Quem é o jovem expulso de casa por ser gay que receberá R$ 100 mil dos pais após condenação

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – Emanuel Roque, de 18 anos, deverá receber R$ 100 mil de indenização dos próprios pais após ter sido expulso de casa, em Santa Catarina, aos 17 anos, depois de assumir um relacionamento homoafetivo. A Justiça catarinense responsabilizou o casal por danos morais, violência e abandono afetivo. Atualmente, o jovem vive no Rio Grande do Sul com o companheiro e trabalha como operador de caixa.

Segundo reportagem do g1 Santa Catarina, Emanuel deixou a casa da família em Jaguaruna após enfrentar ameaças e ter aspectos de sua intimidade expostos nas redes sociais pelos próprios pais. A decisão judicial também proibiu o pai de publicar conteúdos relacionados à vida privada do filho. Os pais negam as acusações e ainda podem recorrer.

Distante da família e tentando construir uma vida independente, Emanuel afirma que, apesar das dificuldades financeiras, encontrou maior liberdade e segurança ao lado do namorado.

“Hoje eu sou muito mais feliz morando com meu namorado, me sentindo realmente amado, podendo ser quem eu sou”, declarou.

Ele trabalha em um supermercado e enfrenta uma rotina que inclui longos deslocamentos de ônibus. As dificuldades financeiras e a carga de trabalho fizeram com que interrompesse temporariamente os estudos. A intenção é concluir o ensino médio em 2027.

“Por menos que eu não tenha a vida financeira boa que eu tinha quando eu estava em casa, eu estou conseguindo conquistar minhas coisas com o meu dinheiro e com o meu suor”, relatou ao g1.

Conflito familiar começou aos 17 anos

O episódio que levou à intervenção das autoridades começou quando Emanuel ainda tinha 17 anos e trabalhava em um mercado de Jaguaruna, onde conheceu o atual namorado.

De acordo com a reportagem, ao tomar conhecimento do relacionamento, a mãe teria reagido com gritos e ofensas. O pai, segundo os elementos apresentados no processo, fez ameaças envolvendo um alicate e uma arma de fogo. Os responsáveis também teriam impedido o adolescente de frequentar a escola e determinado que deixasse o emprego.

Diante da situação, o Conselho Tutelar interveio e encaminhou Emanuel, em agosto de 2025, para uma unidade de acolhimento. Foi nesse período que ele recebeu atendimento psicológico e orientação jurídica, que posteriormente subsidiaram a atuação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

“Naquela época tudo foi tão conturbado, mas foi um pouco feliz também quando conheci meu namorado e o pessoal do abrigo. Pela primeira vez, vi pessoas que realmente me deram apoio e conversaram comigo sobre o que eu poderia fazer”, lembrou.

A passagem pelo abrigo também criou vínculos que Emanuel afirma pretender manter. “São pessoas que quero levar para o resto da vida.”

Provas embasaram ação do Ministério Público

Na ação judicial, o MPSC apresentou elementos como publicações feitas em redes sociais, depoimentos e relatos de testemunhas para demonstrar as violações de direitos atribuídas aos responsáveis pelo adolescente.

Emanuel contou que não esperava que a indenização fosse fixada em R$ 100 mil e disse ter se afastado das questões relacionadas ao processo depois de deixar a casa da família.

“Eu não sabia que ia ser tanto dinheiro. Quando saí de lá, acabei me desligando, não tenho muito conhecimento desse negócio jurídico e ainda estou um pouco em choque”, afirmou.

Segundo o jovem, os pais não entraram em contato com ele depois que a sentença se tornou pública. Livre das ameaças relatadas no processo, Emanuel diz concentrar seus esforços no trabalho, na retomada dos estudos e na construção de uma vida ao lado do companheiro.

Fonte: Brasil 247

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