Plenitude em Fire Emblem: Fortune’s Weave

O que torna um RPG tático interessante: estratégias diferentes, múltiplos personagens para compor sua equipe, uma história que envolve e um conjunto de armas para vencer seus desafios. Alguns incluiriam o grinding aqui, o design ali, mas a fórmula já estaria mais do que completa apenas com isso.

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Em Fire Emblem: Fortune’s Weave, tudo isso é elevado à enésima potência. Você tem o básico que, diga-se de passagem, é muito bem produzido — como os padrões da Big N garantem. Contudo, a quantidade de opções que ele apresenta é monstruosa.

Você pode explorar toda a cidade de Dagsion, repleta de bairros, lojas, atividades e heróis para recrutar. Ao sair dali, você pode explorar o mapa e encontrar inimigos surpreendentes, áreas misteriosas e locais que farão toda a diferença na aventura.

Não apenas isso, também será possível ter outro estilo de gameplay. Em calabouços espalhados pelo território, você pode explorá-los livremente, enfrentar inimigos como um RPG de turnos e descobrir itens perdidos.

“Você ainda terá caminhos diferentes para cada personagem, o que torna cada experiência única e não o ‘mais do mesmo’ que vemos dos replays”, Diego Corumba

Somado ao fato de o calendário estar ainda mais completo, com atividades semanais “recarregáveis”, um sistema de fama que te posicionará de forma ampla em relação aos demais e poderes especiais que podem ser usados em batalha deixam a ação mais eletrizante.

Não é à toa que Fire Emblem: Fortune’s Weave pode ser chamado de o “melhor RPG tático de todos os tempos”. Ele traz vários elementos que a franquia já acertava antes, enquanto almeja um patamar superior dentro do estilo. Ele está para o gênero como Elden Ring (2022) esteve para os soulslikes e The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017) estava para os jogos de aventura.

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As diferentes facetas da estratégia

Se não bastasse inovar com recursos, o game abre um precedente que impulsiona ainda mais a história. Nela temos cinco heróis: Leda, Theodora, Cai, Dietrich e o personagem que você criará de forma personalizável.

O que mais me surpreendeu é que você tem abordagens, personagens e eventos diferentes para cada um deles. Não são coisas “bobas”, mas sim que mostra por completo uma nova visão sobre toda a jornada.

Mais do que complementares, eles vivem de uma forma única, exploram lugares diferentes do mundo, carregam mecânicas próprias e enriquecem o conteúdo. Sabe Pokémon, que traz duas versões do mesmo roteiro? Aqui temos cinco que se carregam jornadas distintas e todas são oferecidas em uma experiência só. 

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O personagem criado pelos jogadores precisa impedir uma verdadeira catástrofe e usa a viagem no tempo para mudar o passado. Cai deseja salvar seu pai da sentença de morte. Leda carrega um plano de vingança. Dietrich e Theodora mostram outro lado deste universo, o que acrescenta muito à trama.

Tudo em Fire Emblem: Fortune’s Weave converge no coliseu, com jogos que determinarão um campeão e um desejo que será realizado pelo monarca de Dagsion. Ainda que todos caminhem ao seu próprio modo, todos participam da competição para realizarem seus sonhos.

A história se divide em atos, o que possibilita ver os eventos em panorama. Toda a construção se torna uma aventura épica, que se aproveita de muitas facilidades para entregar a maior jornada de toda a franquia. De forma narrativa, todos os elementos se encontram e se afastam naturalmente. Fora dela, também.

“São basicamente cinco jogos diferentes construídos na mesma estrutura, é encantador ver todos os aspectos de vários pontos de vista distintos nesse gênero”, Diego Corumba

Vamos supor que você escolheu o caminho de Leda, acompanhou vários capítulos dela e acabou isso em questão de 25 a 30 horas. Como fazer o mesmo com Cai e Theodora? Os incentivos não serão apenas conhecer novas figuras ou experimentar formas inéditas de explorar aquele mundo.

Por meio do personagem principal, você pode usar suas conquistas para desbloquear facilidades que te ajudarão muito no fator replay. Quer proficiência maior em determinada arma? Basta usar os pontos obtidos para comprar mais experiência nelas a partir daquele momento. O mesmo vale para o “XP” comum e outros elementos.

Quase como um roguelite, você avançará com bônus que tornarão o processo menos cansativo. Para ter uma ideia, após finalizar os capítulos de uma das heroínas, comecei a história de Cai e em missões que exigem o nível 6 eu já estava com ele no nível 11 — muito acima, o que tornou os combates menos arrastados.

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Não pense que sua vida será muito mais simples assim. Contra inimigos comuns, você não terá problemas se usar seus pontos sabiamente. Contudo, quando encarar os principais inimigos da sua trajetória, pode ter a certeza de que o desafio fará jus, independentemente de quão evoluído esteja.

O custo do épico

Uma das grandes questões que o público terá com Fire Emblem: Fortune’s Weave é o tamanho colossal da cidade para não ter tanta coisa a se fazer. Exceto por lojas, templos e algumas atividades pontuais, Dagsion não tem muito para onde correr.

Em termos mais simples, é “tamanho por tamanho”. É muito bacana poder correr pelas ruas, entrar em lugares e fazer as coisas. No entanto, muitas vezes você apenas perderá mais tempo para chegar do lugar X ao Y do que terá outros propósitos. 

O mapa geral segue o mesmo padrão. É vasto demais, mas preenchido de áreas de mineração simples e que levam menos de um segundo. Na maior parte das oportunidades, você viaja para outro lugar distante para missões velozes e sem muito atrativo.

A parte boa disso é que há mais combates e eventos que são descobertos pela exploração, mas ainda assim você percebe que não é tanto assim que a expanda. Em termos mais claros, ele faz demais por ser um RPG tático, mas em qualquer outro gênero isso seria um problema grave.

Outro detalhe relevante é que ele é mapa aberto, porém, com algumas gambiarras. Ao trocar de área de Dagsion, por exemplo, sempre rola um atraso de poucos segundos para carregar tudo de outro bairro. Quando se olha para trás, a porta está fechada novamente. 

“Sabe aquele segundo que o personagem para, a porta abre, você atravessa nela e ela se fecha automaticamente atrás? São coisas pequenas, mas que mostram que o cenário não está tão conectado quanto a Nintendo apresentou”, Diego Corumba

Óbvio que este é o custo de trazer algo “colossal” para o Nintendo Switch 2, mas em comparação a Xenoblade Chronicles 3 (2022) e The Legend of Zelda: Breath of the Wild (2017), muito já era feito em escala e na geração anterior. Se o primeiro console híbrido aguentava, como seu sucessor ainda traz limitações assim?

Podemos bater na tecla de que são estúdios diferentes, outros gêneros e mais detalhes deste debate todo. O fato é que a Nintendo poderia ter feito mais por Fire Emblem: Fortune’s Weave. Ele sair como está é épico, mas é visível que a experiência ainda não tirou tudo o que podia da plataforma. Não teria aproveitado nem o primeiro Switch, também não o fez no atual videogame.

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O RPG tático definitivo

Mesmo sem extrair ao máximo do hardware, o game está extremamente longe de ser ruim. Para todos os efeitos, você não encontrará um game desta categoria que faça tanto e seja tão completo em sua proposta. Exceto pelos aspectos técnicos, que funcionam de forma básica, o título faz muito bem o que ele se propõe a fazer.

Em Fire Emblem: Fortune’s Weave você tem a melhor narrativa, melhores mecânicas e múltiplas opções e caminhos em uma franquia que é um modelo para qualquer RPG tático que se preze. Neste aspecto, você tem aqui a “obra-prima” que tanto esperou de uma das grandes marcas da Big N.

Podia ter feito mais, mas se você considerar que o Switch 2 completou um ano recentemente, chegará fácil na conclusão de que ainda há muita lenha para se queimar nesta geração. O primeiro Switch recebeu dois títulos da linha principal, expansões e até um spin-off musou. Na prática, o céu é o limite.

O que dói mais no game é a falta de localização, que teria caído como uma luva para milhares de fãs brasileiros mergulharem nessa jornada. Pois é, indo na contramão dos grandes lançamentos recentes e até do vindouro remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, ele está disponível em inglês e espanhol. 

Se você já é fã do gênero, pode se preparar que Fire Emblem: Fortune’s Weave te surpreenderá de várias formas — não apenas pelo gameplay e escala, mas também pela história épica e toda a construção que a narrativa faz do seu início ao final. 

Ainda que imperdível para quem já experimentou diversas aventuras desta categoria, ele também ensina bem aqueles dispostos a começar. No fim das contas, não há desculpas para iniciar a sua jornada e conhecer este universo de tramas interconectadas.

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Fonte: Canaltech

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