Como as redes sociais reagiram à sessão do STF de 15 de setembro
Por Alexandre Barbosa — TVT News
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 15 de setembro, que discutiu a condução do caso do ministro Alexandre de Moraes e a possibilidade de julgamento conjunto com o processo de André Mendonça, teve ampla repercussão nas redes sociais. O plenário terminou sem decisão sobre o mérito após um placar de 4 a 3 na questão de ordem e um pedido de vista do ministro Flávio Dino. A TVT News traz a análise feita pelo Instituto Democracia em Xeque (DX), que monitorou a conversa digital ao longo do dia.
Resumo da repercussão da sessão do STF nas redes sociais
- Manhã: Discussão sobre quem pode julgar Moraes dominou o período, com suspeições e impedimentos concentrando 31% do engajamento. Moraes liderou 56 dos 60 intervalos de cinco minutos analisados.
- Tarde: Confrontos entre Moraes, Mendonça e Gilmar Mendes impulsionaram os picos de menções. O julgamento somou 1,3 milhão de menções e 11,1 milhões de interações entre 10h e 18h.
- Moraes lidera, mas Mendonça registra o maior pico: Moraes somou 477 mil menções (36%), enquanto Mendonça atingiu 21.323 menções em cinco minutos às 12h45.
- Julgamento alcança milhões de interações: As menções aos cinco ministros, entre 10h e 18h, somaram 1.314.255 menções, com 11,1 milhões de interações.
- Em outro recorte, entre 8h e 18h30, foram 122 mil menções, 37,3 mil autores únicos e 1,1 milhão de interações.
- Confrontos entre ministros impulsionam a repercussão: Os embates entre Moraes, Mendonça e Gilmar Mendes foram os principais motores dos picos, com publicações contendo o termo “golpe” apresentando 90% de tom negativo.
- Julgamento alimenta discurso de espetáculo e disputa eleitoral: Perfis de direita transformaram o episódio em argumento de mobilização em torno de Flávio Bolsonaro, enquanto perfis de esquerda contestaram a tentativa de produzir “pânico eleitoral”.
- Soberania e sanções dos EUA entram na disputa: A defesa da soberania nacional feita por Moraes foi rebatida por perfis de direita com referências a possíveis sanções americanas.
Confira a íntegra do relatório do Instituto Democracia em Xeque
- Veja o relatório completo sobre a repercussão da sessão da tarde do STF nas redes sociais
- Leia o relatório completo sobre a repercussão da sessão da manhã do STF nas redes sociais
Moraes lidera, mas Mendonça registra o maior pico nas redes sociais
Entre 10h e 18h, o ministro Alexandre de Moraes somou 477 mil menções, o equivalente a 36% das referências aos cinco ministros monitorados. André Mendonça apareceu em segundo lugar, com 367 mil menções (28%), seguido por Flávio Dino, com 225 mil menções (17%).
Apesar da liderança de Moraes no volume total, foi Mendonça quem registrou o maior pico individual do dia: 21.323 menções em um intervalo de cinco minutos, às 12h45, durante o confronto com Moraes e Gilmar Mendes. Moraes atingiu seu pico às 17h15, com 19.411 menções, durante a discussão sobre a unificação dos processos.

Julgamento alcança milhões de interações
A extração dos cinco ministros monitorados entre 10h e 18h registrou 1.314.255 menções, com 11,1 milhões de interações. Em outro recorte utilizado no relatório, entre 8h e 18h30, o julgamento somou 122 mil menções, provenientes de 37,3 mil autores únicos, e 1,1 milhão de interações.
Impedimentos e imparcialidade
As publicações sobre suspeições e impedimentos passaram de 1% às 10h para 18% na média da manhã, impulsionadas pelas declarações de impedimento de Kássio Nunes Marques e de suspeição de Dias Toffoli. À tarde, a discussão sobre a possibilidade de Moraes votar no próprio caso chegou a 11% das publicações.
Confrontos entre ministros impulsionam a repercussão
Os embates entre Moraes, Mendonça e Gilmar Mendes foram os principais motores dos picos de menções na manhã. Moraes acusou Mendonça de mentir, perguntou “quem tem medo da Polícia Federal?” e o associou a um grupo político que teria tentado dar um golpe. Gilmar Mendes também entrou no confronto, usando termos como “pixuleco”. No acompanhamento, publicações contendo o termo “golpe” apresentaram 90% de tom negativo.
Caso Master mantém Vorcaro no centro da conversa
O caso Master e as acusações relacionadas a Daniel Vorcaro permaneceram como eixo transversal da repercussão. As menções aos contatos de Moraes com Vorcaro apareceram articuladas às discussões sobre a investigação, enquanto novos vazamentos envolvendo outros ministros ampliaram a conversa sobre possíveis vínculos entre integrantes da Corte e o empresário.
Imparcialidade do STF vira eixo da crise institucional
A saída de Nunes Marques e Toffoli, as divergências sobre relatoria e condução do processo e os confrontos públicos entre ministros alimentaram percepções de parcialidade, conflito de interesses e crise institucional. Esse enquadramento apareceu tanto em ataques da direita à Corte quanto em críticas à presença de diferentes ministros no caso.
Julgamento alimenta discurso de espetáculo e disputa eleitoral
Comparações humorísticas, referências a programas de televisão, apostas e “audiência recorde” acompanharam a cobertura dos confrontos. Perfis de direita transformaram o episódio em argumento de mobilização eleitoral em torno de Flávio Bolsonaro, enquanto perfis de esquerda associaram a repercussão à disputa eleitoral e contestaram a tentativa de produzir “pânico eleitoral”.
Soberania e sanções dos EUA entram na disputa
A defesa da soberania nacional feita pelo ministro foi rebatida por perfis de direita com referências à possibilidade de novas sanções americanas, enquanto perfis de esquerda enquadraram o episódio como reação a uma tentativa de pressão dos EUA sobre o STF.
Confrontos impulsionam convocação para as ruas
A partir dos embates no plenário, publicações de perfis da direita passaram a defender que a próxima sessão seja acompanhada por mobilização presencial e telões, com chamados que circularam entre diferentes perfis políticos.
O que é o Instituto Democracia em Xeque
O Instituto Democracia em Xeque (DX) é uma organização independente dedicada à pesquisa aplicada sobre o ambiente informacional brasileiro. Concebido em fevereiro de 2021 como projeto de pesquisa aplicada, inovação tecnológica e incidência comunicacional, tornou-se em dezembro de 2023 um um instituto de âmbito nacional.
“Atuamos na produção de evidências, no desenvolvimento de metodologias e na articulação institucional para fortalecer a integridade da informação e o Estado Democrático de Direito”, explica o DX, na página oficial.
Qual a metodologia para medir a repercussão nas redes sociais
A apuração se baseia em duas extrações do Talkwalker de 15 de setembro de 2026. A primeira monitorou menções a Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Dino, Kássio Nunes Marques e Gilmar Mendes, entre 8h e 12h55, em intervalos de cinco minutos, somando 515.756 menções e 3,3 milhões de engajamento informados pelo painel. A segunda reuniu um arquivo de 20.000 publicações sobre o julgamento entre 10h e 12h59.
Os eixos foram medidos por termos presentes no texto próprio de cada autor, desconsiderando o trecho citado, e admitem sobreposição. Os horários correspondem ao primeiro registro de cada fato na ferramenta, podendo diferir do momento do ato. As datas do despacho de Fachin, da determinação de 9 de setembro e da entrega dos dados do celular foram conferidas em reportagens do Metrópoles e de O Tempo.
A metodologia também registra ressalvas: as mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e citadas em reportagens não tiveram autenticidade e contexto estabelecidos; não há culpa estabelecida contra nenhum dos citados; e a sessão não havia terminado quando a coleta foi encerrada. As leituras atribuídas a cada campo descrevem enquadramentos observados na base e não constituem posição do Instituto Democracia em Xeque.
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Fonte: TVT News